O Norte de Minas Gerais entrou no radar das forças de segurança por causa do avanço de plantações de maconha em larga escala. Em uma das operações mais recentes, a Polícia Civil encontrou cerca de 40 mil pés da droga em uma propriedade rural de Cachoeira do Pajeú, no Vale do Jequitinhonha.
Um homem de 57 anos foi preso em flagrante durante a operação, realizada na quinta-feira (20). A área vinha sendo monitorada havia pouco mais de um mês e, segundo a polícia, contava com estruturas destinadas ao cultivo em grande escala.
O QUE ESTÁ POR TRÁS DO AVANÇO?
O caso de Cachoeira do Pajeú não é isolado. De acordo com a Polícia Civil de Minas Gerais, cinco grandes plantações já foram localizadas durante as investigações. Além de Cachoeira do Pajeú, as autoridades encontraram áreas de cultivo em Virgem da Lapa, Grão Mogol, Porteirinha e Unaí.
O tamanho das estruturas chamou atenção dos investigadores. Em vez de pequenos cultivos clandestinos, algumas propriedades tinham sistemas de irrigação, equipamentos para secagem, armazenamento e beneficiamento da droga.
POR QUE O NORTE DE MINAS?
Uma das explicações está na própria geografia. O Norte de Minas possui grandes áreas rurais, propriedades afastadas dos centros urbanos e regiões de difícil acesso. Esse cenário pode dificultar a fiscalização e permitir a instalação de plantações extensas.
Outro ponto é a necessidade de água. Em uma região marcada por períodos de estiagem, o cultivo em larga escala exige sistemas de irrigação. Em Virgem da Lapa, por exemplo, os policiais encontraram bombas de água e estruturas utilizadas para manter a plantação.
É justamente a combinação de isolamento, espaço e possibilidade de irrigação que aparece como um dos fatores que podem favorecer esse tipo de atividade criminosa.
UMA CONEXÃO COM O NORDESTE
A localização do Norte de Minas também chama atenção pela proximidade com a Bahia e com o sertão nordestino.
A região mantém conexão geográfica com áreas historicamente associadas ao cultivo ilegal de maconha, especialmente o chamado Polígono da Maconha, no entorno do Vale do São Francisco.
No mesmo período da operação em Minas, a Polícia Federal deflagrou uma nova fase da Operação Colheita Proibida na Bahia, Pernambuco e Alagoas.
A investigação federal aponta para uma estrutura envolvendo financiamento do cultivo, tráfico, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro.
NÃO É APENAS PLANTAR E COLHER
As operações realizadas em Minas revelaram algo maior: uma cadeia organizada de produção.
Em uma das propriedades investigadas, os policiais encontraram cerca de 30 mil pés de maconha, além de bombas de água, estrutura para secagem e beneficiamento, balança de precisão, embalagens e anotações relacionadas à irrigação.
Em Francisco Sá, no Norte de Minas, foram apreendidas aproximadamente 1,8 tonelada de maconha, além de uma estrutura utilizada para cultivo e processamento.
Ou seja, a suspeita não é apenas de que a droga esteja sendo cultivada. As evidências encontradas apontam para propriedades preparadas para produzir, colher, armazenar e preparar grandes quantidades para distribuição.
CINCO PLANTAÇÕES JÁ FORAM ENCONTRADAS
A operação mais recente aumentou para cinco o número de áreas de cultivo identificadas pela Polícia Civil no curso dessas investigações. A distribuição também chama atenção.
Os municípios estão espalhados pelo Norte de Minas e pelo Vale do Jequitinhonha, indicando que o fenômeno não está concentrado em uma única propriedade ou cidade.
- 40 mil — pés encontrados em Cachoeira do Pajeú
- 30 mil — pés encontrados em Virgem da Lapa
- 1,8 tonelada — maconha apreendida em Francisco Sá
- 5 — grandes plantações identificadas pela investigação
O NORTE DE MINAS VIROU UM NOVO POLO?
Ainda não é possível afirmar que o Norte de Minas tenha se transformado em um novo grande polo nacional de produção de maconha.
O que as operações comprovam, até agora, é que grandes plantações estão sendo instaladas em diferentes municípios da região e que algumas delas apresentam estruturas compatíveis com produção em larga escala.
A investigação agora tenta descobrir quem financia essas plantações, quem administra as propriedades e para onde a produção seria levada. Esse é o ponto que pode revelar o tamanho real da operação.
O QUE ACONTECE AGORA?
As investigações continuam para identificar outros envolvidos na produção e manutenção dos cultivos.
A descoberta dos 40 mil pés em Cachoeira do Pajeú representa mais um capítulo de uma sequência de operações que vem colocando o Norte de Minas no mapa das ações contra o cultivo ilegal.
ENTENDA O CONTEXTO
O avanço das plantações em Minas ocorre em uma região com extensas áreas rurais e ligação geográfica com o Nordeste.
As operações recentes encontraram não apenas plantas, mas estruturas de irrigação, secagem, armazenamento e beneficiamento. Isso indica uma possível mudança de escala na produção clandestina.
Mas a polícia ainda precisa esclarecer se as diferentes plantações fazem parte de uma mesma organização criminosa ou se são operações independentes.
Até agora, a informação confirmada é que cinco grandes áreas foram localizadas pelas autoridades e que a investigação continua para identificar os responsáveis e o destino da produção.