O Santos Futebol Clube divulga nesta quarta-feira a lista de relacionados para o duelo contra o Macará, pela Copa Sul-Americana, com Neymar cotado como titular em meio a desfalques graves na defesa.
O time encara o jogo de ida das oitavas de final nesta quinta-feira, na Vila Belmiro, pressionado a fazer resultado em casa. A convocação evidencia um elenco dividido entre o reforço técnico no ataque e uma defesa remendada, cenário que obriga o técnico Cuca a redesenhar o time às vésperas de um confronto decisivo.
Neymar ganha sequência, defesa perde peças-chave
Neymar, camisa 10 e principal referência técnica do Santos, aparece na lista e deve começar jogando. A comissão técnica trata a presença dele entre os titulares como praticamente certa, tanto pelo peso do duelo quanto pela necessidade de dar ritmo ao atacante.
“Se confirmado na equipe inicial, o atacante engrenará sua quinta partida consecutiva pelo Peixe desde que retornou ao clube após defender a Seleção Brasileira na Copa do Mundo”, diz a avaliação interna do clube.
A aposta é clara: usar a fase de retomada de Neymar para empurrar o time ofensivamente, sobretudo diante de um adversário equatoriano que tende a se fechar na Vila.
A notícia positiva no ataque contrasta com o cenário de emergência no sistema defensivo. O zagueiro Lucas Veríssimo desfalca a equipe por causa de uma lesão na panturrilha direita e não tem condições de jogo. Na lateral, Igor Vinicius também está fora, afastado por episódios de lombalgia que o tiram do duelo continental.
Moisés e Gustavinho se somam à lista de baixas e reduzem ainda mais as opções de Cuca para montar a retaguarda e o meio-campo. As ausências forçam o treinador a pensar em improvisações, uso de reservas pouco testados ou mudança de esquema tático para proteger um setor fragilizado.

Cuca redesenha o time para tentar vantagem na Vila
Cuca trabalha com a ideia de montar uma equipe mais protegida, mesmo com a força ofensiva que Neymar oferece. Sem Lucas Veríssimo, a zaga tende a ser formada por jogadores com menos entrosamento entre si, o que aumenta o risco de falhas de posicionamento contra um rival que costuma explorar bolas longas e contra-ataques rápidos.
A falta de Igor Vinicius mexe no lado direito do campo, tradicional válvula de escape do Santos em jogos na Vila Belmiro. A tendência é que o treinador acione um substituto de origem, ainda sem tanta rodagem internacional, ou recorra a um jogador de outra posição adaptado ao setor. Qualquer das alternativas altera a dinâmica da saída de bola e da recomposição defensiva.
No meio, a ausência de nomes como Moisés e Gustavinho interfere na rotação do elenco. O Santos perde opções de banco para mudar o ritmo do jogo no segundo tempo, algo relevante em confrontos eliminatórios. Com menos peças, Cuca precisa ser mais cirúrgico nas escolhas e pode demorar mais para mexer, temendo ficar sem alternativas para uma eventual prorrogação de desgaste físico.
O treinador, porém, ganha um trunfo raro no futebol sul-americano atual: um Neymar em sequência de jogos, motivado e em busca de protagonismo em mata-mata continental. A presença do camisa 10 tende a puxar a marcação de dois ou três adversários, abrir espaço para companheiros e elevar o nível técnico da equipe em bola parada e lances de um contra um.
Torcida mira Neymar, mas olho está na zaga
Nas arquibancadas e nas redes sociais, o foco da torcida se divide. De um lado, a expectativa por ver Neymar comandar o ataque em mais um jogo grande na Vila Belmiro. De outro, a preocupação com uma defesa desfalcada em partida que vale vantagem importante para o confronto de volta.
O resultado desta quinta-feira tende a pesar no ambiente do clube nas próximas semanas. Uma vitória convincente, mesmo com a zaga remendada, pode elevar o moral do elenco e dar confiança para o Santos administrar o duelo no Equador. Um tropeço em casa, porém, acende o alerta e pressiona Cuca a rever a estratégia e a forma de proteger a área.
O desempenho de Neymar também entra na conta do planejamento a curto prazo. Com uma sequência intensa desde o retorno após o Mundial de Seleções, cada partida carrega a dupla responsabilidade de decidir em campo e preservar a condição física do camisa 10 para os compromissos seguintes, no calendário nacional e continental.
O Santos chega à véspera do jogo com um roteiro claro: depende da inspiração de Neymar e da capacidade de improviso de Cuca para compensar as ausências atrás. A Vila Belmiro vira palco de um teste imediato de equilíbrio entre espetáculo ofensivo e sobrevivência defensiva, com reflexos diretos no restante da campanha na Copa Sul-Americana.