O estudo, realizado pela Embrapa em parceria com o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), divulgado em junho, mapeou pela primeira vez o ecossistema de startups de tecnologia voltadas ao agronegócio em 23 países da região. Ao todo, foram identificadas 2.656 empresas emergentes de base tecnológica, das quais 2.075 estão no Brasil.
O resultado coloca o país muito à frente dos demais mercados latino-americanos. Depois do Brasil aparecem Argentina, com 158 agtechs; México, com 110; Chile, com 91; Colômbia, com 79; e Uruguai, com 74.
Tecnologia cada vez mais perto da produção
O levantamento mostra também que as soluções voltadas para dentro da porteira estão entre os principais produtos oferecidos pelas agtechs da região.
Isso significa que a inovação tecnológica já está diretamente relacionada a atividades como produção, gestão, monitoramento, automação e tomada de decisão nas propriedades rurais.
A expansão desse ecossistema indica uma mudança importante no perfil do agronegócio. A tecnologia deixa de ser apenas uma ferramenta complementar e passa a ocupar espaço estratégico na busca por produtividade, eficiência, sustentabilidade e redução de custos.
Para o produtor, o avanço das agtechs significa também uma oferta cada vez maior de soluções para problemas específicos da atividade rural.
Brasil lidera, mas desafio é ampliar a adoção
Apesar da liderança brasileira no número de empresas, a existência de startups não significa, necessariamente, que suas tecnologias estejam amplamente presentes nas propriedades.
Um dos desafios para o avanço da agricultura digital é justamente transformar inovação em soluções acessíveis, aplicáveis e economicamente viáveis para produtores de diferentes escalas e regiões.
Nesse cenário, conectividade, capacitação e acesso a financiamento para inovação passam a ser fatores determinantes.
O próprio ecossistema de inovação reúne diferentes atores, incluindo startups, empresas consolidadas, instituições de pesquisa, universidades, investidores e organizações de produtores.
Um mapa da inovação no agro latino-americano
Para a Embrapa e o IICA, o Radar AgTech LAC 2026 contribui para compreender como a inovação está distribuída pela região e quais são as principais áreas de atuação das empresas de tecnologia agrícola.
O levantamento também permite identificar oportunidades de cooperação entre países e fortalecer a conexão entre os diferentes participantes do ecossistema de inovação.
A iniciativa amplia uma experiência que já vinha sendo realizada no Brasil com o Radar AgTech, agora expandida para toda a América Latina e o Caribe.
Mais do que contabilizar startups, o levantamento oferece um retrato de como a tecnologia está se incorporando às cadeias agroalimentares da região.
E os números mostram a dimensão do protagonismo brasileiro: de cada dez agtechs identificadas no levantamento regional, aproximadamente oito estão no Brasil.
Para um país cuja competitividade depende diretamente da eficiência do agronegócio, a concentração desse ecossistema representa uma vantagem estratégica — mas também coloca o desafio de transformar esse volume de inovação em tecnologia efetivamente adotada no campo.
Fontes: Embrapa, IICA, Homo Ludens e SP Ventures.