Brasil e Índia querem quase dobrar comércio bilateral até 2030

Países buscam alcançar US$ 20 bilhões em negócios e ampliar parcerias em áreas como mineração, energia, agricultura e tecnologia
Redação NC News
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Brasil e Índia querem aumentar significativamente o comércio entre os dois países nos próximos anos. A meta dos governos é chegar a US$ 20 bilhões em corrente comercial até 2030, o que representaria um avanço importante em relação ao volume atual de negócios.

A estratégia ganhou força nesta semana, durante a visita de uma delegação indiana ao Brasil. O grupo foi liderado pelo secretário de Comércio da Índia, Rajesh Agrawal, e reuniu representantes de 19 empresas de diferentes setores.

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A comitiva passou por São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais em busca de oportunidades de negócios e investimentos. Entre as áreas de interesse estão os setores farmacêutico, alimentício, agrícola, de infraestrutura e mineração.

A aproximação ocorre em um momento de expansão das relações econômicas entre os dois países.

Meta é ampliar produtos negociados

De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o comércio entre Brasil e Índia movimentou US$ 15,2 bilhões em 2025, alta de 25% em relação ao ano anterior.

O Brasil exportou US$ 6,9 bilhões para os indianos. Entre os principais produtos vendidos estão petróleo, gorduras e óleos vegetais, açúcar, minério de ferro e algodão.

No sentido contrário, as importações brasileiras de produtos indianos somaram US$ 8,3 bilhões.

Para chegar aos US$ 20 bilhões até 2030, os dois governos avaliam que será necessário ampliar a quantidade de produtos que podem ser comercializados com condições tarifárias negociadas.

Uma das medidas adotadas foi a assinatura de um memorando de entendimento entre a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e a Índia.

O acordo prevê compartilhamento de informações e cria uma estrutura para facilitar negócios, atrair investimentos e desenvolver projetos conjuntos entre empresas dos dois países.

Indianos de olho em investimentos no Brasil

Além de aumentar as exportações e importações, a Índia também busca ampliar a presença de suas empresas no mercado brasileiro.

Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, o comércio entre os dois países já cresceu cerca de 20% neste ano. O avanço ocorreu após a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Índia, em fevereiro.

Durante a passagem pelo Brasil, os empresários indianos conheceram empresas e oportunidades de investimentos em diferentes regiões.

Minas Gerais está entre os estados no radar da delegação, assim como São Paulo e Rio de Janeiro. O Nordeste também desperta interesse dos investidores.

Um dos maiores projetos indianos no país está no Rio Grande do Norte. O grupo Fomento já investiu mais de US$ 450 milhões, cerca de R$ 2,5 bilhões, em um projeto de mineração de ferro.

A empresa também venceu um leilão para operar uma área do Porto de Natal, criando uma estrutura logística para transportar o minério produzido.

A previsão é que as operações comecem em 2029, com produção média estimada em 2 milhões de toneladas de minério de ferro por ano, segundo o diretor-executivo da companhia, Anuj Timblo.

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Parceria vai além do comércio

A aproximação entre Brasil e Índia não está restrita aos negócios. Os dois países também têm buscado ampliar a cooperação política e estratégica.

Lula e o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, defendem pautas semelhantes em temas como meio ambiente, multilateralismo e maior participação dos países do chamado Sul Global nas decisões internacionais.

Para Márcio Elias Rosa, a relação entre os dois países ganhou um caráter estratégico.

“A Índia é estratégica também porque nós estamos falando das duas maiores lideranças democráticas no Sul Global. Com um grande compromisso de valor social, inclusão, processo de inclusão social e de distribuição de renda.”, afirma

Segundo o ministro, os acordos recentes envolvendo minerais críticos, energia e biocombustíveis mostram que a parceria já ultrapassa a área comercial.

“A Índia e o Brasil formam hoje uma aliança que eu digo que é estratégica do ponto de vista econômico, mas também do ponto de vista político.”, disse

Brasil busca diversificar parceiros

A aproximação com a Índia também ocorre em meio ao aumento das tensões comerciais no cenário internacional, especialmente diante das medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos.

Nesse contexto, ampliar relações com outros mercados pode ajudar o Brasil a diversificar parceiros comerciais e reduzir a dependência do mercado norte-americano.

Para os dois países, a meta de US$ 20 bilhões representa, portanto, não apenas o aumento das exportações e importações, mas também uma tentativa de consolidar uma relação estratégica em setores considerados importantes para a economia mundial.

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