A Avenida Marquês de Sapucaí virou palco de disputa judicial e ameaça esquentar a corrida eleitoral. Nesta segunda-feira (17), o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Antonio Carlos Ferreira, aceitou abrir uma ação contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).
A dupla é acusada pelo partido Novo de abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação durante o Carnaval deste ano. O centro da polêmica? O desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que escolheu a trajetória pessoal e política de Lula como enredo.
Samba com dinheiro público?
Para o Novo, o desfile no Rio de Janeiro não passou de um megaevento de campanha antecipada disfarçado de cultura, com agravantes pesados para a legislação eleitoral.
A sigla alega que a homenagem funcionou como um verdadeiro palanque nacional para o presidente, que era pré-candidato à reeleição, aproveitando-se da enorme visibilidade das transmissões de TV e plataformas digitais.

A acusação mais grave, no entanto, pesa no bolso. O partido aponta que o desfile teria custado R$ 9,65 milhões aos cofres públicos, sendo irrigado por recursos enviados pelo Município de Niterói, Município do Rio de Janeiro, Estado do Rio de Janeiro e até pela Embratur (Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo).
O que acontece agora?
Ao analisar o pedido inicial, o ministro Antonio Carlos Ferreira concluiu que as denúncias narradas pelo Novo têm peso e “podem, em tese, caracterizar abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação social”.
Com o sinal verde do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o cerco se fecha para a defesa petista. O corregedor determinou que Lula e Alckmin sejam formalmente notificados e apresentem suas defesas à Justiça Eleitoral no prazo máximo de cinco dias.