Paraná Pesquisas prevê abstenção histórica e aponta impacto na disputa entre Lula e Flávio

Abstenção recorde pode influenciar disputa entre Flávio Bolsonaro e Lula no segundo turno presidencial.
Redação NC News
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O diretor do Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, afirmou nesta sexta-feira (21) que o segundo turno das eleições presidenciais de 2026 pode registrar uma abstenção histórica. Segundo ele, um cenário de baixa participação do eleitorado tende a favorecer o senador Flávio Bolsonaro (PL) em uma eventual disputa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A declaração foi feita durante o 25º Fórum Empresarial do Lide, no Rio de Janeiro.

Desmotivação e ausência de 2º turno nos Estados

No painel realizado em um hotel na zona sul do Rio, o pesquisador descreve um cenário de desmobilização inédita. Ele afirma que a temperatura política cai de forma acentuada quando governadores já se elegem no 1º turno e deixam de puxar votos para a eleição presidencial.

“Falo isso em cima da desmotivação [do eleitor], da falta de proposta [dos candidatos] e do grande número de Estados em que não teremos 2º turno para governador, porque isso deve desmobilizar muito o 2º turno para presidente”, diz Hidalgo, diante de uma plateia de empresários e dirigentes políticos.

O diretor cita Ceará, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Piauí, além de São Paulo e Rio de Janeiro, como exemplos de Estados que tendem a decidir o governo já na primeira rodada. A avaliação é que, sem disputas locais acirradas, a segunda etapa da corrida ao Planalto perde capilaridade nas bases eleitorais.

Nordeste pode ter até 75% de abstenção para governador

O alerta mais forte recai sobre o Nordeste, região decisiva em eleições recentes. Hidalgo calcula que o comparecimento às urnas para governador no 2º turno pode despencar a níveis sem precedentes.

“Estamos falando, provavelmente, em 75% do eleitorado do Nordeste que não votarão no 2º turno para governador”, afirma. Pela lógica descrita por ele, essa fuga do eleitorado estadual se espalha para a disputa presidencial, reduzindo o total de votos válidos e ampliando o peso relativo de bases mais mobilizadas.

A projeção coloca em xeque o patamar de participação tradicional na região, que costuma registrar índices de votação elevados e, historicamente, concentra forte presença de eleitores simpatizantes de Lula e do PT. A desmobilização, nesse quadro, tende a atingir com mais força campanhas que dependem de redes locais amplas e de militância ativa.

Vantagem de Flávio Bolsonaro na baixa participação

Ao relacionar o comportamento do eleitor à disputa nacional, Hidalgo sustenta que Flávio Bolsonaro leva vantagem em um 2º turno esvaziado. O raciocínio é que o eleitor mais engajado e decidido tende a se manter nas urnas, enquanto o voto desmotivado, mais volátil, se afasta.

Essa dinâmica, na leitura do pesquisador, beneficia o candidato do PL, cuja base mostra maior disposição para participar mesmo em ambiente adverso. Entre lulistas, a fadiga com a política, a sensação de promessa não cumprida e a ausência de propostas novas pesam contra a mobilização.

O ambiente de campanha que se desenha é descrito como “mais frio”, com menos ruas tomadas por bandeiras, menor presença de cabos eleitorais e redução da influência de lideranças regionais. Sem a pressão simultânea de disputas locais, a decisão sobre o presidente migra para o voto de quem se mantém ligado à política no dia a dia.

Rejeição, imagem e legitimidade do eleito

O CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, também participa do debate e chama atenção para outro fator decisivo: a rejeição aos candidatos. Ele aponta que a imagem pública de Lula e de Flávio Bolsonaro, marcada por forte polarização, afasta parte do eleitorado e alimenta o desejo de abstenção ou voto em branco.

As projeções de participação ganham relevância porque, em disputas apertadas, poucos pontos percentuais de abstenção podem definir o resultado. Numa eleição nacional em que milhões deixam de votar, a margem de vitória se estreita, mas o vencedor governa com um universo menor de eleitores efetivamente mobilizados.

Esse quadro abre nova frente de preocupação entre partidos, analistas e organizações da sociedade civil. A possível combinação de alta rejeição, baixa participação e campanha morna ameaça a percepção de legitimidade do próximo presidente e pode alimentar contestações políticas, mesmo em processos reconhecidos como regulares pela Justiça Eleitoral.

Desafio para campanhas e sistema político

A leitura de Hidalgo e Roman pressiona siglas e candidatos a repensar estratégias já nos próximos meses. PL e aliados de Flávio Bolsonaro tendem a enxergar na baixa participação uma oportunidade de consolidar o núcleo duro de apoiadores, investindo em mobilização direta, redes sociais e presença em nichos ideológicos fidelizados.

No campo de Lula, o alerta é mais grave. A campanha precisa encontrar formas de reaquecer o eleitorado que deu sustentação a vitórias anteriores, especialmente no Nordeste. Sem disputas estaduais fortes, o desafio se desloca para propostas concretas, agenda econômica clara e retomada de laços com movimentos sociais e lideranças locais.

O debate travado hoje no Fórum Empresarial do Lide antecipa uma pauta que deve dominar o calendário político: como impedir que o 2º turno presidencial de 2026 seja decidido por uma minoria altamente mobilizada, enquanto a maioria opta por ficar em casa. A resposta passa por campanhas mais propositivas, reformas no sistema eleitoral e políticas permanentes de educação cívica que vão muito além do calendário da urna.

 

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