TRF-3 solta Buzeira após 10 meses preso: entenda o caso

TRF-3 libera influenciador Buzeira após prisão de 10 meses em investigação sobre lavagem de dinheiro ligada ao tráfico.
Redação NC News
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O Tribunal Regional Federal da 3ª Região manda soltar hoje o influenciador Bruno Alexssander Souza Silva, o Buzeira, e o contador Rodrigo de Paula Morgado, apontado como “contador do PCC”, após 10 meses de prisão preventiva por suspeita de lavagem de dinheiro do tráfico internacional de drogas.

A Quinta Turma concede habeas corpus aos dois, reconhece excesso de prazo na prisão e impõe medidas cautelares como proibição de sair do país, de falar com outros investigados e manutenção do bloqueio de bens até o fim do processo.

TRF-3 vê excesso de prazo e reduz uso da prisão preventiva

A decisão altera o eixo do caso Narco Bet, operação da Polícia Federal que mira um esquema milionário de lavagem ligado ao envio de cocaína para o mercado europeu. O tribunal entende que, com a investigação avançada e a instrução em curso, a prisão deixa de ser necessária.

Os desembargadores mantêm, porém, forte controle sobre a dupla. Buzeira e Morgado seguem proibidos de viajar ao exterior, precisam cumprir regras fixadas pelo colegiado e continuam com patrimônio congelado. O processo segue em segredo de justiça.

O Ministério Público Federal e a Polícia Federal, responsáveis pela acusação, não se manifestam publicamente até agora, mas a decisão impõe limites concretos ao uso da prisão preventiva em casos complexos de crime organizado e lavagem de dinheiro.

Influenciador, ‘contador do PCC’ e a engrenagem da Narco Bet

Buzeira ganha fama nas redes sociais exibindo uma vida de luxo e ostentação. Ele é preso em Igaratá, interior de São Paulo, durante a Operação Narco Bet, que mira um braço financeiro ligado ao tráfico internacional associado ao Primeiro Comando da Capital.

Segundo a PF e o MPF, o influenciador usa casas de apostas online, criptomoedas, empresas de fachada e “laranjas” para lavar recursos do tráfico. Entre agosto de 2023 e março de 2025, ele teria movimentado pelo menos US$ 15 milhões em criptoativos em direção a Morgado.

O Ministério Público descreve, em peça do caso, um sistema em várias camadas: “O esquema baseava-se na circulação das quantias por contas vinculadas a empresas fantasmas e pessoas físicas, atravessando diversas camadas artificiais de movimentação até que fossem distribuídas aos beneficiários dos atos ilegais. A ocultação da origem dos valores era viabilizada com o uso de criptoativos, posteriormente convertidos em valores monetários, fragmentados e pulverizados para os destinatários”.

Morgado é apresentado pelos investigadores como peça-chave dessa engrenagem. Sua empresa, a Quadri Contabilidade, aparece na cadeia de pagamentos ligada ao veleiro Lobo IV, apreendido com três toneladas de cocaína próximo à costa africana. Os rendimentos declarados do contador saltam de R$ 295 mil em 2022 para R$ 7,9 milhões em 2023, variação considerada atípica pelos órgãos de controle.

Operações em série e dinheiro em apostas e criptoativos

A Narco Bet nasce como desdobramento da Narco Vela, que mira o envio de drogas em veleiros e lanchas, e da Narco Fluxo, focada em plataformas ilegais de apostas. Só nesta última, a PF aponta movimentação de R$ 1,6 bilhão em operações suspeitas.

Os investigadores afirmam que Buzeira recebia valores do exterior via criptomoedas, convertia em moeda corrente e dispersava em contas de terceiros e empresas de fachada. Parte desse fluxo, segundo o MPF, abasteceria a estrutura marítima usada para remessas de cocaína.

Morgado, por sua vez, é descrito como operador financeiro que organiza contabilidade, abre empresas, estrutura contratos e gerencia transações, inclusive em plataformas ilegais de apostas. Ele já havia sido preso e solto em outra fase das investigações, antes de voltar à cadeia na Narco Bet.

Defesas comemoram e falam em ‘Justiça alcançada’

A defesa de Buzeira, liderada pelo criminalista Eugênio Malavasi, celebra o resultado no TRF-3. “A Justiça foi alcançada”, afirma o advogado, que nega qualquer vínculo do influenciador com o crime organizado e reforça o caráter garantista da decisão colegiada.

