Lula une Mourão para aprovar projeto dos minerais no Senado hoje

Lula busca apoio de Mourão para avançar com o projeto dos minerais críticos no Senado, enfrentando resistência da base bolsonarista.
Redação NC News
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Em pleno palanque do Quartel-General do Exército, em Brasília, Luiz Inácio Lula da Silva pede apoio a Hamilton Mourão para aprovar o projeto dos minerais críticos no Senado. O general da reserva, ex-vice de Jair Bolsonaro, responde que vota com o governo e admite que deve virar alvo de ataques bolsonaristas nas redes.

Pedido direto em meio à tropa em forma

O movimento ocorre nesta terça-feira, 25 de agosto de 2026, durante a solenidade do Dia do Soldado, data que marca o nascimento do Duque de Caxias, patrono do Exército. A cena se desenrola no palanque das autoridades, com tropas perfiladas, banda militar e medalhas sendo entregues a civis e militares.

Lula se aproxima de Mourão, hoje senador pelo Republicanos do Rio Grande do Sul, e trata do projeto de lei que regula a exploração de minerais críticos. O texto é considerado estratégico pelo Planalto, que tenta garantir a votação no Senado na próxima semana, sem alterações que obriguem o retorno à Câmara dos Deputados, onde a proposta foi aprovada em maio de 2026.

Depois da cerimônia, Mourão relata a interlocutores o conteúdo da conversa. “O PR falou comigo sobre o projeto dos minerais críticos, pedindo apoio do Senado. Só isso”, conta o senador. Em seguida, confirma que o pleito presidencial será atendido. “Falei para ele que a iniciativa tem o meu apoio”, afirma.

Mourão mede o custo político do gesto

O aceno público ao Planalto expõe a encruzilhada de Mourão, que construiu a carreira política ao lado de Bolsonaro e mantém apoio a Flávio Bolsonaro. Aliado histórico do bolsonarismo, o general da reserva sabe que qualquer gesto de aproximação com Lula tende a ser lido como traição por parte da militância mais radical.

Ao deixar o Quartel-General, ele antecipa a reação no seu próprio campo político. “Certamente vão pegar no meu pé. Hoje em dia, se o cara não está preso, já é considerado traidor…”, diz, numa síntese irônica do clima de patrulha nas redes bolsonaristas. Mesmo assim, decide manter o compromisso de votar a favor do projeto.

O gesto revela que, diante de uma pauta considerada estratégica para a política econômica e ambiental, o governo tenta furar o bloqueio ideológico e formar maioria pontual com senadores de direita. Mourão, por sua vez, busca preservar a identidade bolsonarista, mas sinaliza disposição para negociar em temas que considera de interesse nacional.

Cerimônia militar vira palco de articulação

A conversa entre Lula e Mourão se dá em um cenário carregado de simbolismo. O Dia do Soldado, celebrado em 25 de agosto, é uma das principais datas do calendário militar. A cerimônia deste ano reforça a exaltação a Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, e relembra episódios como a Guerra do Paraguai, o maior conflito armado da história da América Latina.

No palanque, dividem espaço autoridades dos Três Poderes. Estão presentes os ministros do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin e Gilmar Mendes, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, o chefe do Gabinete de Segurança Institucional, Marco Antonio Amaro dos Santos, e o ministro da Controladoria-Geral da União, Vinícius Marques de Carvalho.

Lula chega ao Quartel-General em carro vermelho, acompanhado do chefe do Cerimonial do Planalto, Fernando Igreja. Usa o chapéu que se tornou sua marca em eventos públicos, retirado durante a execução do Hino Nacional e recolocado ao fim. A primeira-dama Janja Lula da Silva não acompanha a solenidade, enquanto esposas de outras autoridades ocupam a tribuna reservada.

Projeto-chave e recado ao Senado

O projeto dos minerais críticos que mobiliza o Planalto cria regras para exploração de insumos considerados estratégicos para a transição energética, a indústria de alta tecnologia e a segurança nacional. A lista inclui, entre outros, minerais usados em baterias, semicondutores e equipamentos militares.

Ao obter um compromisso público de Mourão, o governo tenta sinalizar que a pauta pode reunir um arco mais amplo de apoios ideológicos, o que facilitaria a aprovação rápida do texto na próxima semana. A estratégia é evitar mudanças que forcem uma nova rodada de debates na Câmara, o que atrasaria investimentos planejados e abriria margem para disputas regionais por royalties e licenças.

