Reviravolta: Romário deixa PL, apoia Paes e segue senador até 2031

Romário rompe com partido bolsonarista e declara apoio a Eduardo Paes nas eleições do Rio de Janeiro.
Redação NC News
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Romário rompe com o PL, declara apoio a Eduardo Paes ao governo do Rio de Janeiro e decide seguir sem partido, concentrado no mandato de senador até 2031.

Ruptura com o PL e aposta em Eduardo Paes

O senador e ex-jogador de futebol formaliza neste sábado a saída do Partido Liberal, legenda associada a Jair e Flávio Bolsonaro, às vésperas da largada oficial da campanha fluminense. Em nota, sua assessoria informa que não há negociação em curso para nova filiação.

Ao mesmo tempo, Romário anuncia apoio público a Eduardo Paes, candidato do PSD ao governo do Rio. Ele justifica a escolha por uma leitura pragmática da crise do estado e do perfil do ex-prefeito do Rio.

“Tenho minhas posições, o Eduardo tem as dele e não precisamos concordar em tudo. O que pesa para mim é o Rio. Acredito que ele reúne hoje as melhores condições para governar o estado, construir soluções e enfrentar problemas que se arrastam há muitos anos e que até hoje nenhum governador conseguiu resolver. Minha escolha está feita e vou apoiá-lo publicamente”, afirma.

Eduardo Paes disse que as portas do PSD estão abertas para Romário

A decisão desloca o senador de um campo politicamente identificado com o bolsonarismo para a órbita de um candidato de centro apoiado por Lula. Romário, porém, evita se alinhar à disputa presidencial e não declara voto para o Planalto, apesar do vínculo entre o petista e Paes.

Ciclo encerrado “sem briga” e mandato como prioridade

Romário apresenta a saída do PL como o fim de um ciclo, sem rompimento pessoal com a cúpula da sigla. Ele insiste que não há ressentimento e que a decisão amadurece há meses.

“Tenho respeito pelo PL e pelas pessoas com quem caminhei nos últimos anos. Foi uma decisão pensada, tomada com tranquilidade e sem qualquer questão pessoal. Entendi que este é o momento de encerrar esse ciclo e seguir um novo caminho político. Saio sem briga, sem ressentimento e com respeito por todos”, diz.

Ao optar por um período sem filiação, o senador tenta reforçar a imagem de independência. Ele afirma que a bússola seguirá sendo o mandato no Senado e o compromisso com o eleitorado fluminense.

“Partido é uma escolha política. Meu compromisso com o Rio de Janeiro e com as pessoas que me elegeram está acima de qualquer escolha partidária. É isso que vai continuar orientando minhas decisões e o meu trabalho no Senado”, afirma.

O mandato de Romário termina apenas em 2031. Ele não entra na disputa eleitoral deste ano, mas passa a atuar como cabo eleitoral de Paes, sobretudo junto a torcedores e admiradores que o seguem desde os tempos de destaque no futebol. A trajetória de ídolo ainda rende capital político expressivo, especialmente no Rio.

Efeito na disputa fluminense e nas articulações em Brasília

O movimento mexe no tabuleiro estadual. O PL perde um dos nomes de maior apelo popular em sua bancada, enquanto Paes ganha um aliado com penetração em camadas de eleitores desencantados com a política tradicional. Em levantamentos recentes, o candidato do PSD já aparece na frente na corrida pelo governo fluminense, e o reforço do senador tende a ampliar sua exposição e capilaridade.

Nos bastidores, dirigentes do PL admitem que precisarão reorganizar o discurso no estado e buscar novos rostos para compensar a saída. O partido contava com Romário como vitrine para segmentos que não se identificam diretamente com o bolsonarismo, mas simpatizam com figuras conhecidas do esporte. Com a desfiliação, a legenda corre o risco de perder parte desse público.

No Senado, a escolha de ficar sem sigla abre espaço para uma atuação mais solta nas votações. O ex-jogador deixa de seguir a disciplina formal de uma bancada e pode negociar apoio caso a caso, sobretudo em temas que envolvem repasses, segurança pública e recuperação fiscal do Rio de Janeiro. Essa margem de manobra interessa tanto ao governo federal quanto a governadores e prefeitos fluminenses.

Pressão financeira, CazéTV e imagem pública

A reconfiguração política de Romário ocorre em meio a dificuldades financeiras relevantes. A 4ª Vara Cível da Barra da Tijuca determina o bloqueio dos valores que ele receberia da CazéTV, onde atua como comentarista, para pagar uma dívida de R$ 32,4 milhões em ação movida pela Koncretize Projetos e Obras Ltda. contra o senador e sua empresa. O processo corre em segredo de Justiça.

Durante o Mundial de Seleções, Romário se afasta das atividades presenciais no Senado para trabalhar no canal digital, o que provoca críticas pelo acúmulo de funções remuneradas. Após a repercussão negativa, ele anuncia que abrirá mão dos salários de senador no período da cobertura esportiva, numa tentativa de conter o desgaste e preservar a imagem de parlamentar focado no mandato.

Romário acompanhou a seleção brasileira na Copa do Mundo pela Cazé TV sem tirar férias do Senado

A combinação de exposição esportiva, pressão judicial e redesenho partidário cria um momento de alta visibilidade, mas também de risco. Adversários usam a dívida milionária como munição política, enquanto aliados de Paes comemoram o reforço de um nome popular no palanque. Para o senador, o desafio é transformar a narrativa de independência em votos para o aliado sem alimentar dúvidas sobre seus próprios interesses.

O que vem pela frente para Romário e o Rio

O apoio a Eduardo Paes deve se traduzir em presença constante do senador na campanha, em agendas no interior do estado e na região metropolitana. Romário tende a explorar sua identificação com o torcedor comum e com a população das periferias, onde sua história de jogador e a imagem de “antipolítico” ainda encontram ressonância.

No plano institucional, a postura independente no Senado pode fazer do ex-atacante um voto disputado em projetos estratégicos para o Rio, como renegociação de dívidas, investimentos em segurança e na recuperação de infraestrutura. Seu comportamento em pautas nacionais, sobretudo na relação com o governo federal apoiador de Paes, será acompanhado de perto.

A médio prazo, a escolha de ficar sem partido abre duas possibilidades: consolidar uma carreira mais institucional, ancorada na defesa do estado, ou preparar terreno para uma futura migração a uma sigla alinhada ao campo de Paes. A forma como se desenrolarem o processo da dívida de R$ 32,4 milhões e o desempenho do candidato do PSD nas urnas deve pesar nessa decisão.

Enquanto isso, Romário joga em mais de um gramado: tenta manter a popularidade construída nos campos de futebol, administrar um passivo milionário na Justiça e reposicionar seu lugar num sistema político que se reorganiza em torno de novas alianças no Rio e em Brasília.

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