O empresário do mercado financeiro Ivo Kos é preso em flagrante em São Paulo, após agredir a esposa, a cirurgiã-dentista Giullia Vel Kos, de 27 anos, e ameaçá-la com uma arma de choque. O caso, registrado na 4ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) da Freguesia do Ó, inclui lesão corporal, violência doméstica e ameaça.
A noite que termina em delegacia
O episódio começa na noite de sexta-feira, por volta das 22h30, depois de um jantar no restaurante La Tambouille, no Itaim, com clientes do empresário. Na volta para casa, dentro do carro, a discussão entre o casal escala rapidamente até a violência física, segundo o relato de Giullia à polícia e em entrevista.
Ela afirma que o marido inicia as agressões ainda no trajeto, enquanto dirige. A tentativa de pedir socorro pela polícia, com o celular nas mãos, é frustrada, relata. “Ele começou a me agredir ali, dentro do carro. Eu tentei ligar para a polícia no caminho e sair do carro, mas ele não deixava”, conta.
O carro segue até a residência do casal, na Rua Desembargador Mamede, no Jardim Paulistano, área de mansões de alto padrão na zona oeste da capital. Ao chegar, Giullia desce descalça e corre pela rua, pedindo ajuda aos seguranças da região, numa tentativa de interromper o que descreve como mais um ciclo de agressões.
Agressão na calçada e ameaça com Taser
Na calçada, do outro lado da rua, o conflito atinge o ápice. “Na calçada, do outro lado da rua, ele me deu um soco no rosto. Não sei se foi no olho ou no nariz, mas deixou meu rosto deformado”, relata a cirurgiã-dentista. Ela diz que, além dos golpes, o marido a intimida com uma arma de choque Taser para forçá-la a entrar novamente em casa.
Dentro do imóvel, segundo o boletim de ocorrência, as agressões continuam. Giullia afirma que ele acerta sua mão direita com um taco de beisebol e a ameaça de morte quando ela tenta sair. Sem o celular, tomado por Ivo, ela leva para o banheiro um telefone sem fio da linha fixa para tentar acionar a polícia. A ligação não se completa.
Enquanto permanece trancada, ouve o marido telefonar aos pais dela. Ele pede que vão buscá-la, numa tentativa de reverter a cena de violência já exposta à vizinhança. Em um momento de descuido do agressor, Giullia corre novamente para a rua. Vizinhos já estão do lado de fora e chamam a polícia.
Flagrante, versões conflitantes e histórico de violência
Policiais militares chegam ao endereço e levam os dois, em viaturas separadas, para a 4ª DDM, onde o caso é formalizado. O laudo preliminar registra “lesões em diversas regiões do rosto” de Giullia. Em Ivo, os agentes apontam “lesão na região frontal direita da testa e na orelha direita”.
Na delegacia, marido e mulher se acusam mutuamente. Giullia reafirma que sofre socos no rosto e pelo corpo dentro do carro, além do golpe com o taco de beisebol em casa. Insiste que a ameaça de morte e o uso da Taser fazem parte do ataque.
Ivo, acompanhado de advogado, nega ter iniciado as agressões. Diz que a esposa bebeu e “estava alterada”. Afirma que o conflito começa quando comenta que, no jantar, ela o teria menosprezado diante de clientes. Segundo seu depoimento, ela reage dizendo que o traiu em uma viagem a Miami e passa a agredi-lo com socos e chutes. Ele admite ter desferido um soco no rosto da mulher na calçada, mas tenta enquadrar o golpe como reação. Nega ter usado Taser ou o taco de beisebol.
Hospital, fraturas e dependência financeira
Os dois fazem exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal. Ivo é autuado em flagrante. Giullia pede medidas protetivas e relata ter passado a madrugada no Hospital Sírio-Libanês.
“Passei a madrugada no Sírio-Libanês. Estou com uma fratura na mão e com o maxilar deslocado, além de ter lesões por todo o rosto”, afirma. Ela descreve um “histórico de agressões” ao longo de todo o relacionamento. “Foram dezenas de vezes, eu nem consigo contar. Só que, até agora, ele costumava fazer de uma maneira que não deixava marcas. Eram tapas no rosto, socos na barriga, puxões de cabelo. Ele não aceita ser contrariado.”
A cirurgiã-dentista, que agora se refugia na casa dos pais, diz que a primeira agressão acontece duas semanas antes do casamento: um tapa no rosto, que a leva à delegacia. Naquele momento, desiste de registrar a queixa. “Ele já tinha um filho, eu fiquei com medo de prejudicar a criança caso ele fosse preso. Cheguei a considerar desistir do casamento, mas acabamos casando”, relata. O casal está junto há dois anos e sete meses, sem filhos, em regime de separação total de bens.
