A disputa pelo Governo de São Paulo ganhou um novo capítulo com a divulgação do novo levantamento do Datafolha. A pesquisa coloca novamente o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) na frente, mas mostra como a entrada oficial da campanha pode alterar o cenário que vinha sendo desenhado nos levantamentos anteriores.
O levantamento é especialmente aguardado porque é o primeiro Datafolha a medir diretamente Tarcísio e Fernando Haddad (PT) depois da consolidação das candidaturas e do início oficial da campanha eleitoral. A pesquisa ouviu 1.610 eleitores.
Tarcísio larga na frente
Na pesquisa anterior do Datafolha, divulgada em julho, Tarcísio aparecia com 46% das intenções de voto, enquanto Haddad tinha 30%.
O governador também alcançava 52% dos votos válidos, contra 34% do petista. Naquele momento, porém, o instituto fazia a ressalva de que a distância para a eleição e a margem de erro não permitiam cravar uma vitória em primeiro turno.
O novo levantamento é importante justamente por medir a disputa em uma etapa mais avançada do calendário eleitoral.
A diferença que chama atenção
Na rodada anterior, Tarcísio tinha 16 pontos de vantagem sobre Haddad.
A nova pesquisa permite avaliar se essa distância se mantém, aumenta ou diminui depois do início da campanha.
Esse movimento é acompanhado de perto porque São Paulo representa o maior colégio eleitoral do país e também é considerado um dos principais palcos da disputa política nacional em 2026.
Haddad tenta transformar cenário
Haddad chega à disputa como o principal nome do campo governista no Estado. O ex-ministro da Fazenda e ex-prefeito de São Paulo deixou o governo federal para disputar o Palácio dos Bandeirantes e foi oficializado pelo PT em uma chapa que tem Márcio França (PSB) como candidato a vice-governador.
A estratégia petista é nacionalizar parte da campanha e explorar temas como economia, segurança, tarifas, emprego e privatizações, além de utilizar a presença de Lula para tentar ampliar a força eleitoral do partido no Estado.
O cenário anterior já mostrava vantagem de Tarcísio
Antes do novo Datafolha, outros levantamentos também apontavam Tarcísio à frente.
Na pesquisa Genial/Quaest divulgada em julho, o governador tinha 41%, contra 26% de Haddad no primeiro turno.
Em uma simulação de segundo turno entre os dois, Tarcísio aparecia com 48%, enquanto Haddad registrava 32%.
A sequência de pesquisas, portanto, mostra uma disputa em que o atual governador parte de uma posição mais confortável, enquanto a campanha petista tenta reduzir a diferença.
Por que esta pesquisa é importante?
O novo levantamento do Datafolha chega em um momento diferente daquele registrado nas primeiras pesquisas do ano.
Agora, os principais nomes estão definidos, as campanhas ganharam as ruas e os eleitores começam a receber mais informações sobre propostas, alianças e confrontos entre os candidatos.
É justamente nessa fase que o conhecimento dos candidatos pode aumentar e o eleitor indeciso começar a escolher um nome.
Em julho, por exemplo, o Datafolha apontava que 3% dos entrevistados ainda estavam indecisos, enquanto 8% declaravam voto branco, nulo ou em nenhum candidato.
A disputa está longe de terminar
Apesar da vantagem de Tarcísio nos levantamentos anteriores, a pesquisa não deve ser interpretada como uma previsão do resultado das urnas.
O cenário eleitoral ainda pode mudar com o avanço da campanha, principalmente diante de debates, propaganda eleitoral, alianças, ataques entre candidatos e mudanças na avaliação dos governos estadual e federal.
Em 2022, o próprio histórico paulista mostrou como uma disputa pode mudar de direção durante a campanha: naquele ano, pesquisas do Datafolha chegaram a apontar Fernando Haddad na frente de Tarcísio, mas o atual governador terminou eleito.
ENTENDA O CONTEXTO
Tarcísio de Freitas busca a reeleição e tenta manter o comando do Estado. Do outro lado, Fernando Haddad representa o PT e a base do presidente Lula na disputa paulista.
O confronto também tem peso nacional. São Paulo concentra o maior eleitorado do país e é considerado estratégico tanto para o projeto de reeleição de Tarcísio quanto para a tentativa do PT de recuperar o governo estadual.
A nova rodada do Datafolha, portanto, funciona como uma fotografia do momento — e não como resultado antecipado da eleição.