O candidato à Presidência da República Romeu Zema (Novo) iniciou oficialmente a campanha eleitoral neste domingo (16), em Montes Claros, no Norte de Minas Gerais. Durante a agenda, o ex-governador apresentou as principais bandeiras da candidatura e colocou o combate à corrupção, o controle dos gastos públicos e a segurança entre as prioridades.
Zema começou o dia com uma missa na Igreja Matriz, na Paróquia Nossa Senhora da Conceição e São José, no Centro da cidade. Depois, passou pelo Mercado e participou de um almoço com candidatos do Novo aos cargos de deputado estadual e federal.
Na sequência, o candidato deveria viajar para São Paulo para cumprir novos compromissos de campanha.
Zema promete três “choques” no Brasil
Ao apresentar as prioridades da candidatura, Zema afirmou que pretende promover o que chamou de “três choques” no país.
“Um choque ético e moral, para acabar com a corrupção. Um choque contra a gastança do Lula e do PT, para os juros cair e o dinheiro do brasileiro voltar a valer. E também um choque contra as facções e organizações criminosas.”
Na área de segurança, o candidato defendeu o enquadramento de facções e organizações criminosas como terroristas. Durante a entrevista, afirmou que cerca de 60 milhões de brasileiros vivem em áreas controladas por esses grupos. O número foi apresentado pelo próprio candidato.
Por que Zema escolheu Montes Claros?
A escolha de Montes Claros para o primeiro ato da campanha foi relacionada por Zema a investimentos e obras realizados no Norte de Minas durante seus dois mandatos como governador.
O candidato citou a Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), a adutora do Rio São Francisco, melhorias em rodovias, o Vale do Lítio e a instalação de indústrias como exemplos do desenvolvimento que pretende levar para outras regiões do país.
“O Norte de Minas hoje, Montes Claros, é um exemplo do Brasil que dá certo.”
A campanha também relacionou a escolha da cidade à admiração de Zema pelo ex-prefeito e ex-deputado Humberto Souto, que morreu em fevereiro de 2025.
Segurança é uma das principais bandeiras
Zema afirmou que pretende “aumentar o custo do crime” caso seja eleito.
Entre as propostas apresentadas estão a redução da maioridade penal, a construção de novos presídios e a criação de uma unidade prisional no Norte do país.
O candidato também defendeu a construção de um presídio de segurança máxima destinado a líderes de organizações criminosas.
“Vou construir um super presídio no Norte do Brasil, para onde nós vamos levar todos os líderes de organizações e facções criminosas.”
Para combater a violência contra as mulheres, Zema propôs ampliar delegacias especializadas, tornar obrigatório o uso de tornozeleiras eletrônicas por agressores e criar mecanismos para alertar vítimas quando houver aproximação dos suspeitos.
O candidato também defendeu ações de orientação para que crianças possam identificar situações de violência doméstica e comunicá-las às autoridades.
Candidato quer ampliar presença nacional
Questionado sobre o fato de ainda ser menos conhecido fora de Minas Gerais, Zema afirmou que pretende utilizar a campanha para aumentar sua exposição em outras regiões do país.
O candidato citou o desempenho de sua gestão em Minas Gerais e afirmou que tem ampliado sua presença nas redes sociais.
Durante a entrevista, também voltou a criticar o governo federal, principalmente em relação ao número de ministérios e ao uso de sigilos.
Política externa
Na política externa, Zema afirmou que pretende adotar uma postura pragmática nas relações com Estados Unidos e China.
O candidato citou a estratégia adotada durante seu governo em Minas Gerais, quando, segundo ele, viagens internacionais foram utilizadas para buscar investimentos.
Zema afirmou que o estado recebeu mais de R$ 330 bilhões em investimentos privados e criou mais de 1 milhão de empregos durante sua gestão. Os números foram apresentados pelo próprio candidato.
O ex-governador também criticou a condução das relações do governo federal com os Estados Unidos e a aproximação brasileira com países como Cuba, Irã e Venezuela.
Sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil, Zema afirmou que o governo brasileiro provocou uma reação norte-americana e defendeu uma postura mais pragmática nas relações internacionais.
Zema aposta em união da direita no segundo turno
Questionado sobre a existência de várias candidaturas de direita na eleição presidencial, Zema afirmou acreditar que o campo político poderá se unir em um eventual segundo turno.
O candidato disse estar confiante de que estará na segunda etapa da eleição e declarou que apoiará qualquer candidato que enfrentar o PT.
“Estarei no segundo turno e tal como aconteceu no Chile, toda a direita vai estar unida.”
Zema citou o processo eleitoral chileno como exemplo de uma eventual união entre diferentes candidaturas de direita após o primeiro turno.
Campanha eleitoral começa oficialmente
A campanha eleitoral começou oficialmente neste domingo (16). Com isso, os candidatos estão autorizados a pedir votos explicitamente e realizar comícios, carreatas, passeatas e outros atos eleitorais dentro das regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral.
A propaganda eleitoral na internet também está liberada.
Já a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão começa em 28 de agosto.
Entenda o contexto
O primeiro ato oficial marca a entrada de Zema na fase aberta da disputa pelo Palácio do Planalto. Ao escolher Montes Claros, o candidato procurou transformar a própria trajetória em Minas Gerais em cartão de visitas para uma candidatura de alcance nacional.
As principais bandeiras apresentadas no início da campanha foram combate à corrupção, redução dos gastos públicos, segurança e atração de investimentos.
Zema também sinalizou que pretende disputar o eleitorado de direita e, ao mesmo tempo, trabalhar para construir uma eventual união desse campo político no segundo turno.