Ela afirma ainda que, em outubro passado, chegou a abrir uma queixa criminal e se mudar para um apartamento próprio. O aluguel, contudo, era pago por Ivo. “Ele usava o dinheiro para me torturar. Infelizmente, eu dependo financeiramente dele”, diz. Giullia conta que monta uma clínica odontológica, mas o negócio ainda exige investimentos para começar a funcionar.
Quem é Ivo Kos e o peso do caso na Faria Lima
Ivo Kos tem cerca de 20 anos de atuação no mercado financeiro e funda a Virgo, holding que hoje se apresenta como Felk Participações. O grupo se torna conhecido pelo chamado Caso Virgo, escândalo envolvendo o uso de recursos de fundos de reserva que expõe fragilidades na atuação de securitizadoras.
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) já emite parecer técnico responsabilizando o executivo por danos causados no episódio. Depois da crise, ele anuncia uma pausa na carreira em setembro de 2025, mas permanece como sócio da holding. O nome de Eduardo Levy Virgo segue associado à estrutura societária criada por ele no auge da expansão da empresa.
A prisão em flagrante por violência doméstica agora respinga diretamente no círculo da Faria Lima, endereço simbólico do mercado financeiro paulistano. Nos bastidores, gestores e advogados veem o caso como mais um golpe à imagem de um empresário já sob questionamento regulatório. Publicamente, porém, o silêncio domina.
Procurado, o advogado de Ivo Kos, Davi Gebara, informa, em nota sucinta, que “em respeito a ambas as famílias, a defesa não vai se manifestar no momento”. Nas redes sociais, Giullia expõe o rosto machucado e o relato do que vive, ampliando a repercussão do caso para além do meio financeiro e pressionando por respostas rápidas do sistema de Justiça.
Na esfera criminal, o inquérito corre na Delegacia de Defesa da Mulher, que deve ouvir novas testemunhas, analisar laudos médicos e decidir se pede a conversão do flagrante em prisão preventiva ou a aplicação de medidas cautelares. A expectativa é que o caso avance nos próximos dias, com potencial para se tornar um novo teste da efetividade da rede de proteção a vítimas de violência doméstica no país.
Quem é Ivo Kos e qual sua relação com a Virgo?
Ivo Kos é um empresário do mercado financeiro com cerca de 20 anos de atuação, fundador da Virgo Holding, hoje rebatizada como Felk Participações, da qual segue sócio mesmo após anunciar uma pausa na carreira em setembro de 2025, e figura central no chamado Caso Virgo investigado pela CVM.
O que aconteceu na agressão envolvendo Ivo Kos e sua esposa?
O caso envolve agressões iniciadas por volta das 22h30 de sexta-feira, dentro do carro do casal, após um jantar no restaurante La Tambouille, e continuadas na rua e na casa da família, com socos no rosto, golpe com taco de beisebol, ameaças de morte e uso de arma de choque relatados por Giullia Vel Kos.
Quais são as acusações contra Ivo Kos na prisão por violência doméstica?
A prisão em flagrante de Ivo Kos é registrada na 4ª Delegacia de Defesa da Mulher da Freguesia do Ó pelos crimes de lesão corporal, violência doméstica e ameaça, após exame de corpo de delito apontar múltiplas lesões no rosto da esposa e ferimentos em sua mão, além de relatos de ameaça com Taser e taco de beisebol.
Quem é Giullia Vel Kos, esposa de Ivo Kos?
Giullia Vel Kos é uma cirurgiã-dentista de 27 anos, casada há dois anos e sete meses com o empresário Ivo Kos em regime de separação total de bens, que relata um histórico de agressões físicas e psicológicas desde antes do casamento e atualmente depende financeiramente do marido enquanto tenta montar sua própria clínica.
Qual a repercussão da prisão de Ivo Kos no meio empresarial da Faria Lima?
A prisão de Ivo Kos em flagrante por violência doméstica repercute na Faria Lima como mais um abalo à imagem de um executivo já ligado ao Caso Virgo, gera constrangimento em gestores e advogados do mercado financeiro, amplia questionamentos sobre governança e conduta ética, mas, até agora, segue cercada de silêncio público entre pares.
Quais medidas legais foram tomadas após a prisão de Ivo Kos por agressão?
Após a agressão, a polícia leva Ivo Kos e Giullia à 4ª DDM, registra o caso por lesão corporal, violência doméstica e ameaça, submete ambos a exame de corpo de delito, efetua a prisão em flagrante do empresário, atende ao pedido de medidas protetivas feito por Giullia e mantém o inquérito em andamento para definir eventuais denúncias e prisão preventiva.