O colombiano Yul Neyder Morales Sanchez, conhecido como “Crespo”, está foragido da Justiça brasileira e é apontado pela Polícia Federal como um dos grandes fornecedores de cocaína para o Primeiro Comando da Capital (PCC) e outras organizações criminosas. Na segunda-feira (24), a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal negou um pedido de habeas corpus apresentado pela defesa.
Condenado a sete anos de prisão por associação para o tráfico internacional de drogas, Yul é procurado pela Justiça brasileira desde 2015.
Investigação chegou ao fazendeiro
Yul entrou no radar da Polícia Federal durante uma investigação sobre uma célula responsável pelo envio de cocaína para a Europa por meio do Porto de Santos, no litoral de São Paulo.
A partir de interceptações de comunicações entre integrantes do grupo e membros do PCC, os investigadores identificaram o colombiano e o pai dele, Cristobal Morales Velasquez, conhecido como “Papi Supremo”.
Segundo a investigação, os dois mantinham uma estrutura de produção e refino de cocaína na Bolívia e forneciam grandes quantidades da droga para diferentes grupos criminosos.
Droga seguia para a Europa
De acordo com as investigações, a cocaína produzida na Bolívia era transportada até o Brasil e posteriormente escondida em contêineres que seguiam pelo Porto de Santos.
Os carregamentos tinham como destino principalmente países europeus, entre eles a Bélgica.
Em uma conversa interceptada pela PF em 2014, um dos traficantes investigados afirmou que compradores estrangeiros haviam pago mais de 251 mil euros por uma das remessas. Na época, o valor correspondia a aproximadamente R$ 778 mil.
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Prisão e fuga
Yul foi preso na Colômbia em setembro de 2014, após um alerta vermelho emitido pela Interpol.
Ele, porém, acabou beneficiado por uma decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que concedeu habeas corpus sob o argumento de excesso de prazo na instrução do processo.
Depois de ser solto, o colombiano não voltou a ser localizado pela Justiça brasileira.
Em março deste ano, a 5ª Vara Federal de Santos determinou a expedição de um novo mandado de prisão e a reinclusão do nome dele na lista de procurados da Interpol. A Justiça também reforçou o interesse na extradição do investigado.
STF mantém prisão
Na segunda-feira (24), a Primeira Turma do STF negou um novo habeas corpus apresentado pela defesa de Yul.
A decisão mantém a situação jurídica que permite a prisão do colombiano caso ele seja localizado.
A defesa, no entanto, contesta a condenação e afirma que existem problemas jurídicos e probatórios no processo.
Segundo o advogado Felipe Kirchner Bello, a acusação teria sido construída principalmente a partir de interceptações telefônicas e da associação do investigado a determinados codinomes. A defesa questiona a existência de elementos técnicos suficientes para confirmar essa identificação.
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ENTENDA O CONTEXTO
O caso envolve uma investigação sobre o tráfico internacional de cocaína, com produção apontada na Bolívia e distribuição para grupos criminosos no Brasil e no exterior.
Segundo a Polícia Federal, Yul Neyder Morales Sanchez e o pai dele fariam parte da cadeia de fornecimento da droga, enquanto grupos ligados ao PCC seriam responsáveis por etapas da logística e pelo envio das cargas para outros países.
O colombiano foi preso na Colômbia em 2014, mas deixou de ser localizado após conseguir um habeas corpus no Brasil. Desde então, permanece foragido.
Em 2026, a Justiça brasileira voltou a reforçar a busca pelo investigado e seu nome foi reinserido na Difusão Vermelha da Interpol. Agora, a decisão do STF mantém o caso em evidência e impede que a defesa obtenha, neste momento, a suspensão da ordem de prisão.
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