“Não chame a polícia”: mulher mantida em cativeiro pelo ex escreve carta à mãe

Vítima de 24 anos estava amarrada, amordaçada e com o rosto coberto em uma casa de Águas Lindas de Goiás; segundo a polícia, ela também relatou ter sido estuprada pelo ex-companheiro
Redação NC News
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Uma mulher de 24 anos foi resgatada de um cativeiro em Águas Lindas de Goiás, no Entorno do Distrito Federal, após passar dias mantida presa pelo ex-companheiro. No local, policiais militares encontraram uma carta escrita pela vítima para a mãe, com um pedido desesperado: “Não chame a polícia”.

A mensagem também fazia referência a dinheiro, ao carro da mulher e à escritura de uma casa. Em um dos trechos, ela escreveu que “Ailton vai deixar um valor de 30 a 50 mil para os meninos sobreviverem”.

O resgate aconteceu nesta sexta-feira (21), durante uma operação da Companhia de Policiamento Especializado (CPE) Entorno Oeste. O ex-companheiro de Emiliane Tamara Nunes Carvalho, identificado como Ailton Rodrigues de Souza, foi preso em flagrante.

Carta escrita pela vítima para a mãe

Mulher estava presa com correntes e cordas

Quando chegaram ao imóvel, os policiais encontraram a vítima amarrada com correntes e cordas, com o rosto coberto por uma máscara e amordaçada.

Segundo a polícia, a máscara também era utilizada para impedir que vizinhos ouvissem os gritos da mulher.

Após ser retirada do local, a vítima contou aos policiais que teria sido estuprada diversas vezes pelo ex-companheiro durante o período em que ficou em poder dele.

Ailton foi preso em flagrante pelos crimes de sequestro, cárcere privado e estupro.

Carta tinha pedido para a mãe não chamar a polícia

A carta encontrada no cativeiro chamou a atenção dos investigadores.

Logo no início, a mulher manda um “oi” para a mãe e afirma que está bem. Em seguida, pede que a parente leia a mensagem com atenção e escreve: “Não chame a polícia.”

A vítima também menciona R$ 50 mil, afirma que seu carro está quitado e fala sobre a escritura de uma casa que estaria em seu nome.

Em outro trecho, ela escreve que Ailton deixaria entre R$ 30 mil e R$ 50 mil para os filhos sobreviverem.

A polícia deve investigar em quais circunstâncias a carta foi escrita e se a vítima foi obrigada ou pressionada a produzir a mensagem.

Mulher estava desaparecida desde segunda-feira

A vítima era considerada desaparecida pela família desde segunda-feira (17). Naquele dia, ela saiu de casa para uma consulta médica e não retornou.

Segundo a Polícia Militar de Goiás, a mulher estava na região da Morada da Serra e utilizou um mototáxi para chegar até uma clínica localizada na região da Barragem 1.

Depois da consulta, câmeras de segurança registraram a mulher deixando o estabelecimento.

Aquelas imagens foram o último registro conhecido dela antes do desaparecimento.

Ex-companheiro é apontado como responsável pelo sequestro

De acordo com as informações da PMGO, a investigação indica que, depois de deixar a clínica, a mulher teria sido sequestrada pelo ex-companheiro.

Ela teria sido levada para o imóvel utilizado como cativeiro e mantida sedada durante parte do período em que permaneceu presa.

A localização da vítima permitiu que os policiais chegassem até a casa no bairro América III, onde encontraram a mulher e efetuaram a prisão de Ailton.

Investigação continua

O caso agora será investigado para esclarecer como o sequestro aconteceu, por quanto tempo a mulher permaneceu presa e todas as circunstâncias das agressões relatadas pela vítima.

A polícia também deverá analisar as circunstâncias em que a carta foi produzida e os demais elementos encontrados no imóvel.

O ex-companheiro permanece preso e deverá responder pelos crimes apontados pela polícia.

Entenda o caso

Uma mulher de 24 anos desapareceu na segunda-feira (17), depois de sair de casa para uma consulta médica. Após deixar a clínica, ela não foi mais vista.

Cinco dias depois, policiais localizaram a vítima em um imóvel de Águas Lindas de Goiás. Ela estava amarrada, amordaçada e com o rosto coberto.

No cativeiro, os policiais encontraram uma carta destinada à mãe da mulher, na qual ela pedia que a polícia não fosse chamada e mencionava dinheiro e patrimônio.

Após o resgate, a vítima relatou ter sido estuprada diversas vezes pelo ex-companheiro, que foi preso em flagrante.

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