PF aponta que lobista Roberta Luchsinger pagou cartão e carro de ex-chefe de gabinete de Lula

Roberta Luchsinger teria bancado mais de R$ 217 mil em despesas de Marcola enquanto buscava contratos no governo envolvendo medicamentos à base de canabidiol
Redação NC News
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Uma investigação da Polícia Federal identificou pagamentos de mais de R$ 217 mil feitos pela lobista Roberta Luchsinger para bancar despesas pessoais de Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo a investigação, os pagamentos ocorreram ao longo de 2024, período em que Roberta também buscava negócios com o governo federal envolvendo produtos à base de canabidiol.

O caso ganhou força porque, para a PF, a sequência de pagamentos pode ajudar a esclarecer se as despesas tinham relação com uma tentativa de ampliar o acesso e a influência da lobista dentro do governo.

Quais despesas foram pagas?

Os investigadores identificaram diferentes tipos de pagamentos realizados por Roberta.

Entre eles estão R$ 95 mil em uma fatura de cartão de crédito do Banco do Brasil, cerca de R$ 36 mil em parcelas de financiamento de veículo e R$ 48 mil referentes a um consórcio.

Também aparecem aproximadamente R$ 25 mil em Pix, além de outros valores.

O financiamento estava relacionado a um veículo da Toyota. Segundo a investigação, Marcola tinha um Corolla Cross em seu nome que estava sendo financiado.

E as joias?

Outro episódio chamou a atenção dos investigadores.

Mensagens obtidas pela PF indicam que Roberta comprou um par de brincos e um colar de diamantes, avaliados em aproximadamente R$ 9,2 mil, para que Marcola presenteasse a mulher.

A compra teria ocorrido às vésperas do Dia das Mães de 2024. O episódio faz parte do conjunto de pagamentos e presentes analisados pela PF para entender a relação financeira entre os dois.

O que a PF está investigando?

É justamente aqui que o caso ganha uma dimensão maior.

De acordo com a investigação, Roberta mantinha negociações para tentar viabilizar contratos com o Ministério da Saúde, incluindo uma proposta relacionada à comercialização de medicamentos à base de canabidiol.

Ao mesmo tempo, ela realizava pagamentos e mantinha contato com Marcola, que ocupava um cargo de confiança no entorno do presidente Lula. A PF suspeita que os pagamentos, presentes e outras despesas possam ter sido utilizados para ampliar o acesso da lobista ao núcleo do governo e preservar sua influência.

Isso, porém, é uma hipótese investigada pela Polícia Federal, e não uma conclusão judicial.

Qual é a relação com Lulinha?

Roberta Luchsinger também aparece nas investigações por sua proximidade com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente.

A PF investiga suspeitas de tráfico de influência envolvendo Lulinha e negócios relacionados à venda de produtos de cannabis medicinal ao governo.

Segundo os investigadores, mensagens encontradas nos celulares dos envolvidos mostram uma relação próxima entre Roberta e Lulinha e indicam articulações para negócios com órgãos públicos.

O caso deu origem a três inquéritos envolvendo Lulinha, sendo dois relatados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, e outro sob relatoria do ministro Flávio Dino.

O que diz Marcola?

A defesa de Marcola contesta a interpretação dada aos pagamentos.

Segundo os advogados, os valores faziam parte de um empréstimo pessoal de R$ 249 mil, que teria sido integralmente quitado.

A defesa também afirma que não teve acesso à íntegra dos autos e questiona a divulgação de informações da investigação.

Em nota, os advogados disseram que os valores mencionados foram pagos e negaram que Marcola tenha encaminhado documentos relacionados a compras ou licitações do Ministério da Saúde ou da Anvisa. A defesa de Roberta, por sua vez, informou que se manifestará nos autos.

Marcola deixou o governo

Marcola ocupava o cargo de ex-chefe de gabinete de Lula e era considerado um homem de confiança do presidente.

Ele foi exonerado do Palácio do Planalto em julho de 2026. Na ocasião, a justificativa oficial era de que ele deixaria o governo para integrar a coordenação da campanha de Lula à reeleição.

Depois que vieram a público informações sobre os pagamentos feitos por Roberta, Marcola também deixou a campanha.

ENTENDA O CONTEXTO

O caso faz parte de uma investigação mais ampla da Polícia Federal sobre suspeitas de tráfico de influência envolvendo Roberta Luchsinger, Lulinha e outras pessoas próximas ao governo.

A PF analisa mensagens, pagamentos e relações comerciais para tentar entender se interesses privados foram colocados em contato com integrantes do governo federal de maneira irregular.

No caso de Marcola, o ponto central é a coincidência entre os pagamentos feitos por Roberta em 2024 e as negociações que ela mantinha para tentar viabilizar negócios relacionados ao Ministério da Saúde. A defesa, entretanto, afirma que os valores tinham origem em um empréstimo pessoal já quitado.

Até o momento, portanto, trata-se de uma investigação em andamento. Os pagamentos e contatos são elementos analisados pela PF, mas não significam, por si só, condenação ou comprovação definitiva de crime.

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