Pastor de BH é condenado a dois anos de prisão por importunação sexual

Sentença determina regime aberto e pagamento de R$ 10 mil por danos morais; defesa afirma que vai recorrer e pastor permanece em liberdade
Redação NC News
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A Justiça condenou o pastor Marco Aurélio da Silva Aires a dois anos de prisão, em regime aberto, pelo crime de importunação sexual contra uma fiel. Segundo a sentença, o líder religioso teria se aproveitado da posição de autoridade que ocupava dentro da igreja para cometer o crime.

Marco Aurélio atuava na Igreja Pentecostal Gideões de Fogo da Última Hora, no bairro Jardim Vitória, na Região Nordeste de Belo Horizonte.

Além da pena de prisão, a decisão determinou que o pastor pague R$ 10 mil por danos morais a uma das vítimas. O valor foi estabelecido após a Justiça considerar que ele teria promovido uma campanha de difamação contra a mulher entre frequentadores da igreja.

Pastor teria usado autoridade religiosa

De acordo com a sentença, o pastor ocupava uma posição de forte influência sobre os fiéis. O juiz responsável pelo caso destacou que Marco Aurélio era visto por integrantes da comunidade religiosa como uma espécie de autoridade espiritual incontestável.

Segundo a decisão, essa relação de confiança teria sido utilizada para facilitar a prática do crime. O magistrado também apontou uma postura considerada manipuladora e afirmou que o pastor teria utilizado discursos e elementos religiosos para persuadir as vítimas.

O crime que resultou na condenação teria acontecido dentro da própria igreja.

Defesa tentou contestar acusação

Durante o processo, a defesa apresentou um laudo psicológico com o objetivo de demonstrar que Marco Aurélio não apresentaria perfil compatível com o de um abusador.

O argumento, porém, não foi acolhido pela Justiça.

Na avaliação do Judiciário, as provas reunidas durante o processo foram suficientes para sustentar a condenação pelo crime de importunação sexual. A defesa informou que vai recorrer da decisão.

Pastor continua em liberdade

Marco Aurélio respondeu ao processo em liberdade e, por isso, não foi preso após a condenação.

O Departamento Penitenciário de Minas Gerais informou que o pastor não está detido.

A pena estabelecida pela Justiça é de dois anos de prisão em regime aberto, mas o processo ainda pode passar por novas etapas devido ao recurso anunciado pela defesa.

Caso veio à tona após denúncias

As acusações contra o pastor ganharam repercussão em maio de 2025, quando várias mulheres procuraram a Polícia Civil para denunciar supostos abusos cometidos pelo líder religioso.

Segundo os relatos apresentados na época, o pastor teria se aproveitado da confiança conquistada junto às frequentadoras da igreja e utilizado a posição religiosa para praticar os abusos.

As denúncias apontavam ainda que as mulheres teriam sido intimidadas para permanecer em silêncio. Ao longo da investigação, pelo menos sete mulheres registraram queixas contra o religioso.

O caso ganhou repercussão depois que os relatos foram divulgados publicamente.

Pastor deixou comando da igreja

Com a repercussão das denúncias, Marco Aurélio renunciou ao comando da igreja.

Antes da divulgação do caso, em abril de 2025, ele havia registrado um boletim de ocorrência alegando estar sendo ameaçado por ex-fiéis.

Na ocasião, o pastor negou as acusações.

A condenação divulgada agora se refere especificamente ao caso de importunação sexual analisado pela Justiça. As demais denúncias apresentadas contra o religioso podem ter desdobramentos próprios, conforme as investigações e processos correspondentes.

A defesa ainda poderá apresentar recurso contra a sentença.

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