Pesquisa Quaest: Lula lidera com 38% e reage a tarifas dos EUA

Lula lidera a corrida presidencial e responde às tarifas dos EUA com a Lei da Reciprocidade, destacando o petróleo da Foz do Amazonas.
Redação NC News
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Luiz Inácio Lula da Silva usa o embate com os Estados Unidos e a descoberta de petróleo na Foz do Amazonas como eixo da reta final pré-campanha. Às vésperas do início oficial da disputa, o presidente defende retaliar tarifas americanas e lidera a pesquisa Quaest com 38% das intenções de voto.

Em entrevista no Palácio da Alvorada nesta sexta-feira, Lula afirma que vai “vencer os Estados Unidos pela narrativa” ao acionar a Lei da Reciprocidade, aprovada no Congresso para permitir medidas equivalentes às sobretaxas impostas por outros países.

Confronto tarifário e recado direto a Trump

Lula confirma que o governo já inicia o processo para aplicar a lei contra Washington, em resposta a tarifas de até 37,5% sobre produtos brasileiros. O alvo principal são exportadores de agroindústria, manufaturados e commodities que enfrentam perda de competitividade no mercado americano.

“O que eu tenho? A verdade. A minha consciência e a verdade do meu povo. Eu já disse, com mentiras ninguém ganha do Brasil. E eu vou vencer os Estados Unidos pela narrativa. Eles taxaram o Brasil com base em mentiras”, declara o presidente, em conversa com podcasters no Alvorada.

Lula rejeita as acusações usadas como justificativa pelos americanos, que envolvem suspeitas de conivência com trabalho escravo e desmatamento. “Não quero guerra, eu quero discutir com seriedade”, afirma, ao defender que o Brasil exige tratamento equivalente nas relações comerciais e diplomáticas.

O petista mira também a dimensão política do conflito. Diz manter relação “respeitosa” com Donald Trump, mas pressiona o americano a se afastar da disputa brasileira. “Vou dizer: não se meta nos negócios do Brasil e, sobretudo, na questão da eleição”, afirma. Em seguida, reforça a linha vermelha: “quem vier dar palpite na eleição aqui vai perder”.

A ofensiva aumenta o risco de tensão diplomática com a Casa Branca, mas, no cálculo do Planalto, fortalece a imagem de defesa da soberania nacional em pleno ciclo eleitoral. Integrantes do governo admitem, em reservado, preocupação com um eventual ciclo de retaliações comerciais, que pode atingir cadeias produtivas dependentes do mercado americano.

Pesquisa Quaest dá vantagem a Lula na largada

O movimento ocorre no mesmo dia em que a pesquisa Quaest mostra o presidente na frente na corrida ao Planalto. O levantamento, feito entre segunda e quarta-feira com 2.004 entrevistas presenciais, indica Lula com 38% das intenções de voto no primeiro turno, contra 31% do senador Flávio Bolsonaro.

Renan Santos e Ronaldo Caiado aparecem com 4% cada. Romeu Zema e Augusto Cury somam 2% cada. Indecisos são 10%; brancos, nulos e quem não soube responder chegam a 8%. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

Nos cenários de segundo turno simulados pela pesquisa, Lula está numericamente à frente de todos os principais adversários, incluindo Flávio Bolsonaro, Caiado, Zema e Renan Santos. O desempenho reforça a leitura, dentro da campanha, de que o presidente entra na fase oficial da disputa em posição de favorito, mas com margem apertada contra o bolsonarismo.

A equipe petista aposta numa combinação de discurso econômico, agenda de soberania e presença intensa em mídias digitais para ampliar essa vantagem. A campanha oficial começa neste domingo, com comício em São Bernardo do Campo, berço político de Lula e palco histórico de greves metalúrgicas que projetaram o então sindicalista nacionalmente.

Petróleo na Foz do Amazonas vira vitrine de campanha

No tabuleiro doméstico, o governo celebra um trunfo estratégico: a descoberta de hidrocarbonetos na bacia da Foz do Amazonas, parte da chamada Margem Equatorial, faixa marítima que vai do Amapá ao Rio Grande do Norte. A Petrobras anuncia a descoberta após longa negociação com o Ministério do Meio Ambiente e o Ibama.

