O Vasco da Gama entra em campo hoje, às 19h, em Assunção, para decidir contra o Olimpia uma vaga nas quartas de final da Copa CONMEBOL Sul-Americana. O jogo de volta, no Estádio Defensores del Chaco, coloca pressão máxima sobre um elenco reduzido por lesões, limitações de inscrição e risco de suspensões.
Vasco joga a sobrevivência com elenco no limite
A partida concentra boa parte das atenções da torcida cruz-maltina nesta quinta-feira. A permanência na competição continental vale prestígio esportivo, visibilidade internacional e receita importante em premiações, direitos de transmissão e exposição de patrocinadores.
O time chega ao Paraguai sabendo que a margem para erro é mínima. O Olimpia joga em casa e carrega a confiança de quem já segurou o Vasco no confronto de ida, disputado em São Januário em 30 de abril, e agora tenta confirmar a classificação diante de sua torcida.
O técnico vascaíno aposta em uma espinha dorsal experiente, cercada por peças mais jovens, para tentar suportar a pressão no Defensores del Chaco. A provável formação tem Léo Jardim; Puma Rodríguez, Carlos Cuesta, Robert Renan e Cuiabano; Barros, Thiago Mendes e Ramon Rique; David, Adson e Andrés Gómez.
No banco, o clube relaciona jogadores como Avelar, Bruno André, Fuzato, Lucas Freitas, Lucas Piton, Marin, Nuno Moreira, Pablo, Paulo Henrique, Samuel, Spinelli, Tchê Tchê e Zuccarello, além de promessas da base conhecidas como “Cria da Colina”. O desafio é extrair competitividade máxima de um grupo numeroso, mas com lacunas em setores chave.
Lesões, inscrições e cartões mudam a estratégia
O cenário de desfalques obriga a comissão técnica a redesenhar a estratégia. O Vasco tem três baixas confirmadas por lesão: Mateus Carvalho, Jair e Rojas. No clube, ninguém esconde que a ausência de Jair pesa no equilíbrio da equipe, tanto pela qualidade técnica quanto pela liderança em campo.
“Jair sofreu um estiramento na musculatura adutora da coxa direita durante a partida contra o Santos, no último domingo”, informa o departamento médico, que mantém o volante em tratamento em tempo integral. A lesão tira do time uma das principais referências no meio-campo.
O setor também perde o paraguaio Rojas, que vinha sendo alternativa importante na rotação do elenco. “Rojas também virou desfalque após sentir dores durante uma sessão de treinamento”, comunica o clube. Exame de imagem identificou edema na musculatura anterior da coxa direita, e o jogador segue em recuperação.
As ausências não param nas questões médicas. Sosa e Colidio ficam fora por um motivo mais burocrático: ambos não foram inscritos a tempo na Copa CONMEBOL Sul-Americana. A falha de planejamento reduz ainda mais as opções ofensivas em uma noite em que o gol fora de casa pode valer muito em termos anímicos, mesmo sem regra especial de desempate.
No ataque, Adson e Andrés Gómez disputam vaga entre os titulares. O treinador avalia se escala os dois juntos, em formação mais agressiva, ou se preserva uma alternativa de velocidade para o segundo tempo. A decisão passa pelo desenho de jogo esperado em Assunção e pela forma física de cada jogador.
Pressão em Assunção e riscos para a sequência
A noite no Defensores del Chaco promete ser intensa, dentro e fora de campo. O Olimpia aposta na força de sua torcida e na tradição em competições sul-americanas para impor ritmo alto desde o início. O Vasco tenta controlar a ansiedade, especialmente entre os mais jovens, em um ambiente acostumado a decisões.
A situação disciplinar acrescenta outra camada de tensão. “Tchê Tchê, Thiago Mendes e Lucas Freitas entram em campo pendurados”, lembra a comissão técnica em reuniões internas. Um novo cartão amarelo significa suspensão automática em eventual próximo jogo, caso o time avance.
Essa possibilidade pesa na escalação e na forma de marcar. Jogadores de meio-campo e defesa, responsáveis por conter contra-ataques, precisam atuar com intensidade, mas sem exagerar nas faltas. Qualquer descontrole pode comprometer não apenas o duelo de hoje, mas também a formação da equipe em uma eventual quartas de final.
Na prática, o jogo de Assunção funciona como um teste de maturidade para o projeto vascaíno na temporada. Uma classificação mantém vivo o discurso de reconstrução competitiva em nível continental e ajuda a sustentar o ambiente político e financeiro no clube. Uma eliminação obriga a diretoria a recalibrar planos, focar competições nacionais e, possivelmente, rever prioridades no mercado de transferências.
A transmissão ao vivo pelo serviço de streaming Paramount+ amplia a vitrine. Torcedores espalhados pelo Brasil e por outros países acompanham cada lance, o que aumenta a pressão por desempenho e reduz a margem para atuações discretas de jogadores e comissão técnica.
As horas que antecedem o confronto são de ajustes finos: conversa com o elenco, revisão de bolas paradas, análise de vídeos do adversário e monitoramento físico dos atletas. A partir do apito inicial, o Vasco precisa provar, em 90 minutos no Paraguai, que consegue superar o peso dos desfalques e da casa cheia para seguir vivo na Copa CONMEBOL Sul-Americana.