Mesmo com dívida de R$ 127 milhões, Havanna acelera expansão e promete abrir 60 novas lojas no Brasil

Enquanto grupo controlador renegocia passivos na Justiça, rede argentina mantém plano agressivo de crescimento e aposta no consumo para seguir avançando no país.
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A Havanna decidiu seguir em frente com um plano ambicioso de expansão no Brasil mesmo após o grupo responsável pela marca no país entrar em recuperação extrajudicial para renegociar uma dívida de R$ 127,7 milhões.

A rede argentina anunciou que pretende inaugurar mais de 60 novas unidades até o fim de 2026. O número chama atenção porque representa quase um quarto da atual estrutura da empresa, que conta com mais de 250 pontos de venda espalhados pelo país.

Aposta no Brasil continua de pé

A decisão mostra que a companhia tenta separar a operação comercial da crise financeira enfrentada por seu grupo acionista. Em nota, a Havanna afirmou que o cronograma de crescimento segue inalterado e confirmou novas inaugurações nos próximos meses.

O movimento reforça a importância do mercado brasileiro para a marca. Nos últimos anos, o Brasil se consolidou como uma das principais apostas da empresa fora da Argentina, em meio às discussões sobre possíveis mudanças estratégicas nas operações latino-americanas.

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Nem tudo são novas lojas

Apesar do discurso otimista, a expansão ocorre em meio a ajustes. Em São Paulo, uma nova unidade está prevista para abrir no Shopping Jardim Sul, enquanto uma loja instalada na Avenida Paulista encerrou as atividades após menos de um ano de funcionamento.

O fechamento do ponto em uma das regiões mais movimentadas da capital paulista indica que a empresa também revisa formatos e localização de algumas operações para buscar maior rentabilidade.

Guerra pelo mercado de sorvetes

Parte da expansão da Havanna passa pelo modelo de heladeria, focado em sorvetes. O segmento vive uma disputa intensa entre marcas nacionais e internacionais que tentam ocupar espaços deixados pela saída da Häagen-Dazs do Brasil.

A concorrência inclui gigantes como Bacio di Latte e Borelli, além da chegada de novas redes estrangeiras. O objetivo da Havanna é aproveitar o crescimento desse mercado para ampliar sua presença além do tradicional café com alfajor.

Dívida cresce, mas lojas seguem operando

A recuperação extrajudicial envolve exclusivamente a reorganização financeira do grupo controlador e não afeta diretamente as operações das franquias. A empresa busca renegociar débitos acumulados por meio de um acordo com credores, evitando uma recuperação judicial tradicional.

Especialistas avaliam que esse modelo permite preservar a operação, reduzir desgastes com fornecedores e manter a expansão enquanto as negociações avançam.

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Desafio vem do bolso do consumidor

A aposta da Havanna, porém, acontece em um momento delicado para o varejo. Dados recentes mostram que a confiança do consumidor brasileiro caiu para o menor nível desde 2022, refletindo preocupações com renda, inflação e atividade econômica.

Na prática, a empresa tenta equilibrar dois movimentos simultâneos: renegociar uma dívida milionária nos bastidores e convencer o mercado de que ainda existe espaço para crescer. Se a estratégia funcionar, a Havanna poderá transformar uma crise financeira em uma oportunidade de expansão. Se falhar, a rede terá de enfrentar um cenário de consumo mais fraco com uma estrutura ainda maior para sustentar.

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