Savinho está a poucos passos de trocar o Manchester City pelo Tottenham em uma operação de cerca de 100 milhões de euros, que se torna a maior venda da história do clube de Manchester. O atacante brasileiro de 22 anos já manifesta internamente o desejo de sair em busca de mais minutos em campo, e aguarda a liberação para viajar a Londres, realizar exames médicos e assinar contrato.
Negócio recorde muda o eixo de poder
A negociação entre os dois clubes ingleses envolve 93,3 milhões de euros em valor fixo e até 5,7 milhões de euros em bônus por desempenho, totalizando os 100 milhões de euros (cerca de R$ 605 milhões). O pacote se insere em uma operação ainda maior, estimada em 151 milhões de euros quando somados todos os valores ligados também à chegada do egípcio Omar Marmoush ao Tottenham.
O City transforma Savinho na maior venda de sua história, superando os 75 milhões de euros recebidos por Julian Alvarez em transferência recente para o Atlético de Madrid. Negócios que antes ocupavam o topo da lista, como as saídas de Sterling para o Chelsea por 56,2 milhões de euros e de Ferran Torres para o Barcelona por 55 milhões de euros, perdem espaço para a nova cifra recorde.
O movimento mexe com o mercado de transferências da Premier League. O City ganha fôlego financeiro para reforçar o elenco ou investir em estrutura, enquanto o Tottenham aposta pesado em um jogador em ascensão para tentar encurtar a distância em relação aos principais candidatos ao título.
Da reserva no City ao protagonismo com De Zerbi
Savinho chega a este momento depois de duas temporadas no time principal do Manchester City. No período, soma 84 jogos, sete gols, 13 assistências e três títulos, mas não consegue se firmar como titular. Na última temporada, começa entre os 11 iniciais em apenas 14 das 36 partidas que disputa, marca que pesa diretamente em sua decisão de mudar de ares.
A situação se acentua com a mudança no comando técnico e a chegada de Carlo Ancelotti. O brasileiro perde espaço, vê sua minutagem diminuir e chega a ficar fora até do banco na recente decisão da Supercopa da Inglaterra contra o Arsenal. Em conversas internas, “Savinho já tinha manifestado ao clube de Manchester o desejo de mudança para ter mais minutos em campo”, relatam pessoas próximas às negociações.
O Tottenham acompanha essa situação de perto desde o início da última temporada. A diretoria londrina intensifica a pressão nas últimas semanas, impulsionada pelo interesse direto do técnico Roberto De Zerbi. O italiano vê em Savinho um ponta capaz de oferecer velocidade, agressividade nos duelos individuais e flexibilidade tática no ataque.
“A investida foi maior e Savinho está decidido a buscar novos ares”, afirma De Zerbi a interlocutores, confiante de que o brasileiro pode assumir protagonismo imediato sob seu comando. O plano esportivo apresentado inclui minutagem alta na Premier League, participação central no sistema ofensivo e a construção de um projeto de médio prazo, em contraste com o papel secundário que o jogador ocupa hoje em Manchester.
Superação de veto antigo e efeito Marmoush
Um ano atrás, o cenário é diferente. O então técnico Pep Guardiola segura a saída do atacante, o clube recusa uma oferta de 60 milhões de libras e ainda renova o contrato do brasileiro até meados de 2031. A convicção é de que Savinho pode se tornar peça importante no futuro próximo, hipótese que acaba não se concretizando com as mudanças na comissão técnica.
Agora, o City enxerga na proposta do Tottenham um ponto de equilíbrio entre o desejo do jogador e a oportunidade financeira. A cifra de 100 milhões de euros, somada à chance de rearranjar o elenco após a chegada de Ancelotti, torna a liberação mais palatável. O clube também considera que o momento de mercado é favorável, com a valorização de jovens atacantes brasileiros em alta na Europa.
No lado londrino, a operação não se resume a Savinho. O Tottenham aproveita as conversas para avançar na contratação de Omar Marmoush, que também se prepara para mudar de clube dentro da própria Premier League. A chegada do egípcio reforça o ataque e amplia o leque de opções de De Zerbi, criando uma dinâmica de troca que agrada às duas pontas da negociação.
Seleção, Mundial e pressão por protagonismo
A mudança de clube não tem efeito apenas sobre os balanços financeiros. Savinho mira diretamente sua posição na Seleção Brasileira e o próximo ciclo do Mundial de Seleções. Depois de ganhar espaço e ser titular na última Copa América, o atacante vê a falta de minutos no City coincidir com a perda de terreno na disputa por convocações recentes.
O brasileiro entende que um papel secundário em Manchester compromete suas chances de estar entre os principais nomes do país no próximo ciclo de grandes torneios. A perspectiva de jogar com regularidade em Londres, em um time que o enxerga como protagonista, pesa tanto quanto o salário ou os bônus ligados à transferência. A comissão técnica da Seleção também acompanha de perto a definição do futuro do jogador, que tende a ser avaliado com outros olhos se se firmar como destaque na equipe de De Zerbi.
O negócio também reforça uma tendência do futebol europeu: a escalada de preços por talentos brasileiros em idade inicial de maturação, muitas vezes ainda em busca da primeira grande temporada como titular absoluto. A transação de 100 milhões de euros por Savinho se soma a uma lista crescente de investimentos pesados em jovens atacantes formados no país.
Enquanto os últimos detalhes contratuais são ajustados, o City administra a perda de um jogador ainda visto como valioso tecnicamente, mas sem espaço consolidado, e o Tottenham se movimenta para apresentar seu novo reforço à torcida. A conclusão do negócio nos próximos dias deve redefinir o ataque londrino e alimentar novas movimentações no mercado da Premier League antes do fechamento da janela.