O Brasil ainda enfrenta uma onda de calor neste fim de semana, mas o cenário previsto para os próximos meses pode ser ainda mais preocupante.
Uma análise do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) indica que o país pode registrar pelo menos seis ondas de calor até o fim de 2026, principalmente entre setembro e dezembro, período em que a influência do El Niño deve ganhar força.
E existe um detalhe que chama atenção: seis é uma estimativa mínima.
O levantamento aponta que o número pode ser ainda maior. Durante o último episódio de El Niño de intensidade semelhante, entre 2023 e 2024, foram registradas nove ondas de calor no Brasil.
O que está por trás da previsão?
O principal fator é o El Niño, fenômeno natural provocado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico Equatorial.
Esse aquecimento altera a circulação da atmosfera e interfere na distribuição de chuvas, ventos e temperaturas em diferentes regiões do planeta.
No Brasil, o fenômeno pode favorecer períodos mais quentes e secos, além de aumentar o risco de chuvas intensas em determinadas áreas.
Mas existe uma preocupação adicional.
O El Niño de 2026 acontece em um planeta que já está mais quente por causa das mudanças climáticas. A combinação pode aumentar a frequência e a intensidade dos eventos extremos.
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E o que é uma onda de calor?
Não é simplesmente um dia em que os termômetros sobem.
Para ser caracterizada como onda de calor, a situação precisa envolver pelo menos três dias consecutivos com temperaturas máximas e mínimas acima do padrão esperado para aquela época do ano.
É justamente a persistência que torna o fenômeno mais preocupante.
O corpo humano passa mais tempo exposto ao calor, o solo perde umidade e aumentam as condições favoráveis para incêndios.
São Paulo já sente os efeitos
O alerta não está distante.
São Paulo enfrenta neste fim de semana uma forte onda de calor. No interior do estado, os termômetros podem chegar a 40°C, enquanto a capital pode registrar até 36°C.
A Defesa Civil mantém alerta para o período, com previsão de baixa umidade e aumento do risco de incêndios.
O episódio atual ajuda a dimensionar o que pode acontecer caso a previsão de novos períodos de calor extremo se confirme.
O risco não é apenas para quem está nas cidades
O aumento das temperaturas também preocupa áreas rurais e regiões que já enfrentam períodos de estiagem.
Segundo o Cemaden, o calor associado à redução da umidade pode favorecer condições para secas e incêndios florestais, especialmente em regiões vulneráveis.
A Amazônia, o Nordeste e o Centro-Oeste estão entre as áreas que podem sofrer com a combinação de calor e seca.
O órgão também aponta risco de focos de incêndio em aproximadamente 35% do território nacional.
El Niño pode ser ainda mais forte
Outro fator que aumenta a preocupação é a possibilidade de o atual episódio chegar à categoria de Super El Niño.
A NOAA estima 63% de probabilidade de o fenômeno atingir essa intensidade no pico previsto entre novembro de 2026 e janeiro de 2027.
Ainda não é possível afirmar que o El Niño deste ano terá exatamente os mesmos impactos dos episódios mais severos registrados no passado.
Mas o sinal de alerta já está dado.
O que aconteceu no último El Niño forte?
O episódio de 2023 e 2024 ajuda a entender por que pesquisadores acompanham o cenário com atenção.
Naquele período, o Brasil registrou nove ondas de calor entre agosto e dezembro, mais que o dobro da média geral, que é de quatro episódios.
O período também foi marcado por extremos climáticos importantes, incluindo seca histórica na Amazônia, enchentes no Rio Grande do Sul e incêndios severos no Pantanal.
A situação não significa que esses mesmos eventos necessariamente se repetirão em 2026.
Mas mostra o tamanho do impacto que uma combinação de El Niño forte e temperaturas globais elevadas pode provocar.
O que pode acontecer até dezembro?
Se a projeção do Cemaden se confirmar, o Brasil poderá enfrentar uma sequência de novos episódios de calor extremo nos próximos quatro meses.
A previsão é de pelo menos seis ondas de calor, mas o número pode ser maior.
Além do desconforto térmico, os efeitos podem aparecer em setores como:
agricultura, com perda de produtividade e maior necessidade de irrigação;
energia, devido ao aumento do consumo e aos impactos da seca sobre hidrelétricas;
saúde, principalmente entre idosos, crianças e pessoas mais vulneráveis;
abastecimento de água, em regiões afetadas pela estiagem;
florestas, com aumento das condições favoráveis a incêndios;
infraestrutura, diante da combinação de calor extremo, seca e eventos de chuva intensa.
Por que o cenário preocupa tanto?
O problema não está apenas na temperatura máxima.
Quando ondas de calor se repetem em sequência, o período de recuperação entre um episódio e outro pode diminuir.
É justamente essa possibilidade que coloca o segundo semestre de 2026 no radar dos órgãos de monitoramento.
O país pode passar por uma sequência de períodos de calor extremo, separados por intervalos cada vez menores, enquanto algumas regiões enfrentam simultaneamente chuvas intensas.
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Entenda o contexto
O El Niño é um fenômeno natural e não foi criado pelas mudanças climáticas.
O que preocupa os pesquisadores é que ele está ocorrendo sobre uma base de temperaturas globais já elevadas. Estudos recentes indicam que o aquecimento provocado pela atividade humana pode estar aumentando a intensidade da variabilidade do El Niño.
Por isso, a previsão de pelo menos seis ondas de calor até dezembro não deve ser interpretada apenas como uma sequência de dias quentes.
O alerta envolve possíveis impactos sobre água, agricultura, energia, saúde e incêndios.
E o primeiro sinal já está diante dos brasileiros: a onda de calor deste fim de semana pode ser apenas o início de um período muito mais quente.
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