Aos 69 anos, Christiane Torloni relembra morte do filho e fala sobre reconstrução: “Não termina nunca”

A atriz reflete sobre perdas pessoais e enfrenta preconceitos relacionados à idade em nova peça no Rio.
Redação NC News
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Aos 69 anos, Christiane Torloni voltou a falar sobre uma das experiências mais dolorosas de sua vida: a morte do filho Guilherme, aos 12 anos, em um acidente de carro em 1991. Em entrevista recente, a atriz relembrou o processo de reconstrução após a tragédia e afirmou que conviver com a perda é uma tarefa que não termina.

Christiane está atualmente em cartaz no Rio de Janeiro com a peça “Dois de Nós”, ao lado de Antonio Fagundes, e também falou sobre envelhecimento, etarismo e sua recente aproximação com o surfe.

Christiane Torloni relembra morte do filho Guilherme

Guilherme era um dos filhos gêmeos de Christiane Torloni e do ator e diretor Dennis Carvalho. Ele morreu aos 12 anos após um acidente na garagem da casa da família, no Rio de Janeiro.

Na ocasião, Christiane manobrava uma caminhonete quando o veículo despencou de ré da garagem, de uma altura de aproximadamente 4,5 metros. Guilherme sofreu traumatismo craniano e não resistiu. Christiane e seu outro filho, Leonardo, tiveram ferimentos leves.

Mais de três décadas depois, a atriz afirma que a lembrança permanece, mas a maneira de lidar com ela muda ao longo dos anos.

“Recuperar o sentido de viver depois de ter perdido um filho foi um trabalho muito delicado. A reconstrução desse caminho é enorme, e não termina nunca”, afirmou Christiane na entrevista mais recente.

A atriz já havia falado anteriormente sobre a permanência do luto. Em entrevista de 2013, disse que a dor não desaparece completamente, mas muda de intensidade com o tempo.

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Cartas ajudaram Christiane a atravessar o luto

Depois da morte de Guilherme, Christiane contou que recebeu inúmeras cartas de pessoas que sequer conhecia. As mensagens chegaram em um período em que ela enfrentava uma das fases mais difíceis de sua vida.

Segundo a atriz, aquelas manifestações de carinho tiveram importância justamente porque vieram de pessoas que não faziam parte de seu círculo íntimo. Na entrevista atual, ela voltou a destacar esse apoio e afirmou que houve momentos em que corria o risco de desistir.

A tragédia também provocou uma mudança profunda em sua rotina. Christiane chegou a se mudar para Portugal com o filho Leonardo e passou alguns anos no país antes de retomar sua carreira no Brasil. O retorno profissional ocorreu posteriormente, com o convite para protagonizar “A Viagem”, novela exibida pela Globo em 1994.

A própria atriz já definiu a arte como fundamental para sua sobrevivência emocional após a perda.

Teatro e surfe fazem parte da nova fase

Atualmente, Christiane divide a rotina entre o teatro e uma nova paixão: o surfe.

Em “Dois de Nós”, sua personagem também passa por uma tragédia, criando um ponto de contato entre a ficção e algumas experiências pessoais da atriz. A montagem tem texto de Gustavo Pinheiro e direção de José Possi Neto. Christiane contracena pela primeira vez no palco com Antonio Fagundes, após décadas de trabalhos conjuntos na televisão.

Fora do teatro, o mar ganhou espaço na vida da atriz. Christiane afirma que está aprendendo a surfar e descreve a experiência como uma forma de tranquilidade.

“É zen”

Resumiu a atriz ao falar sobre o aprendizado de ler as ondas.

A relação com o mar aparece como uma experiência ligada ao presente, em contraste com uma trajetória marcada por lembranças dolorosas do passado.

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Christiane Torloni fala sobre envelhecimento e etarismo

Prestes a completar 70 anos, Christiane também rejeita a ideia de que o envelhecimento represente necessariamente perda de capacidade ou de desejo.

Ao comentar as mudanças provocadas pela idade, a atriz brincou:

“O colágeno vai embora, mas outras coisas melhoram.”

Ela também criticou o etarismo, que considera uma forma cruel de limitar as pessoas por causa da idade.

Aos 69 anos, Christiane mantém uma carreira ativa no teatro e celebra cinco décadas de trajetória artística. Em vez de tratar a idade como encerramento de ciclo, a atriz fala sobre novas experiências, liberdade e descobertas.

A postura também aparece na escolha de projetos. Em “Dois de Nós”, ela divide o palco com Fagundes em uma montagem que marca uma nova experiência profissional para dois artistas que já trabalharam juntos por mais de 40 anos.

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Uma história de luto que continua no presente

A experiência de Christiane Torloni ajuda a colocar em perspectiva uma característica frequentemente ignorada no debate sobre luto: algumas perdas não são simplesmente “superadas”.

A atriz não apresenta sua história como uma trajetória linear de cura. Ao contrário, fala em reconstrução permanente e em uma convivência diária com a ausência do filho.

Em 2024, ao recordar Guilherme, Christiane afirmou que a lembrança dele permanece associada à imagem de uma criança que tinha um futuro inteiro pela frente.

Agora, mais de 35 anos depois da tragédia, ela continua trabalhando, experimentando novas atividades e falando publicamente sobre aquilo que viveu. Não como quem encerrou o capítulo, mas como quem aprendeu a carregar uma história que permanece parte de sua vida.

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