Candidatos de 2026 declaram R$ 111,7 milhões em patrimônio no exterior

Novo concentra maior valor entre partidos; levantamento também identifica R$ 424,5 milhões declarados em dinheiro vivo por candidatos
Redação NC News
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Os candidatos das eleições de 2026 declararam à Justiça Eleitoral pelo menos R$ 111,7 milhões em contas bancárias, investimentos, empresas e imóveis mantidos diretamente no exterior. O valor foi identificado a partir das declarações de bens apresentadas pelos concorrentes ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Ao todo, 122 candidatos declararam 156 ativos no exterior. Os dez maiores patrimônios identificados concentram R$ 83,3 milhões, o equivalente a 74,5% de todo o montante localizado no levantamento.

A análise considerou diferentes descrições utilizadas pelos candidatos nas declarações eleitorais, já que não existe uma categoria única no sistema do TSE para reunir todos os bens mantidos fora do país.

Entre os nomes identificados estão políticos com mandato, dirigentes partidários, uma apresentadora de televisão, um ex-jogador de futebol e três candidatos a suplente de senador.

Novo concentra R$ 42,7 milhões fora do Brasil

Entre os partidos, o Novo aparece com o maior valor de patrimônio diretamente declarado no exterior: R$ 42,7 milhões.

O montante corresponde a 38,2% dos R$ 111,7 milhões identificados. A maior parte está concentrada nas declarações de Alexis Fonteyne e Eduardo Girão, que, juntos, respondem por quase 80% do patrimônio exteriorizado pelos candidatos da legenda.

Fonteyne, ex-deputado federal que tenta retornar à Câmara por São Paulo, declarou R$ 24 milhões | Foto: Reprodução

Fonteyne, ex-deputado federal que tenta retornar à Câmara por São Paulo, declarou R$ 24 milhões em uma conta corrente no exterior. Ao todo, o candidato informou possuir cerca de R$ 40 milhões em bens no Brasil e fora do país.

Girão, candidato a vice-presidente na chapa encabeçada por Romeu Zema, declarou aproximadamente R$ 9,9 milhões sob a descrição de depósito bancário no exterior, correspondente a US$ 1.802.002.

Outro nome do Novo na relação é o deputado federal Ricardo Salles, candidato ao Senado, que declarou um imóvel rural em Portugal avaliado em R$ 3 milhões.

Ricardo Salles já foi ministro do Bolsonaro e hoje tenta Senado por SP | Foto: Reprodução

Na sequência aparecem:

  • PSD: R$ 21 milhões;
  • União Brasil: R$ 17 milhões.

Silvia Abravanel e Luís Fabiano aparecem na lista

O levantamento também encontrou patrimônio no exterior declarado por nomes conhecidos fora da política.

A apresentadora Silvia Abravanel, filha de Silvio Santos e candidata pelo PSD, declarou R$ 4,8 milhões em patrimônio no exterior.

Silvia Abravanel no podcast Podpah | Foto: Reprodução

Quase todo o valor corresponde a mil ações da Grateful Limited, empresa sediada nas Bahamas. Além da participação societária, ela informou possuir aproximadamente R$ 29 mil em uma conta do Citibank em Nova York.

Outro nome conhecido é o ex-jogador Luís Fabiano, candidato a deputado federal pelo MDB. O ex-atacante do São Paulo declarou duas casas na Espanha, avaliadas conjuntamente em R$ 4,6 milhões. Luís Fabiano passou seis anos atuando no futebol espanhol.

Luis Fabiano também já jogou pelo Vasco e pela Seleção Brasileira | Foto: Reprodução

Três suplentes aparecem entre os maiores valores

Três candidatos a suplente de senador também aparecem entre os dez maiores patrimônios identificados fora do Brasil.

Juntos, eles declararam R$ 18,4 milhões em bens e investimentos no exterior:

Prisco Bezerra, candidato a primeiro suplente pelo União Brasil no Ceará: R$ 10,6 milhões;
Renato Figueiredo, candidato a segundo suplente pelo PL no Distrito Federal: R$ 4,2 milhões;
Wilson Picler, candidato a primeiro suplente pelo PL no Paraná: R$ 3,6 milhões.

Patrimônio no exterior não é irregular

A existência de bens fora do Brasil não significa, por si só, qualquer irregularidade. Brasileiros podem manter legalmente contas bancárias, investimentos, empresas e imóveis em outros países, desde que cumpram as obrigações fiscais e cambiais previstas na legislação.

O levantamento, porém, encontrou dificuldades para identificar com precisão a localização de determinados ativos.

