O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei Complementar nº 235, de 2026, que cria mecanismos para o governo reduzir tributos federais sobre combustíveis diante dos impactos da crise no mercado internacional de energia.
Mas o texto aprovado pelo Congresso foi além da questão dos combustíveis.
Durante a tramitação, parlamentares incluíram exceções fiscais para outros setores, como a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes e iniciativas relacionadas à realização da Copa do Mundo Feminina da FIFA de 2027 no Brasil.
O que muda com a nova lei?
A principal finalidade da legislação é abrir caminho para que o governo federal possa reduzir impostos incidentes sobre a importação, produção e comercialização de combustíveis ainda em 2026.
A medida busca amenizar os efeitos da alta internacional dos preços da energia sobre a economia brasileira, em meio aos impactos do conflito no Oriente Médio.
Na prática, a lei flexibiliza regras fiscais que poderiam dificultar a adoção de uma redução tributária em caráter emergencial.
Leia também:
De defesa da taxa ao imposto zero entenda por que Lula mudou de posição sobre as blusinhas
Como o governo poderá compensar a perda de arrecadação?
Esse é um dos pontos centrais da nova legislação.
Normalmente, quando o governo reduz um imposto, precisa apresentar mecanismos para compensar a perda de arrecadação.
A Lei Complementar 235 permite, excepcionalmente em 2026, que as renúncias de receita relacionadas às medidas para conter os impactos do choque energético sejam compensadas pelo aumento extraordinário das receitas da União provocado pelo próprio cenário internacional.
Em outras palavras: se a crise elevar receitas federais relacionadas ao setor de energia e petróleo, esses recursos poderão ajudar a bancar uma eventual redução de tributos sobre combustíveis.
Os “jabutis” incluídos pelo Congresso
O projeto original tinha como foco principal a criação de instrumentos para enfrentar os efeitos da alta dos combustíveis.
Durante a tramitação no Congresso, porém, o texto recebeu outros dispositivos — conhecidos no jargão político como “jabutis”, expressão usada para definir temas incluídos em um projeto que não estavam diretamente ligados ao assunto principal.
Entre as exceções incorporadas estão benefícios tributários relacionados a:
minerais críticos e estratégicos;
indústria de fertilizantes;
Copa do Mundo Feminina da FIFA de 2027, que será realizada no Brasil.
Esses setores passaram a contar com tratamento excepcional dentro das regras fiscais previstas na legislação.
Por que os combustíveis entraram no centro da discussão?
O governo vem tentando encontrar alternativas para reduzir o impacto da alta internacional do petróleo sobre os preços internos.
O cenário internacional provocou pressão sobre o mercado de energia, aumentando a preocupação com os reflexos da crise no bolso dos consumidores brasileiros.
A nova lei, porém, não significa uma redução automática e imediata dos preços da gasolina ou do diesel.
Ela cria condições legais e fiscais para que o governo possa adotar medidas de redução tributária, caso decida avançar nessa direção.
Essa diferença é importante: a lei abre o caminho, mas não determina automaticamente um corte de impostos nos postos.
Mais espaço no Orçamento
Além da discussão sobre os combustíveis, a legislação também produz efeitos sobre as regras fiscais.
Segundo informações divulgadas sobre o texto sancionado, a mudança amplia a margem para determinadas despesas e altera o tratamento de renúncias tributárias em situações específicas.
O debate sobre essas exceções deve continuar porque envolve um dos principais desafios da política econômica: como aliviar preços e estimular setores estratégicos sem ampliar excessivamente o desequilíbrio das contas públicas.
O que acontece agora?
Com a sanção presidencial, a Lei Complementar nº 235 já está em vigor.
A partir de agora, o governo passa a ter uma base legal para avaliar eventuais reduções de tributos sobre combustíveis em 2026, utilizando as regras excepcionais previstas no texto.
Ao mesmo tempo, os benefícios fiscais incluídos durante a tramitação também passam a fazer parte da nova legislação.
O impacto real para o consumidor, no entanto, dependerá das próximas decisões do governo.
A grande pergunta agora é simples:
a nova lei será usada para reduzir efetivamente os impostos — e os preços — dos combustíveis?
Por enquanto, a legislação abre essa possibilidade, mas não garante que o desconto chegará automaticamente às bombas.
Leia também:
Lula vai à Bahia para reforçar campanha de Jerônimo e tentar evitar voto casado com ACM Neto
ENTENDA O CONTEXTO
A Lei Complementar nº 235, de 2026, foi criada em meio à preocupação com os efeitos do choque internacional no mercado de energia sobre a economia brasileira.
O texto permite que o governo federal adote medidas tributárias para reduzir os impactos da alta dos combustíveis e utilize receitas extraordinárias relacionadas ao próprio cenário energético para compensar parte da perda de arrecadação.
Durante a passagem pelo Congresso, a proposta também ganhou exceções fiscais para setores que não faziam parte do foco original, incluindo minerais críticos, fertilizantes e a Copa do Mundo Feminina de 2027.
Mais lidas do Nc news:
Nova crise na família Bolsonaro? Eduardo ataca Michelle e coloca campanha de Flávio em risco
Operação fecha postos clandestinos e bloqueia mais de 1,2 mil empresas em SP