Iga Swiatek vence WTA Canadá e sobe no ranking antes do US Open

Iga Świątek retoma a forma e chega ao US Open com grande moral após vitória no WTA Canadá.
Redação NC News
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Iga Świątek volta a erguer um grande troféu e muda o roteiro da própria temporada. A polonesa conquista o WTA 1000 do Canadá, encerra 11 meses sem disputar uma final e chega ao US Open com a chance de somar títulos de Grand Slam em cinco anos seguidos.

De quase queda no ranking a nova arrancada

O título em quadras canadenses interrompe uma sequência que parecia empurrar a ex-número 1 do mundo para fora do Top 10 pela primeira vez desde que se consolidou na elite. A série de tropeços em grandes palcos deixava a sensação de que a hegemonia construída entre 2022 e 2024 começava a ruir.

Nesta temporada, Świątek cai nas quartas de final do Australian Open, se despede na segunda rodada do Miami Open, para nas oitavas de final em Roland Garros e sofre nova frustração ao perder na terceira rodada em Wimbledon. Para quem domina o circuito em vários momentos recentes, o contraste é brutal.

Nesse contexto, a polonesa decide mexer profundamente na própria estrutura. Traz para a equipe o espanhol Francis Roig, ex-treinador de Rafael Nadal, com uma missão clara: reconstruir a calma em quadra e a clareza de escolhas sob pressão. O trabalho leva meses, mas o resultado começa a aparecer justamente agora, na reta final do calendário.

“A serenidade em quadra era o objetivo quando começamos a trabalhar, mas durante a gira de saibro eu não tinha clareza mental para fazer o que ele queria… agora isso se tornou um hábito, algo mais natural. É assim que quero jogar”, admite a polonesa ao comentar a parceria.

Pressão, haters e um discurso para quem apanha nas redes

A virada técnica vem acompanhada de um reposicionamento emocional. Alvo constante de críticas e ataques nas redes sociais, Świątek transforma o discurso de campeã em Toronto em manifesto pessoal contra o ódio que circula em torno de atletas de alto rendimento.

“Esses últimos meses não foram fáceis. Estou realmente feliz por ter continuado focada em crescer, em melhorar meu jogo, apesar de todas as opiniões que muitas pessoas têm sobre mim todos os dias. Não foi fácil lidar com isso”, reconhece.

Na mesma fala, ela amplia o recado para além do circuito.

“Quero dedicar este título a qualquer pessoa que esteja lidando com julgamentos injustos e ódio. Continue lutando e continue crescendo. Continue focando em você mesmo. Você sabe o que é melhor para você. Lembre-se sempre do que está à sua frente e do que pode ser possível.”

A mensagem encontra eco em um ambiente em que tenistas lidam diariamente com cobranças por resultados, comentários agressivos e até ameaças ligadas a apostas esportivas. Para uma jogadora que passa quase um ano sem finais e vê o ranking ameaçado, cada derrota vira combustível para narrativas de fim de era.

Serena no retrovisor e a disputa por uma geração

O que recoloca Świątek no centro do noticiário não é apenas a taça no Canadá, mas o que ela representa na corrida histórica. Se vencer o US Open, a polonesa se torna a primeira tenista, desde Serena Williams, a emendar cinco temporadas seguidas com títulos de Grand Slam.

Essa sequência já inclui conquistas em Roland Garros e no próprio US Open, além de um troféu em Wimbledon, construindo um currículo que a coloca como principal referência de sua geração. Naomi Osaka, com quatro temporadas consecutivas de Grand Slam, e Aryna Sabalenka, com três, ajudam a compor o cenário de disputa, mas assistem agora ao retorno de uma rival em plena recuperação.

Para o circuito feminino, a retomada da polonesa mexe na ordem das coisas. Adversárias que aproveitaram a fase instável para ocupar espaço sentem de perto o aumento da pressão. Patrocinadores e organizadores de torneios veem renascer um personagem capaz de sustentar histórias de domínio e rivalidade, essenciais para manter audiência e interesse comercial.

No ranking, a reação no Canadá reduz o risco de queda brusca e recoloca Świątek entre as candidatas declaradas à liderança. Cada rodada em Nova York passa a valer pontos e narrativa: uma campanha longa pode consolidar a retomada; uma eliminação precoce reacende dúvidas sobre a consistência desse renascimento.

US Open, gira asiática e o “quebra-cabeça” de grandes títulos

O US Open se torna, nesta semana, o palco imediato para testar o novo pacote técnico e mental. Desde que ergue o troféu em Nova York pela primeira vez, Świątek não volta a passar das quartas de final ali. A lembrança pesa, mas o momento no Canadá indica que a história pode ser diferente.

Se conseguir avançar, não estará em jogo apenas mais um título. A conquista consolidaria a série de cinco temporadas seguidas com Grand Slam, aproximando seu nome de recordes que, até pouco tempo, pareciam intocados desde Serena Williams. Em paralelo, reforçaria a imagem de que 2026 marca uma reviravolta, não um declínio.

Logo depois virá a gira asiática, com foco especial no WTA 1000 de Wuhan, um dos poucos grandes torneios ainda ausentes na coleção da polonesa. A taça na China deixaria o chamado “quebra-cabeça” do circuito quase completo, faltando apenas um WTA 1000 específico, o título no Australian Open e o ouro olímpico — ela soma hoje o bronze conquistado em Paris.

A reta final da temporada, portanto, se transforma em exame decisivo. Se mantiver o nível exibido no Canadá e confirmar a recuperação em Nova York e na Ásia, Świątek pode recolocar seu nome como centro de gravidade do tênis feminino. Se oscilar, ouvirá novamente que a era de domínio ficou no passado e entrará em 2027 sob desconfiança renovada.

Entre essas duas rotas, a única certeza é que a polonesa volta a chegar a um grande torneio como protagonista. E, num circuito em que cada ano costuma coroar novas estrelas, seguir no topo por cinco temporadas consecutivas ainda é um luxo reservado a muito poucas.

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