O TSE informou que a declaração de bens deve apresentar a identificação do bem e o valor declarado à Receita Federal, mas não exige necessariamente informações detalhadas, como o endereço de um imóvel.

Receita Federal auxilia o TSE na averiguação de patrimônio dos candidatos | Foto: Reprodução

Isso significa que uma propriedade localizada na Europa, por exemplo, pode aparecer na declaração apenas como um imóvel, sem indicação explícita do país.

Por esse motivo, o patrimônio efetivamente mantido no exterior pode ser maior do que o valor identificado na análise.

Caso de Hildon Chaves ficou fora do cálculo

Um exemplo é o candidato ao governo de Rondônia Hildon Chaves (União Brasil).

Ele declarou R$ 26 milhões sob a descrição genérica de “participações societárias, aplicações, créditos e bens no exterior”. Como não foi possível identificar a composição desses ativos, o valor não entrou no levantamento detalhado.

A reportagem tentou obter esclarecimentos com o candidato e sua assessoria, mas não conseguiu contato.

Candidato ao governo de Rondônia Hildon Chaves (União Brasil) | Foto: Reprodução

Se fundos internacionais forem considerados, valor passa de R$ 410 milhões

O levantamento também fez uma ressalva importante: os R$ 111,7 milhões não incluem cotas de fundos brasileiros que tenham exposição a ativos internacionais.

Se essas aplicações forem incorporadas ao cálculo, o patrimônio relacionado ao exterior chega a R$ 410,2 milhões.

Desse total, R$ 294,4 milhões estão concentrados em apenas um candidato: Otaviano Pivetta (Republicanos), que disputa o governo de Mato Grosso.

A diferença mostra como a metodologia utilizada para identificar patrimônio internacional pode alterar significativamente o valor total.

Candidatos também declaram R$ 424,5 milhões em dinheiro vivo

Além dos ativos mantidos fora do Brasil, outro dado chama atenção nas declarações de bens de 2026: os candidatos informaram possuir R$ 424,5 milhões em dinheiro em espécie.

Ao todo, 1.704 concorrentes declararam valores guardados fisicamente.

As descrições variam no sistema eleitoral. Entre os termos utilizados estão “dinheiro em caixa”, “moeda corrente em poder do declarante”, “numerário disponível” e “dinheiro sob guarda própria”.

Em alguns casos, os valores declarados levantam dúvidas sobre possíveis erros de preenchimento.

Candidato declara R$ 95 milhões em espécie

O maior valor identificado foi declarado por Cabo Gregorio Silva (Democrata), candidato a deputado estadual em Minas Gerais. Ele informou possuir R$ 95 milhões em dinheiro vivo.

O valor chama atenção porque a mesma declaração apresenta outros números considerados pouco usuais. Entre eles, aparece um Fiat Uno avaliado em R$ 27 milhões, o que pode indicar erro de preenchimento.

Clebio Lopes Jacaré aparece em segundo

Na sequência está Clebio Lopes Jacaré (União Brasil), candidato a deputado federal pelo Rio de Janeiro, que declarou R$ 11,95 milhões em dinheiro vivo. O candidato já havia informado possuir uma quantia milionária em espécie em declarações apresentadas em eleições anteriores.

Clébio Jacaré é o candidato mais rico do Rio de Janeiro | Foto: Reprodução

Outro caso é o de Ney Santos (Republicanos), aliado do governador Tarcísio de Freitas e ex-prefeito de Embu das Artes por dois mandatos. Candidato a deputado federal por São Paulo, Santos declarou patrimônio total de R$ 2,27 milhões.

Desse montante, R$ 1,88 milhão — cerca de 83% do patrimônio declarado — aparece como dinheiro em espécie. Os demais bens somam aproximadamente R$ 396 mil.

Durante a campanha de 2026, Santos também foi alvo de um pedido de impugnação apresentado pelo Ministério Público, relacionado a suspeitas de envolvimento com o PCC.

Quanto dinheiro está guardado em cofres?

As declarações também permitem identificar parte dos valores que os candidatos afirmam manter em cofres.

Pelo menos R$ 5,3 milhões aparecem explicitamente como guardados dessa maneira.

Quando são considerados todos os registros cuja descrição menciona cofres —inclusive aqueles cadastrados em categorias diferentes, como “outros bens e direitos”, depósitos bancários e ouro—, o montante chega a aproximadamente R$ 8 milhões.

Os números, assim como os valores declarados no exterior, representam as informações apresentadas pelos próprios candidatos à Justiça Eleitoral e estão sujeitos à análise dos órgãos competentes.

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