Casas Bahia fecha mais de dez lojas em Salvador durante reestruturação

Casas Bahia reduz presença em Salvador e enfrenta desafios financeiros com fechamento e demissões significativas.
Redação NC News
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O Grupo Casas Bahia fecha 12 das 16 lojas que mantinha em Salvador e demite mais de 300 funcionários na capital baiana, em meio ao pedido de recuperação judicial.

Fechamento em massa atinge shoppings e pega funcionários de surpresa

O impacto aparece nas vitrines baixadas em alguns dos principais shoppings da cidade. Todas as unidades dos centros comerciais, como Shopping da Bahia, Salvador Shopping e Piedade, encerram as atividades de uma vez. As portas se fecham sem aviso prévio nem comunicação gradual aos times.

As demissões ocorrem na última sexta-feira, em um único movimento, e os trabalhadores relatam que saem sem receber as verbas rescisórias. O presidente do Sindicato dos Comerciários de Salvador, Renato Ezequiel, descreve o clima de insegurança. “Nós estamos acompanhando de olho vivo nessa situação. É uma situação dramática. Foi uma demissão instantânea. Nos pegaram de surpresa na sexta-feira, mas nós estamos conversando com os trabalhadores”, afirma.

O sindicato contabiliza que, das 16 lojas das Casas Bahia em Salvador, apenas quatro seguem funcionando hoje: Calçada, Cajazeiras, Itapuã e Pau da Lima. As demais, em especial as de shoppings, deixam um vazio imediato no segmento de eletrodomésticos, móveis e celulares, área em que a rede constrói sua marca ao longo de décadas.

Recuperação judicial tenta conter dívida de R$ 17,3 bilhões

Os cortes em Salvador fazem parte de uma reestruturação nacional já em curso. Em todo o país, o grupo fecha cerca de 300 lojas e dispensa 3 mil funcionários, na tentativa de adequar a operação a um caixa estrangulado. O plano de recuperação judicial envolve a companhia e outras nove empresas do grupo e pretende renegociar aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas.

A direção da Casas Bahia aposta na recuperação judicial como forma de ganhar fôlego com credores e evitar um colapso total da companhia. O pedido é aprovado pelo Conselho de Administração e pelo acionista controlador e é apresentado em caráter de urgência à Justiça, no foro especializado em recuperação e falências. A medida ainda precisa ser ratificada em Assembleia Geral Extraordinária, em data a ser confirmada.

O instrumento jurídico da recuperação permite que a empresa suspenda temporariamente cobranças, proponha novos prazos e condições de pagamento e mantenha parte das operações em andamento. A companhia sinaliza que pretende preservar as lojas físicas restantes, o comércio eletrônico e outros canais de venda, assegurando a continuidade dos serviços ao consumidor, inclusive em Salvador.

Trabalhadores em assembleia e varejo local sob pressão

No chão das lojas fechadas, a preocupação é imediata e concreta. Sem aviso prévio e sem rescisão paga, muitos dos mais de 300 demitidos em Salvador relatam dificuldade para arcar com despesas básicas. O sindicato convoca uma assembleia com os trabalhadores para discutir estratégias de pressão, cobrança de direitos e eventual ação coletiva.

Renato Ezequiel fala em cenário de urgência social. Ele reforça que a entidade tenta organizar juridicamente a categoria e negociar uma saída menos traumática. “Todos estão sendo chamados para que nós possamos analisar que situação, que destino vamos tomar, em relação aos trabalhadores”, diz. A prioridade é garantir o pagamento das verbas rescisórias e impedir que o processo judicial empurre os acordos para um horizonte distante.

O fechamento das lojas atinge também uma cadeia mais ampla. Empresas de segurança, limpeza, logística, transporte de mercadorias e pequenos fornecedores locais sentem a redução brusca dos pedidos. Shoppings passam a conviver com grandes espaços vazios e perda de fluxo específico de clientes interessados em eletrodomésticos, móveis e celulares, um público que costuma arrastar consumo para outras lojas.

Consumidor busca alternativas e rede tenta se redesenhar

Para o consumidor soteropolitano, a mudança altera a rotina de compras presenciais, sobretudo de quem estava acostumado a pesquisar preços em grandes redes de rua e de shopping. A tendência é de migração parcial para o comércio eletrônico da própria Casas Bahia, que segue em operação, e para concorrentes com presença física mais forte na cidade.

Moradores de bairros distantes dos shoppings ainda encontram unidades abertas em Calçada, Cajazeiras, Itapuã e Pau da Lima. Essas lojas se tornam pontos estratégicos para quem prefere retirar produtos na loja, resolver questões de assistência ou negociar compras presencialmente. A rede aposta na combinação dessas unidades com vendas online, retirada rápida e entregas programadas como forma de manter relevância.

No médio prazo, o plano de reestruturação deve redesenhar o mapa da rede física em todo o país, com concentração em pontos considerados mais rentáveis e de maior fluxo. A manutenção de canais digitais, sistemas de crédito e parcerias comerciais será decisiva para que a empresa atravesse a recuperação com alguma capacidade de investimento e, eventualmente, volte a abrir lojas em bases mais enxutas.

A assembleia de acionistas que vai ratificar o pedido de recuperação e os próximos despachos da Justiça indicam o rumo da companhia nas próximas semanas. Enquanto isso, trabalhadores demitidos em Salvador e em outras regiões cobram que a negociação com credores não ignore quem perde o emprego na base da cadeia. A pressão sindical e o acompanhamento do Ministério Público do Trabalho podem definir se a crise termina em mera reorganização financeira ou em uma ruptura social mais profunda.

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