A Prefeitura de São Paulo inaugurou nesta quinta-feira (27), no Grajaú, na Zona Sul da capital paulista, a oitava unidade do Armazém Solidário, equipamento destinado exclusivamente a famílias de baixa renda inscritas no CadÚnico.
A escolha do endereço não foi por acaso. O Grajaú está na região da cidade com a maior concentração de famílias cadastradas no CadÚnico, com 77.270 famílias. No novo espaço, os beneficiários encontram cerca de 600 itens, entre alimentos, frutas, verduras, produtos de higiene e materiais de limpeza, com descontos de até 50% em relação aos preços praticados no comércio convencional.
O que chama atenção nos preços
Durante a inauguração, o prefeito Ricardo Nunes destacou justamente a diferença que o programa pode fazer no orçamento das famílias.
“Eu estava vendo aqui o sabão em pó, por exemplo, custa R$ 20 no mercado e aqui R$ 8,49, menos da metade do valor, como também arroz, feijão, verduras, frutas”, comenta Nunes.
A lógica do programa é comprar produtos diretamente dos fabricantes e repassar ao consumidor valores mais baixos. A unidade oferece alimentos básicos, hortifrútis, frios, laticínios, ovos, produtos de açougue e peixaria, além de itens de limpeza, higiene pessoal e produtos para animais.
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Não é apenas um mercado mais barato
O programa tem uma particularidade importante: os Armazéns Solidários não comercializam bebidas alcoólicas nem produtos ultraprocessados.
A proposta é priorizar alimentos in natura e minimamente processados, seguindo as recomendações do Guia Alimentar para a População Brasileira.
Segundo Vítor Arruda, secretário executivo de Segurança Alimentar e Nutricional e de Abastecimento, a unidade do Grajaú foi pensada justamente para ampliar o acesso a uma alimentação de melhor qualidade.
“Aqui não entra ultraprocessados no Armazém Solidário. Então as pessoas vão poder comprar frutas, verduras, legumes, material de higiene pessoal, material de limpeza com até 50% de desconto”, diz Vitor.
A unidade também possui um setor com itens gratuitos, abastecido pelo Banco de Alimentos do Município. Entre os produtos que podem ser disponibilizados estão arroz, feijão, macarrão, açúcar, farinha e sal, além de ração para cães e gatos. A oferta varia de acordo com os estoques.
Quem pode comprar?
O acesso não é liberado para qualquer consumidor. O Armazém Solidário atende famílias de baixa renda inscritas no CadÚnico, desde que o cadastro esteja ativo e a família more na cidade de São Paulo.
E existe uma dupla checagem. Na entrada, uma equipe de assistência social verifica a situação do cadastro. Depois que as compras são feitas, o beneficiário passa novamente por identificação no caixa para que o sistema libere a operação.
A medida, segundo a Secretaria, busca garantir que o benefício seja direcionado efetivamente às famílias cadastradas.
Grajaú terá capacidade para 700 atendimentos por dia
A nova unidade tem 895 m² de área total e capacidade estimada de aproximadamente 700 atendimentos diariamente. Outro efeito do equipamento aparece fora das prateleiras: os empregos.
O Armazém Solidário do Grajaú emprega 40 moradores da própria região, aproximando o trabalho da casa dos funcionários.
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Programa já passou de 2 milhões de atendimentos
A unidade do Grajaú amplia uma rede que vem crescendo desde janeiro de 2024. De acordo com os números divulgados pela Prefeitura, os Armazéns Solidários já realizaram 2.041.813 atendimentos e alcançaram 142.297 famílias.
A rede registra aproximadamente 4 mil atendimentos por dia e já comercializou mais de 29 milhões de itens. Também foram contabilizadas mais de 213 toneladas de alimentos doados.
Segundo pesquisas de satisfação divulgadas pela Prefeitura, o programa registra 90% de aprovação entre os usuários.
Até onde a rede vai crescer?
O plano da Prefeitura é levar o modelo para outras regiões da capital. A próxima unidade prevista para 2026 é a do Jardim Myrna, instalada no Condomínio Novo Brasil, empreendimento que está recebendo mais de 2,7 mil apartamentos.
Para 2027, estão previstas unidades em Paraisópolis, Campo Limpo, Itaquera e Jardim Peri. Já para 2028, a previsão é avançar para Parelheiros, Heliópolis e Pedreira.
Com essa expansão, a rede deverá chegar a 16 Armazéns Solidários até 2028.
Vítor Arruda também confirmou a expansão durante a inauguração e afirmou que a meta é chegar a 16 unidades até o fim do mandato do prefeito Ricardo Nunes.
O programa também beneficia produtores de São Paulo
O Armazém Solidário não atua apenas na ponta do consumo. A iniciativa mantém parceria com o Sampa+Rural, conectando mais de 400 produtores agrícolas da capital à rede.
Segundo a Prefeitura, diariamente são negociados, em média, mais de 450 quilos de legumes e 2,8 mil unidades de folhosas nas unidades.
A ideia é aproximar produção e consumo e, ao mesmo tempo, ampliar a oferta de alimentos frescos.
Nunes destaca força da política de segurança alimentar
Durante a inauguração, Ricardo Nunes destacou o tamanho da política de segurança alimentar da capital e a importância de ampliar o acesso das famílias de baixa renda a produtos de qualidade.
“Em São Paulo, hoje, nós temos 1,8 milhão de famílias no CadÚnico. Portanto, temos uma política pública de segurança alimentar de fundamental importância”, destaca Nunes.
O prefeito também ressaltou a proposta do novo equipamento e afirmou que os produtos oferecidos têm qualidade e preços mais baixos.
“A gente tem produtos de qualidade, com preço baixo, um ambiente muito agradável e preparado para receber bem as pessoas”, afirma o prefeito de São Paulo.
Nunes ainda lembrou que São Paulo recebeu reconhecimento do Guinness World Records pelo alcance de seu programa municipal de segurança alimentar. O reconhecimento, anunciado em dezembro de 2025, considerou a distribuição de mais de 933 toneladas de alimentos em 24 horas e a oferta de mais de 3 milhões de refeições gratuitas por dia, somando refeições prontas, produtos in natura e cestas básicas.
Onde fica e quando funciona?
O Armazém Solidário do Grajaú fica na Rua Olímpio Soares de Carvalho, 51, no Parque Grajaú. O atendimento ocorre de segunda a sábado, das 8h às 18h.
Para comprar, é necessário ser morador da cidade de São Paulo, pertencer a uma família de baixa renda e estar com o CadÚnico ativo. A equipe de assistência social faz a verificação antes da compra e uma nova identificação é realizada no caixa.
Entenda o contexto
A inauguração do Grajaú representa mais um passo na expansão de uma política criada para reduzir o impacto do preço dos alimentos e de produtos essenciais no orçamento das famílias de baixa renda.
O diferencial está em combinar preços reduzidos, alimentos frescos, restrição a ultraprocessados, atendimento social e geração de empregos na própria região.
Agora, a principal aposta da Prefeitura é ampliar a rede para outras áreas da capital e chegar a 16 unidades até 2028.
No Grajaú, a escolha do endereço tem um motivo claro: atender justamente uma das regiões com maior concentração de famílias inscritas no CadÚnico.