Júri de ex-deputado acusado de mandar matar adolescente é adiado no DF

Carlos Xavier será julgado em 9 de setembro pela acusação de ser mandante do assassinato de Ewerton, de 16 anos, ocorrido em 2004
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O julgamento pelo Tribunal do Júri do ex-deputado distrital Carlos Xavier foi remarcado para 9 de setembro após o adiamento da sessão que estava prevista para esta quarta-feira (26). A mudança ocorreu em razão de questões relacionadas à saúde do juiz e do réu.

O júri será realizado no Fórum do Recanto das Emas e vai analisar a acusação de que Xavier foi o mandante do assassinato de Ewerton da Rocha Ferreira, de 16 anos, namorado de sua ex-mulher. O crime ocorreu em 2004.

Carlos Xavier chegou a ser condenado a 15 anos de prisão pelo homicídio, mas o julgamento foi anulado após a Justiça considerar que houve fraude na investigação policial que apontou o político como mandante do crime.

Mesmo respondendo pela acusação, Xavier retornou ao cenário político e atualmente disputa uma cadeira na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) pelo partido Democracia Cristã (DC).

Assassinato ocorreu em 2004

Segundo a acusação, Carlos Xavier teria mandado matar Ewerton da Rocha Ferreira, então com 16 anos. O crime ocorreu no Recanto das Emas.

O corpo do adolescente foi encontrado atrás de uma parada de ônibus na manhã de 9 de março de 2004.

Segundo a acusação, Xavier teria contratado o capoeirista Eduardo Gomes da Silva, conhecido como Risadinha, Leandro Dias Duarte e um adolescente para executar a vítima.

De acordo com o inquérito da 27ª Delegacia de Polícia (DP), apresentado à Justiça do Distrito Federal em 2008, Carlos Xavier era casado há 14 anos na época do crime. O documento relata que o relacionamento do casal, inicialmente, era considerado bom, mas teria se desgastado nos anos seguintes.

Ainda segundo o inquérito, a mulher teria mantido relacionamentos com adolescentes, entre eles Ewerton. O documento afirma que ela oferecia dinheiro e presentes aos jovens com quem se relacionava.

De acordo com a investigação apresentada à Justiça, descontente com a situação, o então deputado teria decidido “tomar providências para por fim à questão”. A mulher e o adolescente teriam se separado após o jovem receber ameaças.

Ainda segundo o inquérito, Xavier teria contratado Eduardo Gomes da Silva, o Risadinha, para matar Ewerton por R$ 15 mil.

Adolescente foi abordado após sair da escola

O documento de 2008 relata que, em 8 de março de 2004, perto da meia-noite, Ewerton seguia da escola para a casa onde morava quando foi abordado por um grupo armado.

Segundo o inquérito, o adolescente foi levado até uma parada de ônibus nas proximidades de um viaduto no Recanto das Emas.

No local, depois de ordenarem que Ewerton saísse do carro, foram efeutados dois disparos de revólver, um na testa e outro na nuca. A vítima morreu no local.

O corpo foi encontrado atrás da parada de ônibus na manhã seguinte.

Investigação apontou participação de suspeitos

Após diligências e denúncias anônimas, a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) ouviu os homens que haviam sido apontados como suspeitos do crime.

Em depoimentos prestados em setembro e novembro de 2004, Leandro Dias Duarte confessou participação no esquema. Segundo o relato apresentado no inquérito, Eduardo, o Risadinha, teria contado sobre o crime na manhã de 8 de março e pagado R$ 2 mil a Leandro pela participação.

Ainda segundo o depoimento, os envolvidos teriam dito a Ewerton que ele morreria por estar se relacionando com a mulher do deputado.

O julgamento que analisará novamente a acusação contra Carlos Xavier está marcado para 9 de setembro.

 

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