TCDF trava contas de 2025 do governo Ibaneis por falta de balanço auditado do BRB

Corte condicionou a conclusão do parecer sobre as contas do GDF à entrega das demonstrações financeiras definitivas e auditadas do Banco de Brasília
Redação NC News
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O Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) travou a conclusão do parecer prévio sobre as contas de 2025 do Governo do Distrito Federal, na gestão do governador Ibaneis Rocha (MDB), por causa da falta das demonstrações financeiras definitivas, completas e auditadas do Banco de Brasília (BRB).

A decisão foi reafirmada pelo conselheiro-relator Paulo Tadeu após uma petição apresentada pelo deputado distrital Gabriel Magno (PT). Segundo o entendimento da Corte, o prazo para análise das contas do governo só começa a contar depois que o TCDF receber o balanço auditado do BRB.

A decisão coloca as demonstrações financeiras do banco no centro da análise das contas do Distrito Federal e mantém o processo em aberto.

Contas de 2025 chegaram ao TCDF de forma incompleta

Durante a análise, a Secretaria de Macroavaliação Governamental (SEMAG) identificou problemas nos dados apresentados pelo governo.

Os demonstrativos do BRB apareciam no sistema como “em digitação”, com informações disponíveis somente até o segundo trimestre e registros incompletos no SIGGo, sistema utilizado pelo governo para gestão orçamentária, financeira e contábil.

Segundo a área técnica do TCDF, a ausência dessas informações interfere diretamente no cálculo da equivalência patrimonial, além de afetar o Balanço Patrimonial e a Demonstração das Variações Patrimoniais do Distrito Federal.

Na prática, sem os números definitivos do banco, a Corte considera que não possui todas as informações necessárias para concluir a análise das contas do governo.

Empréstimo de R$ 6,6 bilhões entrou no centro da discussão

A decisão também ocorre em meio à discussão sobre um possível empréstimo de R$ 6,6 bilhões ao BRB em 2026, junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

A representação apresentada ao TCDF contestou uma declaração da governadora em exercício Celina Leão (PP), segundo a qual a divulgação do balanço do banco estaria relacionada à assinatura do contrato de empréstimo.

O Fundo Garantidor de Créditos e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, também afirmaram que uma eventual concessão de crédito ao BRB depende da divulgação das contas auditadas da instituição.

O que diz a contestação

A petição apresentada ao TCDF questiona a utilização de acontecimentos de 2026 para justificar a retenção das informações referentes ao exercício de 2025.

Documento protocolado pelo deputado distrital Gabriel Magno (PT) pede o cumprimento da decisão do TCDF e a suspensão da conclusão da análise das contas de 2025 do GDF até a apresentação do balanço auditado do BRB.

O argumento é baseado no princípio contábil da competência, segundo o qual receitas e despesas devem ser reconhecidas no período a que se referem.

De acordo com a representação, negociações e eventuais aportes realizados em 2026 teriam impacto prospectivo e poderiam ser tratados em notas explicativas sobre a continuidade operacional, sem alterar retroativamente os ativos, passivos ou o patrimônio líquido registrados em 31 de dezembro de 2025.

A petição também afirma que o prazo regulatório para divulgação das demonstrações financeiras terminou em 31 de março de 2026 e questiona a existência de autorização do Banco Central ou da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para uma retenção dos dados financeiros relacionada a futuras negociações de crédito.

TCDF dá 30 dias para manifestações

Ao analisar o caso, o TCDF manteve o entendimento estabelecido na Decisão nº 1.687/2026.

Com isso, o prazo regimental de 60 dias para a apreciação das contas do Distrito Federal somente começará depois que o tribunal receber integralmente o balanço auditado do BRB.

A Corte deu 30 dias para a Casa Civil e o Banco de Brasília se manifestarem.

Até que os documentos sejam apresentados e analisados, o parecer prévio sobre as contas de 2025 do Governo do Distrito Federal permanece sem conclusão.

Entenda o contexto

O BRB é uma instituição financeira controlada pelo Governo do Distrito Federal. Por isso, os resultados do banco têm reflexos na contabilidade patrimonial do próprio Distrito Federal.

A ausência das demonstrações financeiras definitivas impede, segundo a área técnica do TCDF, que determinados valores sejam consolidados de maneira completa nas contas do governo.

O ponto central da discussão agora é quando e de que forma os dados definitivos do BRB serão apresentados ao tribunal. A partir da entrega da documentação auditada, começa a contar o prazo regimental para que o TCDF conclua sua análise.

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