STF começa a julgar acusados de mandar matar Marielle Franco

A análise ficará a cargo da Primeira Turma da Corte. Os investigados estão presos e negam participação no atentado.
Redação NC News
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O Supremo Tribunal Federal inicia nesta terça-feira (23) o julgamento dos acusados de planejar o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, crime ocorrido em 14 de março de 2018, no Rio de Janeiro.

A análise ficará a cargo da Primeira Turma da Corte. Os investigados estão presos e negam participação no atentado.

Réus respondem por suposto planejamento do crime

Entre os denunciados estão o ex-conselheiro do TCE-RJ Domingos Brazão e o ex-deputado federal Chiquinho Brazão, apontados pela acusação como mandantes do homicídio.

Também são réus o ex-chefe da Polícia Civil do Rio Rivaldo Barbosa, o major da PM Ronald Alves de Paula e o ex-policial militar Robson Calixto. Segundo a investigação, eles teriam atuado para monitorar a vereadora, dificultar as apurações e viabilizar a execução.

Todos afirmam ser inocentes.

Por que o processo está no Supremo

Em regra, crimes dolosos contra a vida são julgados pelo Tribunal do Júri. Porém, quando há investigados com foro por prerrogativa de função, a competência passa a ser de tribunais superiores.

O caso chegou ao STF devido ao suposto envolvimento de Chiquinho Brazão, que exercia mandato de deputado federal à época dos fatos.

Entenda o rito do julgamento

O relator é o ministro Alexandre de Moraes, integrante da Primeira Turma. A sessão será aberta pelo presidente do colegiado, Flávio Dino.

Primeiro, Moraes apresentará o relatório do processo, resumindo as investigações e os argumentos das partes. Em seguida, começam as sustentações orais.

O vice-procurador-geral da República fará a exposição pela acusação. Depois, o assistente de acusação indicado pela ex-assessora Fernanda Chaves e pelas famílias das vítimas também se manifestará. Na sequência, será a vez das defesas dos réus.

Como será a votação

Encerrada a fase de manifestações, os ministros passam aos votos. O relator vota primeiro, seguido por Cristiano Zanin e Cármen Lúcia. O último voto será do presidente da Turma, Flávio Dino.

A decisão será tomada por maioria. Em caso de condenação, o colegiado também definirá as penas.

Executores já foram condenados

O julgamento no STF ocorre após a condenação dos executores do crime. Em outubro de 2024, o Tribunal do Júri do Rio sentenciou o ex-PM Ronnie Lessa, responsável pelos disparos, e Élcio Queiroz, que dirigia o veículo usado no atentado.

Eles receberam penas de 78 e 59 anos de prisão após confessarem participação e firmarem acordo de delação premiada.

O que pede a PGR

A Procuradoria-Geral da República solicita a condenação dos acusados por homicídio qualificado, tentativa de homicídio e organização criminosa. O órgão também pediu a perda de cargos públicos e indenização por danos morais e materiais.

As defesas contestam a versão da acusação e negam qualquer ligação com o crime.

Julgamento marca nova fase do caso

O início do julgamento no STF representa mais um passo em um dos casos criminais de maior repercussão política do país.

A expectativa é que a análise da Primeira Turma avance ao longo desta semana, podendo resultar na condenação ou absolvição dos acusados de mandar matar a vereadora.

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