Mocita Fagundes transforma o luto em declaração pública de amor à sogra, Glória Menezes, que morre aos 91 anos no Rio de Janeiro. A atriz gaúcha lembra os 18 anos de convivência, descreve a última conversa por vídeo e diz que sente que perdeu uma mãe.
Último vídeo, luto em família e uma mãe escolhida
A homenagem corre pelas redes sociais nesta semana, um dia depois da morte de Glória por causas naturais em seu apartamento no Rio. Enquanto o país se despede de um dos grandes nomes da teledramaturgia, Mocita expõe a dimensão íntima dessa perda para a família.
Na mensagem, ela revela a última conversa que teve com a sogra, por videochamada. “Quando você vem pra cá? Te amo tanto, Mocita! Você me alegra muito!”, recorda. Em seguida, resume o que sente hoje: “Eu perdi uma mãe”.
Glória Menezes constrói uma carreira de mais de seis décadas no teatro, no cinema e na televisão, com participação em mais de 40 novelas na TV Globo. Fora de cena, constrói também uma família que se torna símbolo de estabilidade: o casamento de 59 anos com Tarcísio Meira, morto em 2021, e a relação próxima com o filho, o ator Tarcísio Filho.
Essa intimidade se estende a Mocita, que mora em Porto Alegre e mantém um relacionamento à distância com o marido, radicado no Rio de Janeiro. Mesmo assim, ela relata uma convivência intensa com a sogra. “Cresci com a Glória na TV, mas nos últimos 18 anos tive o privilégio de conhecer a Glória ‘em casa’”, narra na publicação.
Gargalhadas, Aperol e a Glória longe dos holofotes
O texto de Mocita abre uma fresta para a Glória fora da tela. “Linda, forte, generosa e poderosa. Firme nas convicções e imensa nos afetos!”, escreve a atriz ao descrever a sogra que a acolhe “como uma filha” e trata seus filhos “como se também fossem seus”.
Ela insiste que o que mais guarda não é o silêncio reverente diante da estrela, mas o barulho das risadas em família. “Quando penso em nós duas, não é o silêncio que me vem primeiro. É a nossa gargalhada. Como nós gostávamos de rir juntas!”, conta. Lembra sessões de riso “até perder o fôlego”, sem cerimônia.
Entre essas pequenas memórias, aparece um ritual afetivo: as duas tomando Aperol, olhando para as árvores, conversando sobre a vida e observando Tarcísio Filho, o “Tarcisinho”, a quem ambas chamam de amor. “Quantas vezes ficamos ali, lado a lado, admirando a paisagem, a vida e ele… (e tu dizia toda orgulhosa: ‘Quem fez?’ E ríamos juntas…)”, escreve.
Mocita destaca também o jeito firme com que Glória ocupa o papel de matriarca. Revela que vai sentir falta das ligações insistentes e carinhosas. Lembra a bronca afetuosa que recebe da sogra: “Tu era mandona (risos). ‘Come direito, Mocita’”. Em outra passagem, sintetiza a relação em uma frase curta: “Tu cuidava de mim e eu amava ser cuidada por ti”.
Legado afetivo e espiritual de um casal símbolo
Ao falar da ausência, Mocita aproxima o luto da família de uma narrativa de reencontro. Escreve a partir do Rio, onde está ao lado do marido, tentando compreender a morte de quem tanto admira. “Hoje, estou aqui ao lado do meu amor, do meu marido, do nosso Tarcisinho… tentando compreender uma ausência que ainda não cabe dentro de mim”, confessa.
Ela puxa para o centro do texto o nome de Tarcísio Meira, com quem Glória compartilha 59 anos de casamento. “Quero pensar que o Tarcisão te recebeu! E gosto de imaginar esse reencontro: os dois juntos outra vez, vivendo aquele amor imenso que nem a morte foi capaz de separar”, escreve, oferecendo consolo a si mesma, ao público e ao próprio marido.
A imagem reforça uma ideia de continuidade que se impõe sobre o fim. “Por isso, eu não vou te dizer adeus minha rainha! Não se diz adeus a um amor dessa grandeza. Não se diz adeus a quem continua vivendo dentro da gente”, afirma. O texto termina em forma de promessa: “Até logo, minha Glória. Até a nossa próxima gargalhada”.
A homenagem circula enquanto colegas de cena, fãs e admiradores relembram papéis marcantes de Glória e a parceria com Tarcísio Meira em novelas, peças e filmes. No meio da comoção, o relato de Mocita destaca que o legado da atriz não se resume ao trabalho, mas também à forma como ela constrói e protege os seus.
Redes sociais como altar de memória
A postagem também joga luz sobre a função das redes sociais no luto contemporâneo. Em vez de nota oficial, o que ganha destaque é um texto longo, atravessado por cenas de cotidiano, detalhes domésticos e brincadeiras privadas. O espaço público digital vira uma espécie de álbum de família aberto.
Para o público, essa exposição ajuda a aproximar a figura da estrela de televisão de uma avó que liga para cobrar o almoço, de uma sogra que puxa a nora para um brinde no fim de tarde. Para fãs de diferentes gerações, o gesto de Mocita reforça a percepção de que a história da televisão brasileira também se escreve na mesa de casa, no sofá, nas varandas onde se conversa sobre a vida.
Recentemente, Mocita e Tarcísio Filho oficializam a união em uma cerimônia intimista, após quase duas décadas juntos. A formalização do casamento, somada à despedida pública de hoje, consolida a ideia de continuidade do núcleo familiar construído por Glória e Tarcísio Meira. A partir de agora, a tendência é de que surjam novos tributos, programas especiais e eventos em homenagem à atriz, enquanto a família tenta reorganizar a rotina em meio à saudade.