Quaest: Lula perde força entre independentes, e Flávio Bolsonaro avança no grupo decisivo

Intenção de voto em eventual segundo turno mostra Flávio com 35% entre eleitores independentes, contra 29% de Lula; no cenário geral, petista tem 43% e senador, 40%
Redação NC News
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Os eleitores independentes, considerados um dos grupos mais importantes para o resultado da eleição presidencial de 2026, passaram a demonstrar maior distância de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e avanço de Flávio Bolsonaro (PL), segundo a nova pesquisa Quaest divulgada nesta sexta-feira (15).

O levantamento mostra que, em um eventual segundo turno entre os dois candidatos, Flávio Bolsonaro passou de 30% para 35% entre os eleitores independentes, enquanto Lula recuou de 33% para 29% em menos de dez dias.

Embora as oscilações estejam dentro da margem de erro específica desse segmento, de quatro pontos percentuais, o movimento registrado pela pesquisa favoreceu o candidato do PL.

Os independentes representam cerca de um terço do eleitorado brasileiro e são considerados um grupo relevante para a definição da disputa presidencial justamente por não estarem vinculados de maneira rígida a um dos polos políticos.

Quem são os eleitores independentes

A pesquisa mostra que esse grupo apresenta características diferentes dos eleitores que se identificam diretamente com a esquerda ou com a direita.

Entre os independentes, 36% dizem estar mais próximos do centro, enquanto 51% se classificam como conservadores e apenas 9% afirmam ser de esquerda.

Também é nesse grupo que aparece uma das maiores parcelas de eleitores pouco interessados ou desinteressados pela eleição: 33% afirmam não ter nenhum interesse no pleito e 47% dizem ter pouco interesse.

O segmento também concentra os maiores índices de votos brancos, nulos ou de eleitores que afirmam não pretender votar, com 27%, além de 9% de indecisos.

Gráfico visual das intenções de votos entre independentes

Avaliação do governo Lula piora entre independentes

A pesquisa também identificou uma mudança na avaliação do governo Lula entre os eleitores independentes.

Pela primeira vez desde maio de 2026, a avaliação negativa da gestão (36%) superou a avaliação regular (34%). Outros 26% consideram o governo positivo.

A desaprovação ao governo também aumentou nesse grupo. Em junho, 45% dos independentes diziam desaprovar a administração federal. Agora, o índice chegou a 48%.

Outro dado desfavorável ao presidente aparece na percepção sobre o rumo do país: 58% dos independentes acreditam que o Brasil está seguindo na direção errada, enquanto 28% consideram que o país está no caminho correto.

Gráfico visual da queda de Lula entre independentes

Violência é a principal preocupação

A violência aparece como a principal preocupação dos eleitores independentes, repetindo o cenário observado entre os demais grupos políticos.

O tema também está entre as áreas em que o governo Lula recebe avaliações mais negativas.

Já educação e problemas sociais aparecem com menor peso entre as principais preocupações desse segmento, com 9% e 10%, respectivamente.

Rejeição de Lula e Flávio está próxima

Apesar da vantagem de Flávio na intenção de voto entre os independentes, a rejeição aos dois candidatos permanece praticamente empatada.

Lula é rejeitado por 60% dos independentes, enquanto Flávio Bolsonaro registra 59%.

O levantamento também mostra que 37% desse grupo afirmam ter mais medo de uma eventual volta da família Bolsonaro ao poder do que de uma reeleição de Lula, opção apontada por 35%.

Disputa presidencial fica mais apertada

No cenário geral da pesquisa, Lula aparece numericamente à frente de Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno, mas dentro da margem de erro.

O petista registra 43% das intenções de voto, contra 40% de Flávio Bolsonaro. Outros 13% afirmam que votariam em branco, anulariam o voto ou não compareceriam às urnas, enquanto 4% permanecem indecisos.

A diferença, agora de três pontos percentuais, diminuiu em relação aos levantamentos anteriores.

No início de agosto, Lula tinha vantagem de cinco pontos sobre Flávio. Em julho, a diferença era de oito pontos.

Disputa presidencial se torna cada vez mais acirrada

Pesquisa Quaest: números e metodologia

A pesquisa ouviu 2.004 eleitores entre segunda e quinta-feira. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

O levantamento foi registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-06773/2026.

Entenda o contexto

Os dados da Quaest apontam para uma disputa mais apertada entre Lula e Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno e mostram mudanças relevantes dentro do eleitorado independente.

Esse grupo ganhou importância justamente por reunir eleitores menos identificados com os polos tradicionais da política e, portanto, potencialmente mais suscetíveis a mudar de posição ao longo da campanha.

No recorte analisado pela pesquisa, Flávio avançou seis pontos entre os independentes, enquanto Lula recuou quatro. Ao mesmo tempo, a avaliação negativa do governo petista ultrapassou a regular pela primeira vez desde maio nesse segmento.

Os números, porém, representam um retrato do momento da pesquisa. Oscilações entre os independentes estão dentro da margem de erro específica do grupo e não significam, isoladamente, definição do resultado eleitoral.

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