O Ministério da Fazenda anunciou nesta quinta-feira (14) a liberação de um megapacote de operações de crédito com aval da União para estados e municípios. Com o cronograma apertado pela legislação eleitoral, o governo federal informou ter ultrapassado a marca histórica de R$ 270 bilhões liberados, destravando obras vitais de mobilidade e infraestrutura em cinco estados.
A divulgação, conduzida por Dario Durigan, Ministro da Fazenda ,ocorre em meio a atritos recentes com gestores estaduais sobre a velocidade dos repasses — com destaque para o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
O “X” da questão paulista e o recado direto
São Paulo foi o maior beneficiado na atual rodada, garantindo R$ 5,4 bilhões junto ao Banco do Brasil para expansão e melhoria nas linhas de metrô (Laranja e Lilás), trens da CPTM e obras do Projeto Tamoios. A liberação, contudo, vinha sendo alvo de cobranças públicas e ameaças de judicialização por parte do Palácio dos Bandeirantes, que alegava lentidão de Brasília.

Durigan não deixou a crítica sem resposta. Classificou a postura do governo paulista como “precipitada”, ressaltando que o alto volume de processos em 2026 exige análise rigorosa do Tesouro Nacional e da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).
“É importante que a gente tenha uma compreensão de que aqui nós não vamos funcionar nunca sob pressão, mas sim no esclarecimento de um rito que funciona, sempre funcionou e vai seguir funcionando com espírito federativo” —afirmou.
O relógio eleitoral e o novo método de repasses
Além de São Paulo, Piauí (R$ 4,9 bi), Maranhão (R$ 1,3 bi), Pernambuco (R$ 985 milhões) e Rondônia (R$ 323 milhões) tiveram operações aprovadas para áreas que vão desde rodovias até saneamento básico.
O senso de urgência tem um motivo pragmático: a legislação eleitoral estabelece que os estados têm apenas até o dia 7 de setembro para assinarem os contratos com as instituições financeiras federais. Para evitar que os estados fiquem de fora, a Fazenda alterou a sua logística de análise.
“Nesse ano a gente tem uma peculiaridade que é o momento de eleições […] nós vamos analisando e à medida que a análise finaliza, para soltar num bloco de operações em conjunto” — explicou Durigan.

Apagando incêndios no BRB
Durante a coletiva, a equipe econômica também precisou se posicionar sobre o imbróglio financeiro do Banco de Brasília (BRB), instituição envolvida em impasses para a manutenção de serviços essenciais no Distrito Federal devido à impossibilidade momentânea de aval direto da União.
Durigan subiu o tom para defender a Fazenda das acusações de omissão, lembrando que foi o próprio governo federal que desenhou a solução jurídica pactuada em audiência de conciliação recente.
“Tudo que tem sido demandado tem sido feito por nós, pelo Governo Federal, em articulação com os bancos, com o governo do DF, portanto é uma grande injustiça e irresponsabilidade falar que o Governo Federal tá inerte nesse caso” — concluiu.
O Ministério da Fazenda prometeu a liberação de novos lotes de crédito para outros estados nas próximas semanas, antes do limite de setembro, passando em seguida a priorizar os municípios brasileiros, que não sofrem a mesma restrição temporal das eleições deste ano.