O depoimento de Felipe Eduardo dos Santos Silva, de 23 anos, um dos entregadores presos pela morte do ciclista Cláudio Rafael Landeiro, trouxe novos detalhes sobre a agressão ocorrida em Copacabana, na Zona Sul do Rio.
Segundo o relato prestado à polícia, Felipe admitiu ter segurado e chutado a vítima, mas afirmou que deixou o local antes da sequência de agressões que terminou com a morte de Cláudio. O jovem foi preso na sexta-feira (21), após se entregar às autoridades.
O que o entregador disse à polícia?
Felipe reconheceu participação na abordagem e afirmou que deu quatro chutes em Cláudio. Segundo o depoimento, ele também teria ajudado a segurar a vítima durante a ação.
O entregador, no entanto, declarou que deixou o local ao perceber que um dos seguranças poderia continuar agredindo Cláudio. A versão apresentada por ele será confrontada pelos investigadores com as imagens de câmeras de segurança e os demais depoimentos.
Vítima foi confundida com ladrão
Cláudio Rafael Landeiro, de 37 anos, foi abordado depois de ser acusado de estar com uma bicicleta que teria sido roubada.
A bicicleta, porém, pertencia à irmã da vítima. Cláudio saiu de casa com o veículo e acabou sendo confundido com um criminoso.
A partir da abordagem, ele foi levado para uma área mais isolada e sofreu uma sequência de agressões. Imagens registraram a violência e ajudaram a polícia a identificar os envolvidos.
A vítima chegou a ser socorrida e levada ao Hospital Municipal Miguel Couto, mas não resistiu aos ferimentos. O laudo apontou traumatismo craniano e hemorragia interna.
Quatro suspeitos estão presos
Com a prisão de Felipe e a entrega de Ailton José da Silva, outro entregador apontado como participante das agressões, todos os quatro suspeitos já identificados pela polícia estão sob custódia.
Além dos dois entregadores, foram presos os seguranças Davi Santos Machado e Jorge Luiz Ricardo Dias. A investigação aponta que os quatro participaram de alguma forma da ação que terminou com a morte de Cláudio.
A Polícia Civil trata o caso como homicídio triplamente qualificado. As qualificadoras apontadas são relacionadas ao meio cruel, ao motivo fútil e à impossibilidade de defesa da vítima.
Versões dos envolvidos são confrontadas
Os depoimentos dos suspeitos apresentam diferenças sobre a dinâmica da agressão. O segurança Davi Santos Machado, por exemplo, confessou ter participado da ação e afirmou à polícia que deu pauladas na cabeça de Cláudio durante o que classificou como um “ato insano”. Em uma primeira versão, ele havia negado participação nas agressões.
Já outro segurança apresentou uma versão diferente e afirmou ter tentado impedir que um colega continuasse a agressão. A polícia agora confronta os relatos com as imagens e outros elementos reunidos no inquérito.
Investigação continua
A Polícia Civil ainda apura como a falsa acusação de roubo evoluiu para a agressão que matou Cláudio e qual foi exatamente a participação de cada suspeito.
As imagens das câmeras são consideradas peças importantes da investigação. A polícia também apura a atuação dos seguranças que trabalhavam na região e busca esclarecer toda a dinâmica do crime.
Entenda o caso
Cláudio Rafael Landeiro foi espancado em Copacabana depois de ser injustamente confundido com um ladrão de bicicleta. A bicicleta que ele usava pertencia à irmã.
A agressão envolveu seguranças e entregadores. Cláudio foi levado ao hospital, mas morreu em decorrência dos ferimentos.
Agora, com os quatro suspeitos presos, a polícia busca esclarecer a participação individual de cada um e concluir o inquérito.