O apoio do senador, general da reserva com forte inserção nas Forças Armadas, também tem peso simbólico em um tema que toca diretamente a soberania sobre riquezas minerais. Em conversas reservadas, auxiliares de Lula avaliam que a cena de hoje, com os dois lado a lado em um evento militar, ajuda a reduzir a temperatura da relação entre o governo petista e setores da caserna.

Reconfiguração discreta do bolsonarismo

A presença de Mourão no palanque, sentado ao lado de Gilmar Mendes, acrescenta uma camada extra à fotografia política do dia. Os dois já travaram embates públicos no passado, quando o então vice-presidente reagiu a falas do ministro do STF sobre a atuação das Forças Armadas na pandemia de covid-19.

Hoje, dividem a mesma tribuna em clima protocolar, enquanto Lula circula entre oficiais-generais e ministros. A cena ilustra uma recomposição lenta e pragmática entre atores que estiveram em campos opostos nos anos mais agudos da polarização. No caso de Mourão, o alinhamento pontual com o Planalto pode reposicioná-lo no tabuleiro político pós-Bolsonaro.

O cálculo, porém, não é isento de riscos. Quanto mais se aproxima de pautas do governo, mais o senador se expõe à contestação de uma base que cobra fidelidade total ao ex-presidente. A votação da próxima semana, e o ruído que ela produzirá nas redes, serão um teste imediato para medir até onde Mourão está disposto a ir nessa trilha de autonomia.

Para o Planalto, o episódio desta terça-feira funciona como ensaio. Se a costura com o general gaúcho der resultado, Lula tende a repetir a fórmula em outras agendas sensíveis no Senado, em busca de maioria caso a caso. Se a reação bolsonarista for muito forte e afastar Mourão, o gesto fica como registro de uma tentativa de reaproximação com a ala fardada da política, em pleno pátio do Exército.

O que faz Hamilton Mourão hoje após o encontro com Lula?

Hamilton Mourão atua hoje como senador pelo Republicanos do Rio Grande do Sul e, após o encontro com Lula no Dia do Soldado, mantém a agenda parlamentar normal, preparando-se para a votação do projeto dos minerais críticos na próxima semana e administrando as reações da base bolsonarista ao seu apoio público à proposta.

Qual foi o pedido de Lula a Hamilton Mourão no Dia do Soldado?

Lula pediu diretamente a Hamilton Mourão, no palanque do Dia do Soldado, apoio à aprovação no Senado do projeto de lei que regula a exploração de minerais críticos, defendendo que os senadores mantenham o texto aprovado pela Câmara em maio de 2026 para evitar que a proposta volte à análise dos deputados e sofra atrasos.

Como foi a conversa entre Lula e Mourão na cerimônia do Exército?

A conversa entre Lula e Mourão na cerimônia do Exército foi breve e direta: no palanque das autoridades, o presidente pediu apoio ao projeto dos minerais críticos e ouviu do senador que a iniciativa tem seu apoio, enquanto Mourão, depois do evento, reconhece que deve ser criticado nas redes bolsonaristas por esse gesto de aproximação.

Qual o cargo atual de Hamilton Mourão?

Hamilton Mourão ocupa hoje o cargo de senador da República pelo estado do Rio Grande do Sul, eleito pelo partido Republicanos, conciliando sua trajetória de general da reserva do Exército com a atuação legislativa no Senado, onde participa de votações centrais, como a do projeto que regula a exploração de minerais críticos defendido pelo governo Lula.

O que aconteceu com Hamilton Mourão após o governo Bolsonaro?

Após deixar a Vice-Presidência ao fim do governo Bolsonaro, Hamilton Mourão seguiu carreira política própria, assumindo mandato de senador pelo Rio Grande do Sul, mantendo vínculos com o bolsonarismo, mas adotando posição mais autônoma em votações, como demonstra ao declarar apoio ao projeto dos minerais críticos proposto pelo governo Lula no Senado.

Qual a relação atual entre Hamilton Mourão e Bolsonaro?

A relação atual entre Hamilton Mourão e Jair Bolsonaro é de alinhamento político geral, com Mourão mantendo apoio a figuras como Flávio Bolsonaro, mas também sinalizando autonomia ao dialogar com Lula e apoiar o projeto dos minerais críticos, movimento que ele próprio reconhece que pode ser visto como traição por parte da base bolsonarista mais radical.


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