O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou, nesta sexta-feira (21), de um ato político na Praça da Estação, no Centro de Belo Horizonte, que marcou o lançamento da candidatura de Patrus Ananias ao governo de Minas Gerais. O evento reuniu ainda o vice-presidente Geraldo Alckmin, a primeira-dama Janja Lula da Silva e as candidatas ao Senado Marília Campos (PT) e Áurea Carolina (PSOL).
A agenda teve discursos com foco nas eleições de 2026, mas também abordou temas como combate à fome, educação, saúde, mineração, soberania nacional, privatizações e a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos.
Marília e Áurea destacam mulheres e mineração
Candidata ao Senado, Marília Campos abriu os discursos defendendo maior participação das mulheres na política e o combate à violência contra a mulher. Ela afirmou que, se eleita, pretende propor leis e medidas para ampliar a segurança feminina.
Áurea Carolina, também candidata ao Senado, concentrou a fala nos impactos da mineração em Minas Gerais. A candidata do PSOL criticou a atuação das empresas do setor e disse que pretende, ao lado de Lula, combater o que classificou como uma “máfia da mineração”.

Janja defende alimentação escolar
A primeira-dama Janja Lula da Silva começou o discurso saudando as mulheres e lembrando figuras femininas que marcaram a história de Minas, como a escritora Adélia Prado, a ex-vereadora Helena Greco e a ex-presidente Dilma Rousseff.
Janja deu destaque às políticas de combate à fome e à alimentação escolar. Segundo ela, cerca de 40 milhões de crianças e jovens recebem refeições nas escolas brasileiras.
Ela também defendeu a ampliação das escolas em tempo integral como forma de aumentar as oportunidades para os estudantes e permitir que mães possam trabalhar e estudar com a garantia de que os filhos estejam cuidados e alimentados.

Patrus promete reestatização da Copasa e mantém Cemig pública
No discurso que marcou oficialmente sua candidatura ao governo de Minas, Patrus Ananias afirmou que recebeu de Lula o convite para disputar a eleição e disse que quer “resgatar a história e a dignidade” do estado.
O candidato apresentou três prioridades para um eventual governo: saúde, educação e aproveitamento das riquezas minerais de Minas.
Na saúde, criticou a situação do SUS e defendeu uma maior integração entre os governos federal, estadual e municipais. Patrus prometeu ampliar a estrutura de atendimento público e valorizar profissionais da saúde.
Na educação, afirmou que pretende ampliar o acesso desde a educação infantil até o ensino técnico e fortalecer instituições estaduais, como a Unimontes e a UEMG.
Mas um dos principais momentos do discurso foi quando Patrus falou sobre a Copasa. Ele afirmou que pretende rediscutir a privatização da companhia e buscar formas de devolver o controle ao Estado.
“Nós vamos rediscutir a estatização da Copasa. Mas não será um passe mágico”, afirmou.
Patrus reconheceu que uma eventual reestatização poderia levar anos, devido às questões econômicas e jurídicas. Segundo ele, o primeiro passo seria cobrar da empresa que adquiriu a companhia o cumprimento das obrigações previstas no processo de privatização.
O candidato lembrou que votou contra a privatização e defendeu água e saneamento como serviços públicos fundamentais.
Patrus também afirmou que a Cemig não será privatizada em um eventual governo dele.
Terras raras e soberania
Outro ponto destacado pelo candidato foi a exploração das terras raras e de outras riquezas minerais encontradas em Minas.
Patrus defendeu que o estado deixe de ser apenas exportador de matéria-prima e passe a industrializar os produtos localmente, agregando valor e gerando riqueza e empregos.
“Nós não podemos continuar sendo o Estado exportador de matéria-prima”, afirmou.
Segundo Patrus, as riquezas minerais devem servir ao povo mineiro e brasileiro, com respeito ao meio ambiente. Ele também defendeu uma parceria com o governo federal para ampliar a industrialização desses recursos.

Lula fala sobre Trump e tarifa dos EUA
Lula também comentou a ligação telefônica que teve com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Segundo o presidente brasileiro, ele contestou os argumentos utilizados pelo governo americano para justificar a taxação de produtos brasileiros. Lula citou, entre as justificativas questionadas, alegações relacionadas ao desmatamento e ao trabalho escravo.
O presidente afirmou que Trump reconheceu os argumentos apresentados pelo Brasil e pediu que os representantes comerciais dos dois países retomassem as conversas.
“Ele reconheceu e hoje ele já pediu pro secretário de Comércio ligar pro nosso Márcio e já marcar uma reunião”, disse Lula.
O presidente também afirmou que Brasil e Estados Unidos podem trabalhar juntos no combate ao crime organizado e ao tráfico de drogas. Ao mesmo tempo, fez uma ressalva sobre a relação entre os dois países.
“Agora, nós queremos trabalhar junto. O que nós não queremos é interferência”, declarou.
“Nossa missão ainda não acabou”, complementou
Lula dedicou boa parte do discurso à defesa de sua trajetória política e das políticas sociais de seus governos. Ele afirmou que gosta de falar sobre o passado porque considera que conhecer a história é necessário para construir o futuro.
“Eu gosto de falar do passado porque tem gente que não tem passado, não tem presente e fica fingindo falar do futuro. Quem não tem passado e não tem presente não tem perspectiva no futuro”, afirmou.
O presidente disse que decidiu disputar novamente a Presidência porque considera que sua missão ainda não terminou.
“Eu sou candidato pela quarta vez a presidente da República deste país. Porque ainda não terminamos a nossa missão”, declarou.
Lula citou ações de seus governos nas áreas de saúde, educação e combate à fome e afirmou que ainda há muito a ser feito.
Brasil não pode depender de outros países
Ao falar sobre educação e tecnologia, Lula defendeu que crianças e jovens tenham acesso à formação necessária para atuar em áreas estratégicas.
Ele afirmou que o Brasil precisa desenvolver sua própria tecnologia e não depender de outros países, especialmente China e Estados Unidos, para avançar em áreas como inteligência artificial.
“Eu quero que você seja engenheira, que você tenha matemática, que você estude tudo, mundo digital, porque o Brasil não vai ficar dependendo nem da China, nem dos Estados Unidos para fazer a sua inteligência artificial”, afirmou.
Lula também disse que conhecimento adquirido na universidade precisa ser transformado em inteligência e aplicado em benefício da população.
Lula encerra discurso falando em “revolução”
No fim do discurso, Lula afirmou que pretende promover uma transformação social sem violência. O presidente chamou essa mudança de “revolução” e disse que ela deve ocorrer no comportamento, nos procedimentos e na forma de contar a história do país.
“A revolução que nós queremos fazer, sem dar um tiro, sem matar e nem ferir ninguém, é a revolução do comportamento. É a revolução do procedimento. É a revolução da narrativa. É a revolução de que a gente não tem que ter medo”, afirmou.
O ato na Praça da Estação marcou o início da mobilização eleitoral de Patrus Ananias em Minas Gerais e reuniu lideranças nacionais e estaduais do campo político que apoia Lula para a disputa de 2026.