Suprema Corte dos EUA derruba tarifaço de Trump e impõe limites ao poder presidencial

A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu nesta sexta-feira (20) que o ex-presidente Donald Trump ultrapassou sua autoridade ao impor um amplo aumento de tarifas sobre importações de diversos parceiros comerciais, incluindo o Brasil
Redação NC News
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A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu nesta sexta-feira (20) que o ex-presidente Donald Trump ultrapassou sua autoridade ao impor um amplo aumento de tarifas sobre importações de diversos parceiros comerciais, incluindo o Brasil.

A decisão estabelece um marco importante sobre os limites do poder do Executivo na política comercial americana.

Decisão foi por 6 votos a 3

Por maioria de seis votos contra três, os ministros entenderam que a lei utilizada pelo governo não autoriza o presidente a criar tarifas de forma unilateral.

O relator do caso, John Roberts, afirmou no voto vencedor que o governo precisa demonstrar uma autorização clara do Congresso para justificar a medida. Ficaram vencidos os ministros Clarence Thomas, Samuel Alito e Brett Kavanaugh.

Lei de emergência não autoriza tarifa, diz Corte

O ponto central do julgamento foi o uso da Lei de Poderes Econômicos em Emergência Internacional (IEEPA). Segundo a Corte, a norma permite ao presidente regular o comércio em situações excepcionais, mas não concede poder para criar tarifas amplas sem aval legislativo.

Os magistrados ressaltaram que a Constituição americana atribui ao Congresso — e não ao presidente — a competência para instituir impostos e tarifas alfandegárias.

Impacto pode atingir medidas contra o Brasil

A decisão afeta principalmente as chamadas tarifas recíprocas, que eram parte relevante da estratégia comercial do governo Trump. O entendimento pode ter reflexos diretos sobre medidas aplicadas a produtos brasileiros.

Em 2025, os EUA chegaram a impor sobretaxa adicional de até 50% sobre parte das importações do Brasil, embora vários setores tenham ficado de fora após negociações bilaterais.

Governo pode ter que devolver bilhões

Com a derrubada do tarifaço, especialistas avaliam que o governo americano pode ser obrigado a restituir valores arrecadados.

Estimativas do Penn-Wharton Budget Model apontam que a devolução pode ultrapassar US$ 175 bilhões (cerca de R$ 912 bilhões), caso a decisão seja aplicada integralmente às tarifas emergenciais.

Entenda a disputa judicial

O processo teve início em 2025 após empresas afetadas e 12 estados americanos questionarem a legalidade das tarifas.

Antes de chegar à Suprema Corte, um tribunal de apelações já havia considerado que a maior parte das taxas não tinha respaldo legal. O governo recorreu, mantendo as cobranças em vigor até o julgamento definitivo.

Estratégia comercial de Trump sofre revés

Ao longo do segundo mandato, Trump transformou as tarifas em um dos principais instrumentos de política externa, usando a medida para pressionar parceiros comerciais e renegociar acordos.

Apesar da derrota, ministros dissidentes indicaram que o presidente ainda pode recorrer a outras leis comerciais específicas para impor tarifas — mas não poderá mais usar a IEEPA como base para medidas amplas e imediatas.

O que acontece agora

Com a decisão, a política tarifária americana pode passar por revisão profunda. O governo deverá avaliar quais medidas permanecem válidas e quais precisarão ser revogadas.

A decisão também reforça a necessidade de participação do Congresso em iniciativas com grande impacto econômico, redesenhando os limites do poder presidencial nos Estados Unidos.

Com informações do G1*

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