Operação na Amazônia apreende quase 2,5 mil m³ de madeira e interdita garimpos ilegais; prejuízo chega a R$ 19 milhões

Ação das Forças Armadas no Pará e Amapá também interditou uma pista clandestina, fiscalizou mais de 1,8 mil veículos e embarcações e realizou mais de 1,2 mil atendimentos de saúde
Redação NC News
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Uma operação que reuniu Exército, Marinha, Força Aérea e órgãos de fiscalização terminou com um prejuízo estimado em mais de R$ 19 milhões para organizações criminosas que atuam no Pará e no Amapá.

A Operação Conjunta Ágata Amazônia Oriental, coordenada pelo Ministério da Defesa entre os dias 1º e 7 de agosto, resultou na interdição de garimpos ilegais, apreensão de quase 2,5 mil metros cúbicos de madeira e fechamento de uma pista clandestina.

A ofensiva também envolveu fiscalização de rios, estradas e áreas de fronteira, além de levar atendimento médico e odontológico a comunidades de difícil acesso.

Ao todo, 932 militares das Forças Armadas e 168 agentes de instituições parceiras participaram das ações.

Quase 2,5 mil m³ de madeira são apreendidos no Pará

Um dos principais resultados da operação ocorreu no município de Breves, no Pará.

Militares do 4º Distrito Naval abordaram o empurrador Trevo e a balsa Xamã, que transportavam aproximadamente 2.500 metros cúbicos de madeira sem a documentação exigida.

A carga foi apreendida após a fiscalização confirmar a irregularidade.

Além da apreensão, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará aplicou uma multa de R$ 124.939,18.

Outras autuações ocorreram em Óbidos, onde as multas somaram R$ 49.320.

Garimpos ilegais e pista clandestina entram na mira

No Amapá, as forças de segurança concentraram parte das ações no combate a atividades ilegais em áreas de floresta e regiões próximas à fronteira.

A 22ª Brigada de Infantaria de Selva fiscalizou mais de 1.300 veículos, embarcações e pessoas.

Durante as ações, foram encontrados materiais utilizados em garimpos ilegais, que acabaram interditados. Uma pista clandestina também foi fechada.

O trabalho contou com apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

A presença militar foi reforçada em áreas consideradas estratégicas, especialmente em rios e regiões de difícil acesso.

Rios também viraram pontos de fiscalização

As ações não ficaram restritas às estradas.

Militares realizaram patrulhas fluviais em localidades como Vila Brasil, Três Saltos, Ilha Bela, Foz do Rio Anotaie, Parque Nacional do Cabo Orange e Taparabu, no extremo norte do Amapá.

No Rio Oiapoque, foram instalados postos de controle e interdição fluvial. A região tem importância estratégica por estar próxima à fronteira com a Guiana Francesa.

Também houve reconhecimento aéreo e atendimento à população da Terra Indígena Boca do Marapi.

Na BR-156, postos de bloqueio e fiscalização foram montados em conjunto com a Polícia Rodoviária Federal.

Na Ponte Binacional, que liga o Brasil à Guiana Francesa, as equipes atuaram com a Receita Federal e a Vigilância Sanitária.

Mais de 500 embarcações foram fiscalizadas

A Marinha realizou 506 inspeções em embarcações durante a operação.

Desse total, 77 foram notificadas por irregularidades relacionadas à segurança da navegação.

O patrulhamento teve como objetivo não apenas encontrar cargas ilegais, mas também ampliar o controle sobre a circulação de embarcações em uma região em que os rios funcionam como verdadeiras estradas.

É justamente essa característica da Amazônia que torna as operações de fiscalização particularmente complexas: grandes distâncias, comunidades isoladas e uma extensa rede de rios que conecta áreas urbanas, rurais e regiões de fronteira.

Força Aérea transportou sete toneladas de materiais

A dimensão da operação também exigiu uma estrutura logística própria.

A Força Aérea Brasileira realizou missões de transporte de pessoal e equipamentos para sustentar as equipes espalhadas pela região.

Ao todo, aproximadamente sete toneladas de materiais foram transportadas.

Foram empregadas aeronaves como o C-97 Brasília e o C-98 Caravan, além de operações realizadas pelo Esquadrão Zeus.

A logística aérea é especialmente importante em áreas onde deslocamentos terrestres podem levar horas ou até dias.

Operação também levou atendimento médico à população

Além da repressão aos crimes ambientais e transfronteiriços, a operação levou serviços de saúde para comunidades que enfrentam dificuldades de acesso à assistência médica.

Foram realizados 1.236 atendimentos médicos e odontológicos e 348 testes rápidos.

As equipes também distribuíram 2.588 medicamentos e entregaram 380 kits de higiene bucal. Houve ainda palestras sobre saúde mental e prevenção de doenças.

Seis localidades receberam ações de assistência hospitalar e ações cívico-sociais.

No Pará, os atendimentos ocorreram em Outeiro, Acará, Ilha do Cotijuba e Oriximiná. No Amapá, as equipes estiveram na Comunidade do Espírito Santo, em Oiapoque, e na Aldeia Aramirã, em Pedra Branca do Amapari.

Universidades também participaram

As ações de saúde contaram com apoio do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) e de estudantes voluntários.

Alunos dos cursos de Medicina, Enfermagem, Psicologia, Farmácia e Fisioterapia da Universidade Federal do Amapá (Unifap) participaram das atividades.

Também houve participação de estudantes de Odontologia da Faculdade Anhanguera de Macapá.

A estrutura permitiu levar atendimento para locais onde a presença regular de serviços de saúde é mais difícil.

Como funcionou a operação?

A Ágata Amazônia Oriental foi dividida em quatro fases: preparação, concentração de meios, ações repressivas e reversão.

Primeiro, foram definidos os alvos e estabelecida a coordenação entre as instituições envolvidas.

Depois, militares, aeronaves, embarcações e equipes de fiscalização foram deslocados para os pontos considerados estratégicos.

A terceira etapa concentrou as operações contra atividades como garimpo ilegal, crimes ambientais e outros ilícitos transfronteiriços.

Por fim, ocorreu a retirada gradual dos meios empregados na operação.

Entenda o contexto

A Operação Conjunta Ágata Amazônia Oriental faz parte das ações de presença e fiscalização do Estado em áreas estratégicas da Amazônia e da faixa de fronteira.

No Pará e no Amapá, a operação combinou patrulhamento terrestre, fluvial e aéreo para combater crimes ambientais e transfronteiriços, ao mesmo tempo em que levou serviços de saúde a comunidades de difícil acesso.

O resultado divulgado pelas Forças Armadas reúne apreensões de madeira, interdições de garimpos e de uma pista clandestina, fiscalizações de embarcações e veículos e mais de mil atendimentos médicos e odontológicos.

O balanço estima que as ações tenham provocado mais de R$ 19 milhões em prejuízos às organizações criminosas, embora o valor represente uma estimativa dos danos econômicos causados às atividades ilegais atingidas pela operação.

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