Exposição revela como Brasília mudou desde a construção até a cidade de hoje

Mostra no Museu Nacional reúne fotografias, documentos, maquetes e obras para reconstruir diferentes momentos da transformação da capital federal
Redação NC News
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Brasília é conhecida pelos monumentos de Oscar Niemeyer, pelo desenho de Lúcio Costa e pela arquitetura modernista que ajudou a transformar a capital federal em um dos principais símbolos urbanos do Brasil.

Mas a cidade que milhões de pessoas conhecem hoje começou muito antes de estar pronta.

É justamente essa transformação que a exposição “Utopias em construção: Brasília nas dobras do tempo” apresenta ao público no Museu Nacional da República. A mostra reúne registros históricos e produções contemporâneas para contar como a capital saiu dos primeiros canteiros de obras e ganhou as formas que possui atualmente.

Fotos mostram uma Brasília que pouca gente conhece

O acervo reúne cerca de 120 trabalhos, entre fotografias históricas, documentos, desenhos, projetos arquitetônicos, maquetes e obras de arte.

O visitante consegue acompanhar diferentes fases da formação da cidade, incluindo imagens de edifícios ainda em construção, registros da inauguração de Brasília e momentos posteriores da ocupação do território.

O contraste entre essas imagens e a paisagem atual ajuda a perceber o tamanho da transformação.

Espaços que hoje parecem completamente integrados à rotina da capital aparecem nos registros históricos ainda cercados pelo Cerrado, em meio às obras que deram origem à nova cidade.

Brasília em diferentes momentos de sua história: da construção da nova capital à paisagem que se tornou símbolo do Brasil.

Do projeto à cidade

A exposição também recupera documentos relacionados ao desenvolvimento do Plano Piloto e à construção de alguns dos principais símbolos de Brasília.

Entre os espaços retratados estão a Catedral Metropolitana e o Palácio Itamaraty, além de outros projetos ligados à formação da capital.

A proposta é mostrar que Brasília não surgiu pronta.

A cidade foi sendo construída a partir de projetos, decisões políticas, experimentações arquitetônicas e transformações sociais que continuaram mesmo depois da inauguração.

 

Maquetes transformam projetos em realidade

Um dos destaques da mostra são as maquetes produzidas especialmente para representar obras de Oscar Niemeyer.

Os modelos foram desenvolvidos para transformar desenhos e documentos arquitetônicos em objetos tridimensionais que podem ser observados de diferentes ângulos pelos visitantes.

Parte das estruturas foi produzida com impressão 3D, enquanto outros componentes utilizaram madeira, PVC expandido e materiais tradicionais da arquitetura.

A ideia é permitir que o público compreenda projetos que, originalmente, existiam apenas no papel.

 

História e arte dividem o mesmo espaço

A exposição foi realizada pelo Metrópoles Arte em parceria com o Arquivo Público do Distrito Federal (ArPDF).

A curadoria é assinada por Marcus Lontra, Marília Panitz e Rafael Peixoto.

Um dos diferenciais da mostra é justamente colocar documentos históricos em diálogo com produções modernas e contemporâneas. Dessa maneira, o visitante não encontra apenas uma exposição documental, mas uma interpretação artística da memória da capital.

Para o curador Rafael Peixoto, a ideia é apresentar a história do território desde antes da fundação de Brasília até os dias atuais, tratando a própria ideia de “utopia” como algo que continua sendo construído.

Uma viagem pela memória de Brasília

A mostra também procura mostrar que a história da capital não termina na inauguração.

Brasília continuou mudando, crescendo e incorporando novas formas de ocupação ao longo das décadas.

Por isso, o percurso permite observar o projeto idealizado, a cidade construída e as transformações que vieram depois.

Mais do que mostrar prédios famosos, a exposição propõe uma reflexão sobre como uma cidade planejada se transforma quando passa a ser habitada por milhões de pessoas.

 

ENTENDA O CONTEXTO

Brasília foi inaugurada em 1960 e nasceu de um projeto modernista que envolveu nomes como Lúcio Costa, Oscar Niemeyer e Athos Bulcão.

A exposição “Utopias em construção” recupera parte dessa trajetória por meio de documentos, fotografias, projetos e obras contemporâneas, permitindo ao público comparar diferentes momentos da capital.

O resultado é uma espécie de viagem no tempo: uma Brasília ainda em construção aparece lado a lado com a cidade que conhecemos hoje.

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