Ex-apresentadora do Globo Esporte, Thalita Tavares morre aos 46 anos

Jornalista esportiva de Santa Catarina, Thalita Tavares deixa legado marcante no esporte regional e na defesa do autismo.
Redação NC News
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

A morte da jornalista Thalita Tavares, aos 46 anos, vítima de câncer, interrompe uma trajetória marcante no jornalismo esportivo e na defesa da causa do autismo. Ex-apresentadora do Globo Esporte Tocantins e fundadora de um centro de apoio a crianças autistas, ela deixa um legado que ultrapassa a tela e o estúdio.

Referência no esporte regional e voz próxima do público

Thalita Tavares Caturelli Passoni morre em Santa Catarina, onde vivia com a família, depois de lutar contra a doença. A notícia, divulgada nesta quinta-feira, provoca uma onda de homenagens de colegas, ex-companheiros de redação, ouvintes e famílias atendidas pelo projeto social que ela criou.

A carreira no Tocantins começa em 2007, quando ela chega a Palmas para cobrir campeonatos amadores e categorias regionais. O trabalho consistente a leva à apresentação do Globo Esporte Tocantins e à função de comentarista na rádio CBN Tocantins, onde se torna um dos rostos mais conhecidos do esporte local.

A presença no vídeo mistura informação, leveza e humor, numa época em que o jornalismo esportivo regional ainda engatinha em formatos mais soltos. O policial civil e jornalista Alexandre Alves, que dividiu a redação com ela por três anos, lembra o impacto dessa postura.

“Aquela gargalhada que ela tinha, aquela risada contagiante. Ela incentivava minhas brincadeiras e ria. Ela sempre me incentivou. Antes mesmo dessa revolução do jornalismo esportivo, a gente já fazia isso na câmera, isso contagiava o espectador, que esperava a hora do almoço. Cativava famílias. O pessoal me encontrava na rua e falava: ‘Manda um abraço para a Thalita, adoro ela’; ‘A Thalita é linda’. Ela foi uma profissional sensacional”, diz.

Do estúdio ao ativismo: a criação do Espaço Júnior

Natural de Ribeirão Preto (SP), Thalita constrói no Tocantins a fase mais conhecida da carreira, mas não se limita ao esporte. Depois de encerrar o ciclo no estado em 2013 e se mudar para Maceió, amplia a atuação para a área social, a partir da experiência pessoal com o filho, hoje com 10 anos.

Ela funda o Espaço Júnior, um centro especializado em autismo batizado em homenagem ao menino. O projeto nasce para oferecer atendimento e acolhimento a crianças autistas e suas famílias, em um cenário em que o acesso a diagnóstico e terapias ainda é desigual no país.

Na nota em que lamenta a morte da fundadora, a instituição descreve a dimensão humana da jornalista.

“Quem conviveu com ela sabe da força que ela era. Uma mulher de energia rara, que não passava despercebida em lugar nenhum, e que foi exemplo nos mais diferentes sentidos”, registra o texto.

Nas redes sociais do centro, beneficiários e familiares se dizem consternados. Muitos destacam o impacto concreto do projeto na vida das crianças, com relatos de avanços no desenvolvimento e de apoio emocional em momentos de incerteza. A perda da liderança, apontam, abre uma lacuna difícil de preencher.

Leia também:

Jornalista é atropelada em frente à escola dos filhos e motorista foge

Luto reservado, comoção pública

A despedida segue o desejo expresso por Thalita. A pedido dela, não haverá velório. O sepultamento ocorre de forma reservada, em Balneário Camboriú, no litoral catarinense, restrito à família. O rito íntimo contrasta com a dimensão pública da comoção que toma as redes sociais e os grupos de colegas de profissão.

Ex-companheiros de TV, rádio e redações destacam a combinação de rigor profissional e afeto no trato com entrevistados e equipe. Entre as mensagens, aparecem lembranças de bastidores, gravações sob sol forte em campos de várzea, transmissões improvisadas e a gargalhada que se torna marca registrada da apresentadora, conhecida também pelo apelido de “Japinha”.

No esporte regional, a ausência é sentida por atletas, dirigentes e torcedores acostumados a vê-la dar espaço a times pequenos, categorias de base e competições pouco visíveis. O cuidado com o futebol amador e com modalidades pouco midiáticas ajuda a fortalecer uma cultura esportiva mais diversa no Tocantins.

Legado e desafios após a perda

A morte de Thalita reorganiza silenciosamente dois mundos que ela ajudou a moldar: o jornalismo esportivo regional e a rede de apoio às famílias de crianças autistas. No primeiro, abre espaço para novas vozes, mas deixa o desafio de manter o vínculo afetivo com o público, construído por meio de proximidade e credibilidade ao longo de anos.

No terceiro setor, o Espaço Júnior encara a tarefa de seguir sem a fundadora. A continuidade do centro deve depender de uma articulação maior com parceiros, profissionais e famílias que reconhecem na instituição um ponto de segurança. O nome de Thalita tende a permanecer associado à defesa do diagnóstico precoce, da inclusão escolar e do atendimento multiprofissional.

Aos 46 anos, a jornalista deixa um filho de 10 anos, uma legião de admiradores e uma biografia que cruza esporte, comunicação e ativismo social. O luto agora é íntimo, mas o efeito público de sua trajetória ainda se desdobra em cada criança atendida, em cada torcedor que se viu representado na tela e em cada colega que aprendeu a fazer jornalismo levando a sério a informação e a alegria.

Os próximos meses devem revelar como o legado de Thalita se organiza na prática: quem assume a linha de frente do Espaço Júnior, quais homenagens o meio esportivo vai consolidar e de que forma sua história pode inspirar novos comunicadores a olhar para além do placar e da pauta do dia.

Veja também:

Quando a notícia incomoda o poder, o STF pode decidir quem pode ser jornalista?

Entenda o contexto

Thalita Tavares construiu sua trajetória principalmente no jornalismo esportivo regional. Natural de Ribeirão Preto (SP), ela chegou a Palmas, no Tocantins, em 2007 e passou seis anos na TV Anhanguera, onde apresentou o Globo Esporte e também trabalhou em outros telejornais da emissora. Ela ainda atuou como comentarista esportiva na CBN Tocantins.

Depois de deixar o Tocantins, em 2013, Thalita seguiu para Maceió e também trabalhou na TV Gazeta de Alagoas. Além da comunicação, teve atuação ligada à causa do autismo: foi uma das idealizadoras e fundadoras do Espaço Junior – Centro Especializado em Autismo, criado em homenagem ao filho.

Thalita enfrentava um câncer havia cerca de um ano e morreu aos 46 anos, deixando um filho de 10 anos. Segundo o Espaço Junior, ela enfrentou o período de tratamento com bom humor e leveza. Por desejo da própria jornalista, não haverá velório.

Mais lidas do NC News:

Torcedor do Internacional foragido é preso no Rio após espancamento brutal de gremista

Novo mapa revela a força do cacau na Amazônia e coloca Rondônia no radar da rastreabilidade

Carregar Comentários