O candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) criticou a ausência de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro debate presidencial, marcado para domingo (23), e afirmou que os dois adversários evitam o confronto porque teriam “muito a esconder”.
A declaração foi dada nesta quinta-feira (20), durante uma agenda de campanha no Brás, região central de São Paulo.
Caiado defendeu que a participação dos candidatos em debates eleitorais deveria ser obrigatória. Para ele, assim como o eleitor é obrigado a votar, os candidatos também deveriam ser obrigados a participar dos encontros para apresentar suas propostas e responder aos adversários.
“Você impõe ao eleitor que ele tem que votar. Só que os dois que estão disputando com maior percentual de intenção de votos têm medo de estarem presentes e amarelar num debate, que é o primeiro debate que nós teremos, na Band. Isso significa o quê? Que eles têm muito a esconder”, declarou.
A fala foi direcionada aos dois candidatos que, segundo Caiado, aparecem à frente nas intenções de voto.
Caiado quer debates obrigatórios
Na avaliação do candidato, a ausência dos principais concorrentes prejudica a capacidade do eleitor de comparar propostas antes da votação.
Caiado afirmou que o primeiro turno deve funcionar como uma espécie de seleção dos candidatos que terão condições de avançar na disputa pelo Palácio do Planalto.
“Porque, na verdade, o primeiro turno é aquela seleção de quem deve realmente chegar na condição de poder presidir o país.”
A discussão sobre a presença dos presidenciáveis em debates ganhou espaço nesta fase inicial da campanha, especialmente diante da definição das primeiras agendas públicas entre os candidatos.

O que Caiado disse sobre o STF?
Durante a passagem pelo Brás, Caiado também foi questionado sobre o Supremo Tribunal Federal (STF) e defendeu que ministros da Corte que eventualmente cometam crimes sejam responsabilizados.
O candidato argumentou que ninguém deveria estar acima da responsabilização prevista em lei, independentemente do poder ao qual pertença.
“Toda pessoa, de qualquer poder, que tenha praticado um crime, deve ser punida. Se ele praticou o crime dentro do Supremo Tribunal Federal, ele também deveria ter uma ação do colegiado.”
Caiado também mencionou o papel do Senado Federal nesse processo.
“E também o Senado Federal, pela população brasileira, tem essa prerrogativa que poderá exercê-lo.”
A declaração foi dada no contexto de uma pergunta sobre eventuais investigações contra integrantes do Supremo.

E a “taxa das blusinhas”?
Outro tema abordado durante a agenda foi a cobrança de impostos sobre produtos importados de plataformas de varejo, popularmente conhecida como “taxa das blusinhas”.
Caiado defendeu medidas de proteção à produção brasileira e argumentou que o crescimento econômico do país precisa estar relacionado à própria atividade produtiva nacional.
“Todo país tem a responsabilidade de fazer um sistema que proteja aquilo que gera emprego, que gera renda, para que o Estado possa crescer.”
Em seguida, resumiu sua posição:
“Eu não vou crescer com o PIB da China. Eu vou crescer com o PIB brasileiro. É óbvio.”
A chamada “taxa das blusinhas” envolve a cobrança de impostos sobre compras internacionais de pequeno valor e se tornou um dos temas recorrentes no debate sobre concorrência entre produtos importados e empresas brasileiras.

Caiado defende regras mais duras para as bets
Questionado sobre o avanço das bets e os problemas financeiros associados ao vício em apostas, Caiado defendeu uma regulamentação mais rígida do setor.
O candidato classificou a dependência em jogos como uma doença e utilizou o termo ludopatia, associado ao transtorno relacionado ao jogo.
“Além de ser uma doença que está no Código Internacional de Doenças. É uma ludopatia.”
Caiado comparou a dependência causada pelo jogo à de outras substâncias e afirmou que o setor precisa de regras mais rígidas.
“Então, isso não pode ser de forma tão extensiva como está sendo colocada aí o que tem. Realmente, [precisa de] um regramento duro para que isso não continue.”
O tema ganhou espaço no debate público brasileiro diante do aumento das apostas on-line e das discussões sobre endividamento, saúde mental e impacto das bets na renda das famílias.

Debate vira alvo de disputa na campanha
A participação — ou ausência — dos principais candidatos nos debates deve continuar sendo um dos assuntos da campanha eleitoral.
Para Caiado, o confronto direto é uma oportunidade para que o eleitor conheça posições, propostas e respostas dos candidatos antes de decidir o voto.
A crítica feita nesta quinta-feira, portanto, faz parte da própria estratégia do candidato de colocar o debate presidencial no centro da disputa eleitoral.
A declaração, porém, é uma avaliação política de Caiado sobre seus adversários e não comprova que Lula ou Flávio Bolsonaro tenham evitado o debate por qualquer razão relacionada às acusações feitas por ele.
Entenda o contexto
Ronaldo Caiado, candidato do PSD à Presidência da República, realizou nesta quinta-feira (20) uma agenda de campanha no Brás, região central de São Paulo, e aproveitou a passagem pela capital paulista para falar sobre diferentes temas da corrida eleitoral. Entre eles, criticou a ausência de Lula e Flávio Bolsonaro no primeiro debate presidencial, marcado para domingo (23), e afirmou que os dois adversários teriam “muito a esconder”.
Caiado também defendeu que a participação dos candidatos em debates deveria ser obrigatória. Durante a agenda, o candidato respondeu ainda a perguntas sobre o Supremo Tribunal Federal, defendendo responsabilização de ministros caso cometam crimes, e sobre a chamada “taxa das blusinhas”, argumentando que políticas econômicas devem proteger a produção e os empregos brasileiros.
As bets também entraram na conversa. Caiado classificou a dependência em jogos como ludopatia e defendeu regras mais rígidas para o setor diante dos problemas financeiros e sociais associados às apostas. As declarações fazem parte da estratégia eleitoral do candidato e representam suas próprias posições sobre os temas discutidos.