Haddad promete rever contratos de pedágios free flow de Tarcísio em São Paulo

Petista criticou os preços cobrados no interior paulista e disse que pretende reavaliar a instalação dos pórticos caso seja eleito governador
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O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, prometeu nesta quarta-feira (26) rever os contratos dos pedágios no sistema free flow firmados pela atual gestão estadual.

Durante agenda em Ourinhos, no interior paulista, o petista criticou principalmente os valores cobrados nas rodovias e afirmou que pretende discutir a localização dos pórticos com os prefeitos dos municípios afetados.

A proposta coloca os pedágios eletrônicos novamente no centro da disputa entre Haddad e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que busca a reeleição.

Haddad critica preços e localização dos pedágios

Haddad afirmou que o planejamento para a instalação dos pórticos foi mal elaborado e defendeu uma revisão dos pontos de cobrança. Segundo o candidato, algumas instalações seriam excessivas e as tarifas cobradas também precisariam ser reavaliadas.

Haddad afirmou ainda que um eventual governo seu pretende fazer um novo planejamento em conjunto com os prefeitos das cidades atingidas pelo sistema.

O que Haddad pretende mudar?

A proposta apresentada pelo petista não é simplesmente acabar com o sistema de cobrança eletrônica.

A ideia anunciada é reavaliar os contratos e os locais onde os pórticos foram instalados, além de analisar os valores cobrados dos motoristas.

Haddad disse que pretende revisar as cláusulas dos contratos para entender os critérios utilizados na definição das instalações.

Em entrevista concedida anteriormente, o candidato já havia afirmado que considerava necessário reler os contratos de free flow implementados pelo governo paulista.

O que é o free flow?

O sistema free flow permite a cobrança de pedágio sem que o motorista precise parar em uma praça convencional.

Pórticos instalados nas rodovias identificam o veículo e registram a passagem. O pagamento pode ser realizado automaticamente por meio de uma tag ou posteriormente pelos canais disponibilizados pela concessionária.

A tecnologia busca tornar a circulação mais rápida e eliminar as filas nas praças tradicionais.

O problema é que o modelo também passou a gerar reclamações relacionadas à comunicação sobre as cobranças, formas de pagamento e multas.

A reclamação que virou problema para os motoristas

Um dos argumentos usados por Haddad é justamente a dificuldade que alguns motoristas enfrentam para saber que passaram por um ponto de cobrança.

Como não existe uma cancela obrigando o veículo a parar, o condutor pode seguir viagem sem perceber imediatamente que uma tarifa foi registrada.

O candidato criticou essa característica do sistema e questionou a possibilidade de o motorista descobrir posteriormente que possui uma dívida e, caso não faça o pagamento dentro do prazo, receber uma multa.

A proposta de Haddad atinge diretamente uma das políticas de concessão de rodovias do governo Tarcísio de Freitas.

O atual governador ampliou o uso do modelo free flow nas novas concessões rodoviárias de São Paulo, com cobrança proporcional ao trecho percorrido.

O sistema também passou a fazer parte de concessões importantes no interior do estado.

Haddad, que disputa diretamente com Tarcísio o governo paulista, tenta transformar as reclamações sobre tarifas e localização dos pórticos em um dos temas da campanha.

Há outro problema: o custo de mudar os contratos
Haddad também citou uma consequência financeira relacionada a alterações no planejamento.

Segundo o candidato, o governo estadual teria adiado parte da instalação de pórticos e, por causa disso, poderá ter de indenizar uma empresa contratada.

A afirmação faz parte da argumentação de Haddad para defender uma revisão dos contratos antes da continuidade das instalações.

O tema, portanto, envolve duas discussões diferentes: quanto o motorista paga e quanto uma eventual mudança dos contratos pode custar aos cofres públicos.

Free flow já enfrenta reclamações

O sistema eletrônico de cobrança vem sendo alvo de reclamações de motoristas e também de questionamentos relacionados à forma de comunicação das tarifas.

Entre os problemas apontados estão dificuldades para identificar débitos, formas de pagamento e casos de golpes financeiros envolvendo falsas cobranças.

As multas relacionadas à evasão de pedágio free flow também passaram por mudanças e suspensões temporárias no âmbito federal.

Isso tornou o modelo um assunto que ultrapassa a simples discussão sobre o valor da tarifa.

Para o motorista, a principal questão é saber quando passou por um pórtico, quanto deve e como pagar sem ser penalizado.

O que está em jogo na eleição?

A discussão sobre os pedágios coloca em lados opostos duas visões sobre a infraestrutura paulista.

De um lado, o governo Tarcísio defende as concessões como forma de ampliar investimentos e melhorar as rodovias.

Do outro, Haddad questiona a forma como alguns contratos foram estruturados e afirma que vai reler os documentos antes de decidir pela manutenção de determinadas instalações.

A disputa eleitoral transforma o tema em uma questão prática para milhões de motoristas: quanto custa viajar pelas rodovias paulistas e quem define onde o motorista vai pagar?

Se eleito, Haddad terá de transformar a promessa de revisão em medidas concretas, respeitando os contratos de concessão e eventuais obrigações de indenização.

Entenda o contexto

O free flow é um modelo de cobrança automática que elimina as tradicionais praças de pedágio. Em São Paulo, o sistema foi incorporado às novas concessões rodoviárias e prevê cobrança proporcional ao uso de determinados trechos.

A proposta de Haddad surge durante a campanha pelo governo paulista e mira diretamente contratos firmados pela atual gestão.

O petista afirma que pretende revisar preços, localização dos pórticos e cláusulas contratuais, além de discutir um novo planejamento com os prefeitos.

A promessa, portanto, não é apenas sobre o valor do pedágio. É também sobre como as concessões foram planejadas e quais regras devem valer para os motoristas paulistas.

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