Governo Lula reage ao tarifaço dos EUA e abre caminho para possível reciprocidade

Brasil notificará Washington e abriu consultas diplomáticas antes de decidir se adotará medidas contra as tarifas impostas pelo governo Trump
Redação NC News
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O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deu um novo passo nesta quinta-feira (13) diante do tarifaço imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. A Secretaria-Executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex) iniciou a análise de um pedido para enquadrar as medidas norte-americanas na Lei da Reciprocidade Econômica.

O processo ainda não significa que o Brasil decidiu retaliar os Estados Unidos. Nesta primeira etapa, o governo pretende abrir consultas diplomáticas com Washington para tentar reduzir ou até eliminar os efeitos das tarifas antes de avançar para eventuais contramedidas.

O que o governo Lula decidiu?

O pedido foi compartilhado nesta quinta-feira com os integrantes do Comitê Executivo de Gestão da Camex, seguindo o procedimento previsto na legislação brasileira. Ao mesmo tempo, o Ministério das Relações Exteriores deverá notificar formalmente o governo norte-americano sobre o início do processo.

A chamada Lei da Reciprocidade Econômica, sancionada em 2025, permite que o Brasil adote medidas proporcionais quando ações de outros países forem consideradas prejudiciais à competitividade ou à soberania econômica brasileira.

Na prática, isso abre espaço para que o governo avalie respostas comerciais caso as negociações com os Estados Unidos não produzam resultado.

Brasil ainda tenta negociar com os Estados Unidos

Apesar do início do procedimento, a estratégia do governo Lula, neste momento, é priorizar o diálogo.

As consultas diplomáticas terão justamente o objetivo de tentar diminuir ou eliminar os impactos das tarifas e evitar uma escalada ainda maior da disputa comercial entre Brasília e Washington.

A decisão mostra que o governo trabalha em duas frentes: mantém a tentativa de negociação com os norte-americanos e, ao mesmo tempo, prepara juridicamente uma possível resposta caso as tarifas permaneçam.

Que medidas o Brasil pode adotar?

Caso as negociações fracassem e o processo avance, a legislação permite a avaliação de diferentes tipos de contramedidas.

Entre as possibilidades estão restrições à importação de bens e serviços, aplicação de tarifas, suspensão de concessões comerciais e de investimentos e revisão de determinadas obrigações relacionadas à propriedade intelectual.

A resposta, porém, precisa seguir os critérios estabelecidos pela própria lei e ser proporcional aos prejuízos provocados pelas medidas norte-americanas.

Isso significa que a abertura do processo não representa uma decisão automática de impor novas tarifas aos produtos dos Estados Unidos.

Quanto o tarifaço afeta o Brasil?

As tarifas norte-americanas atingem uma parcela relevante das exportações brasileiras para os Estados Unidos. Segundo informações divulgadas nesta quinta-feira, as medidas podem alcançar cerca de US$ 7,4 bilhões em produtos brasileiros, dependendo da incidência das diferentes alíquotas.

O impacto varia conforme o setor e o produto exportado, o que levou o governo brasileiro a avaliar quais áreas são mais afetadas antes de definir uma eventual resposta.

Além das negociações diplomáticas, o governo também pretende proteger setores prejudicados e ampliar alternativas comerciais para empresas brasileiras.

O que acontece agora?

O próximo passo é a abertura das consultas diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos.

Enquanto essa etapa estiver em andamento, o governo brasileiro continuará avaliando os efeitos das tarifas e as possíveis alternativas de resposta.

Se não houver acordo, a análise da Lei da Reciprocidade poderá avançar para medidas concretas contra os Estados Unidos.

Entenda o contexto

A disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos se intensificou após a decisão do governo de Donald Trump de impor novas tarifas sobre produtos brasileiros. O governo Lula considera as medidas prejudiciais ao país e passou a estudar mecanismos de proteção e possíveis respostas.

A Lei da Reciprocidade Econômica foi criada justamente para permitir que o Brasil responda a barreiras comerciais consideradas injustificadas. O mecanismo, entretanto, prevê etapas antes da adoção efetiva de uma retaliação.

Agora, Brasília tenta evitar uma escalada da crise por meio da negociação, mas deixa aberta a possibilidade de uma resposta caso as tarifas permaneçam.

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