O psiquiatra e escritor Augusto Cury entra na disputa pela Presidência da República pelo Avante e descreve o ambiente político da campanha como um “manicômio”, marcado, segundo ele, por toxicidade, ataques e polarização.
Estreante nas urnas, conhecido na área da saúde mental
Acostumado aos consultórios, palestras e livros, Cury estreia na política eleitoral em um cenário de forte desgaste da classe política. O nome do escritor chega à corrida presidencial de 2026 apoiado pela notoriedade construída ao longo de décadas e pela associação de sua imagem à saúde mental e ao desenvolvimento emocional.
O contraste entre sua trajetória profissional e o ambiente eleitoral aparece no centro do discurso do candidato. “A política virou um manicômio. Nunca encontrei um ambiente tão tóxico”, afirma o presidenciável do Avante ao criticar o clima de ataques e desinformação que domina parte da disputa.
A experiência como psiquiatra também serve de base para a avaliação de Cury sobre o comportamento dos candidatos e eleitores. Segundo ele, a polarização presente nas redes sociais, nos debates e nas discussões políticas ultrapassa a divergência de ideias e contribui para um ambiente de hostilidade.
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Avante aposta em nome conhecido nacionalmente
A candidatura de Cury também coloca o Avante no centro da disputa presidencial. Ao apresentar um nome conhecido do público e sem trajetória tradicional na política partidária, a legenda busca ampliar sua presença nacional e ganhar visibilidade durante o processo eleitoral.
A estratégia mira principalmente eleitores insatisfeitos com a polarização entre os principais grupos políticos. Nesse espaço, Cury apresenta discursos voltados à ética, à educação emocional e à redução da agressividade no debate público.
A candidatura, porém, enfrenta um desafio natural: transformar popularidade em viabilidade política. A falta de experiência em cargos eletivos pode gerar questionamentos sobre sua capacidade de negociar com o Congresso, formar uma base de apoio e administrar uma estrutura pública de dimensão nacional.
Direita ou esquerda? Candidato evita rótulos
A entrada de uma personalidade conhecida fora da política tradicional também provoca questionamentos sobre seu posicionamento ideológico. Afinal, Augusto Cury é de direita ou de esquerda?
Até o momento, o candidato não se apresenta de maneira clara dentro da tradicional divisão entre direita e esquerda. A estratégia permite que ele converse com eleitores que rejeitam a polarização, mas também aumenta a pressão para que apresente posições concretas sobre economia, segurança pública, costumes, educação e políticas sociais.

A curiosidade sobre sua trajetória política também cresce nas redes sociais. Perguntas sobre o partido de Augusto Cury, suas possíveis alianças e suas posições em relação a outros políticos passam a fazer parte da cobertura da candidatura.
Esse processo é comum em campanhas de personalidades que chegam à política depois de construir carreira em outras áreas. A notoriedade ajuda a abrir espaço, mas não substitui a necessidade de apresentar propostas e explicar como elas seriam colocadas em prática.
Saúde mental ganha espaço na campanha
A principal marca da candidatura de Cury é a tentativa de colocar a saúde mental no centro do debate presidencial.
Ao classificar o ambiente político como “tóxico”, o candidato argumenta que a agressividade da disputa não afeta apenas os políticos, mas também assessores, eleitores e a sociedade em geral. A discussão abre espaço para temas como prevenção ao adoecimento psíquico, educação emocional e atendimento em saúde mental.
Entre as áreas que podem ganhar destaque em sua plataforma estão a ampliação da assistência psicossocial, políticas de prevenção ao suicídio e medidas voltadas à saúde emocional nas escolas.
A transformação dessas ideias em um programa de governo detalhado, com metas, custos e prazos, será um dos principais desafios da campanha.

Críticas à polarização e reação da classe política
O discurso de Cury também pode provocar resistência entre setores da classe política. Ao definir o ambiente eleitoral como um “manicômio”, o candidato faz uma crítica abrangente ao funcionamento da política e ao comportamento de seus protagonistas.
Adversários podem explorar justamente sua falta de experiência. A principal linha de ataque tende a questionar como alguém que critica a política tradicional pretende governar por meio das mesmas instituições e negociar com deputados e senadores.
Por outro lado, a crítica à polarização pode ajudar Cury a conquistar espaço entre eleitores que estão cansados de disputas políticas cada vez mais agressivas.
O tamanho desse eleitorado será um dos principais fatores para determinar a força da candidatura ao longo da campanha.
O desafio é transformar discurso em projeto de governo
A candidatura de Augusto Cury ainda precisa superar a distância entre a popularidade construída como escritor e a complexidade de uma eleição presidencial.
Chamar a política de “manicômio” produz uma frase forte e facilmente compreensível, mas o eleitor também precisará saber quais medidas o candidato pretende adotar para enfrentar os problemas que identifica.
O desafio, portanto, é transformar o diagnóstico sobre a toxicidade da política em propostas concretas para saúde, educação, economia, segurança e administração pública.
Se conseguir ocupar o espaço de candidato identificado com a moderação e a saúde mental, Cury pode conquistar uma parcela específica do eleitorado. Se não conseguir apresentar um projeto consistente, porém, sua candidatura corre o risco de permanecer limitada à força de sua imagem pública.