Em nota, o escritório diz que os fatos serão discutidos nos autos, preservado o segredo de justiça: “Os fatos objeto da denúncia oferecida pelo MPF em desfavor de Bruno serão devidamente esclarecidos no bojo do devido processo legal, de modo que a defesa se manifestará nos autos da ação penal no momento processual oportuno, deixando de tecer comentários a respeito das imputações que lhe são dirigidas, em respeito ao segredo de justiça”.

O advogado Felipe Pires de Campos, que representa Morgado, também recebe a decisão como vitória relevante. “A decisão representa um importante reconhecimento das teses apresentadas pela defesa, especialmente quanto à desnecessidade da manutenção da prisão preventiva”, afirma. Segundo ele, o cliente seguirá respondendo ao processo “cumprindo rigorosamente todas as determinações impostas pelo Tribunal”.

Nas redes sociais, a repercussão é imediata. A esposa de Buzeira, Hillary Yamashiro, comemora a notícia e agradece a libertação do marido em publicações dirigidas aos seguidores, reforçando o peso midiático do caso.

Impactos do caso para o combate ao crime financeiro

A soltura de dois personagens centrais em uma investigação que cruza tráfico internacional, criptomoedas e apostas online não esvazia o caso, mas muda seu equilíbrio. A PF perde o instrumento mais duro à disposição, enquanto a defesa ganha espaço para atuar com clientes em liberdade, ainda que sob forte vigilância judicial.

No plano institucional, a mensagem do TRF-3 é clara: a prisão preventiva não pode se alongar indefinidamente, mesmo em apurações complexas contra o crime organizado. A decisão tende a ser citada em outros processos de lavagem e de organizações criminosas, sobretudo quando o prazo do encarceramento provisório se aproxima de um ano sem sentença.

A estrutura investigada segue sob foco. Plataformas de apostas, casas de criptoativos, escritórios de fachada e influenciadores que exibem fortunas repentinas entram no radar de órgãos de controle e reguladores. O caso alimenta debates sobre regulação mais rígida desses setores para evitar seu uso por facções criminais.

O processo contra Buzeira e Morgado continua em curso na Justiça Federal, ainda sem julgamento de mérito. A próxima etapa é o aprofundamento da instrução: oitivas de testemunhas, perícias financeiras e confronto entre a versão dos investigadores e as explicações da defesa. O desfecho, com absolvição ou condenação, ainda está distante e depende da robustez das provas reunidas.

Quem é Buzeira e qual sua ligação com o PCC?

Buzeira é o influenciador digital Bruno Alexssander Souza Silva, investigado na Operação Narco Bet por suspeita de lavar dinheiro de esquema ligado ao PCC, usando casas de apostas, criptomoedas, empresas de fachada e “laranjas” para movimentar milhões de dólares do tráfico internacional de cocaína para o mercado europeu.

O que aconteceu com Buzeira e por que ele foi preso?

Buzeira foi preso durante a Operação Narco Bet, após a Polícia Federal e o Ministério Público Federal apontarem que ele operava, a partir do Brasil, um esquema de lavagem de dinheiro do tráfico internacional, usando apostas online e criptomoedas para mascarar a origem ilícita de valores ligados ao envio de cocaína ao exterior.

Quanto tempo Buzeira ficou preso e por que foi solto?

Buzeira ficou cerca de 10 meses em prisão preventiva, até o TRF-3, hoje, conceder habeas corpus ao reconhecer excesso de prazo na custódia e avaliar que sua liberdade, com medidas cautelares como bloqueio de bens, proibição de deixar o país e restrição de contato com outros investigados, não prejudica o andamento das investigações.

Qual a situação atual de Buzeira após a concessão do habeas corpus?

Buzeira hoje responde ao processo em liberdade, após o TRF-3 determinar sua soltura e substituir a prisão preventiva por medidas cautelares, como proibição de sair do Brasil, vedação de contato com outros investigados e manutenção do bloqueio de seus bens até o fim da ação penal, que segue tramitando sob segredo de justiça.

Qual a relação de Buzeira com a Operação Narco Bet?

Buzeira é um dos principais alvos da Operação Narco Bet, da Polícia Federal, que apura um esquema milionário de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico internacional de cocaína; ele é acusado de usar casas de apostas online, criptoativos, empresas de fachada e “laranjas” para movimentar valores que abasteceriam a logística do grupo criminoso.

Quais as acusações contra Buzeira relacionadas à lavagem de dinheiro?

Buzeira é acusado de lavar pelo menos US$ 15 milhões entre agosto de 2023 e março de 2025, recebendo recursos do tráfico em criptoativos, convertendo-os em dinheiro e espalhando valores por contas de empresas fantasmas e pessoas físicas, com o objetivo de ocultar a origem criminosa ligada ao tráfico internacional e ao PCC.


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