Influencer Eduardo Razuk é preso e tem R$ 10 mi em carros apreendidos

Influenciador automotivo e irmão são detidos em Campo Grande por suspeita de crimes financeiros e apreensão de carros de luxo.
Redação NC News
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O influenciador automotivo Eduardo Razuk, seguido por mais de 1 milhão de pessoas nas redes sociais, é preso em Campo Grande junto com o irmão, Rafael Razuk, sob suspeita de lavagem de dinheiro, associação criminosa e rifas ilegais. A polícia apreende ao menos oito carros de luxo avaliados em cerca de R$ 10 milhões.

Operação mira rifas on-line e coleção milionária

A ação é conduzida pela Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (Dercc) e se concentra em rifas de veículos promovidas por Razuk na internet. Os investigadores apuram se os sorteios mascaram exploração ilegal de loterias e possíveis esquemas de lavagem, com uso de carros de alto valor para movimentar dinheiro e atrair apostadores.

Equipes da Polícia Civil cumprem mandados em dois endereços de Campo Grande: uma casa na Vila Vilas Boas e um galpão na Travessa da Ema. No galpão, os agentes encontram uma frota de esportivos importados, com destaque para quatro Volkswagen Golf GTI de nova geração, avaliados em cerca de R$ 500 mil cada, que somam aproximadamente R$ 2 milhões.

Os Golf GTI integram a linha MK8.5, produzida na Alemanha e trazida ao Brasil em um primeiro lote de 350 unidades, vendido em poucos dias. Razuk exibe nas redes as quatro cores oferecidas nesse lote — branco, preto, cinza e vermelho — estacionadas lado a lado, como uma vitrine particular do esportivo desejado por colecionadores.

Influência digital, ostentação e defesa

Razuk constrói sua audiência com vídeos de acelerações, testes e bastidores do universo automotivo. Nos últimos meses, amplia o foco das publicações para mostrar a chegada dos carros importados, o desembarque em caminhão-plataforma e detalhes de rodas, freios e acabamentos, sempre combinando conteúdo e promoção de rifas on-line com cotas a partir de valores baixos.

Além dos quatro Golf GTI, a coleção apreendida inclui um Golf R azul, um Porsche 911, uma BMW M4 e um Volkswagen Arteon Shooting Brake. Alguns desses modelos têm preços de tabela que se aproximam ou superam R$ 1 milhão, o que reforça a dimensão patrimonial que agora passa a ser alvo da investigação sobre lavagem de dinheiro.

A defesa dos irmãos tenta afastar a suspeita de irregularidade nas rifas e sustenta que o negócio segue regras específicas do setor de sorteios promocionais. “Os sorteios realizados pelo influencer são legais e seguem as regras específicas do setor”, afirma a equipe de advogados que representa Eduardo e Rafael Razuk, em nota. Os defensores dizem ainda que só poderão detalhar a estratégia jurídica depois de ter acesso completo ao inquérito e à decisão judicial que autoriza a operação.

Fiscalização sobre rifas digitais ganha força

A ofensiva da Dercc sobre um influenciador de grande alcance acende um alerta em um mercado que cresce à sombra de brechas regulatórias. Rifas digitais e promoções ligadas a influenciadores movimentam milhares de participantes em poucos dias, usando redes sociais e sistemas de pagamento instantâneo, mas nem sempre contam com autorização formal de órgãos lotéricos ou fiscalização estruturada.

A prisão de Razuk atinge um modelo de negócio que mistura entretenimento, marketing e alta exposição patrimonial. Para parte do público, a imagem é sedutora: com poucos reais, o seguidor se vê concorrendo a um esportivo de R$ 500 mil ou a uma coleção que beira R$ 10 milhões. Para investigadores, o mesmo formato pode servir para encobrir fluxos de dinheiro de origem duvidosa.

Autoridades policiais e reguladores encontram, nesse caso, um laboratório para futuras ações. Um influenciador que ostenta exclusividades como quatro Golf GTI da mesma geração, todos de um lote limitado de 350 carros no país, ajuda a dimensionar o peso econômico dessas operações. Em paralelo, a repercussão nas redes tende a pressionar empresas de marketing e plataformas de pagamento a impor regras mais rígidas de transparência.

Histórico de problemas com a polícia e próximos passos

Razuk já aparece no radar da polícia em outra frente. Em uma operação passada, a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul o investiga por vídeos de direção perigosa e supostos rachas publicados nas redes. Na ocasião, agentes apreenderam carros esportivos ligados ao influenciador e fizeram perícia para apurar adulterações em motores, além de suspeitas de contrabando.

O novo caso, porém, desloca o foco de comportamento ao volante para a origem e o uso do dinheiro que sustenta a garagem milionária. Investigadores agora rastreiam transações financeiras, pagamentos de rifas, contratos e eventual participação de outros envolvidos, com possibilidade de novas prisões e bloqueio de bens além dos veículos já apreendidos.

O desenrolar do inquérito deve alimentar um debate mais amplo sobre o limite entre sorteios promocionais e loterias clandestinas. Influenciadores que hoje baseiam parte da renda em rifas de carros, motos ou eletrônicos podem se ver pressionados a buscar autorizações formais, contratar auditorias independentes ou, em alguns casos, abandonar o modelo para evitar risco criminal.

Legisladores e órgãos reguladores acompanham o movimento. A depender do que vier à tona no caso Razuk, o Congresso e governos estaduais podem discutir regras específicas para rifas digitais, exigindo registro, transparência de resultados e identificação completa dos participantes. Para o público, o caso funciona como alerta prático: antes de comprar uma cota de sorteio on-line, vale desconfiar de promessas fáceis, por mais vistoso que pareça o carro exibido na tela.

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