O Planalto vê na nova frente de exploração um símbolo de potência energética e uma promessa de receitas futuras. Lula já indica que o tema será um dos motes centrais de sua campanha, associado ao slogan “O Brasil pronto pra mais”, que deve dominar comícios, redes sociais e a propaganda no rádio e TV.

A presidenta da Petrobras, Magda Chambriard, enfatiza o papel da estatal e o esforço técnico envolvido. “Essa primeira descoberta na costa do Amapá é resultado da dedicação e da competência da Petrobras”, afirma. A fala se soma a uma estratégia de recolocar a empresa como ícone de capacidade tecnológica e instrumento de desenvolvimento nacional.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, aliado de Lula e representante do Amapá, também capitaliza o anúncio. “Estávamos certos. Foram anos de luta para chegar até aqui”, diz, num recado a ambientalistas e órgãos de controle que resistem à expansão da exploração na Margem Equatorial.

Entre soberania, ambiente e redes sociais

A aposta no petróleo na Foz do Amazonas abre um novo flanco de disputa com setores ambientalistas e com a ex-ministra Marina Silva, agora candidata ao Senado. Críticos temem impactos sobre a Amazônia e sobre comunidades costeiras e defendem prudência na concessão de novas licenças na região.

O governo tenta enquadrar o debate como uma conciliação entre transição energética e uso estratégico de reservas fósseis. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, atua para blindar a Petrobras e garantir o avanço dos estudos, enquanto o Meio Ambiente e os órgãos de fiscalização pressionam por contrapartidas robustas.

A comunicação da campanha presidencial se move nesse equilíbrio delicado. Lula prioriza entrevistas a podcasts e canais digitais, reduzindo a participação em sabatinas tradicionais. A leitura da coordenação é que conversas longas em plataformas online falam melhor com o eleitor jovem e permitem controlar a pauta de maneira mais eficiente.

As gravações para o horário eleitoral, que estreia no rádio e na TV em 28 de agosto, já começam. A ideia é conectar a defesa da Lei da Reciprocidade, a descoberta de petróleo e programas sociais em uma narrativa de país soberano, capaz de enfrentar potências estrangeiras e, ao mesmo tempo, ampliar emprego e renda.

Enquanto isso, adversários como Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Renan Santos e Augusto Cury calibram seus discursos para furar a combinação de nacionalismo econômico e vitrine energética do Planalto. A campanha que se abre neste domingo tende a girar em torno de três eixos: tarifas dos EUA, exploração da Margem Equatorial e o papel do Brasil no mundo, tema que promete reverberar além das fronteiras nacionais.

O que é a Lei da Reciprocidade defendida por Lula?

A Lei da Reciprocidade, aprovada pelo Congresso e já acionada pelo governo Lula, autoriza o Brasil a aplicar às exportações de outros países as mesmas tarifas e restrições que sofre deles, como resposta direta às sobretaxas de até 37,5% impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, especialmente do agronegócio e da indústria.

O que mostrou a pesquisa Quaest sobre a eleição de 2026?

A pesquisa Quaest divulgada hoje aponta Lula com 38% das intenções de voto no primeiro turno da eleição presidencial de 2026, seguido pelo senador Flávio Bolsonaro com 31%, em levantamento presencial com 2.004 entrevistas feito entre segunda e quarta-feira, margem de erro de dois pontos percentuais e Lula à frente em todos os cenários de segundo turno.

Qual é a importância da descoberta de petróleo na Foz do Amazonas?

A descoberta de hidrocarbonetos pela Petrobras na bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial entre o Amapá e o Rio Grande do Norte, reforça a perspectiva de o Brasil ampliar reservas, garantir segurança energética futura e gerar novas receitas, tornando-se peça central da campanha de Lula, mas reacendendo conflitos com ambientalistas e órgãos de controle.


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