Uma receita pode carregar muito mais do que sabor. Pode lembrar uma pessoa, uma casa, uma infância ou um momento que ficou guardado na memória. É justamente essa relação entre comida, afetividade e identidade paraense que o escritor e professor Lairson Costa explora no livro Sabores que Inspiram Histórias de Afetividade.
A obra foi lançada no domingo (30), durante a 29ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes, em Belém. O público que participou da programação também pôde experimentar gratuitamente alguns dos sabores citados nas crônicas, em uma proposta que aproximou literatura e gastronomia.
Entenda O Que Aconteceu
O lançamento ocorreu no estande do Instituto Federal do Pará (IFPA), no Hangar Convenções e Feiras da Amazônia. A programação contou com um bate-papo no podcast “Sabores e Palavras — conversas que inspiram, sabores que conectam”, mediado pelo comunicólogo Mateus Costa.
Além da conversa com o autor, o público acompanhou leitura dramatizada, pocket show musical e degustação gratuita de alimentos e bebidas relacionados às histórias do livro. Entre os itens estavam doce de jambo, mingau de milho, cuscuz, tapioca, sorvete de açaí e sucos de cupuaçu e graviola.
A ideia foi fazer com que os visitantes não apenas conhecessem as histórias, mas também tivessem uma experiência sensorial ligada aos textos.
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A História Que Deu Origem Ao Livro
A inspiração para a obra veio de uma lembrança familiar. A coletânea nasceu a partir da crônica “Lembranças do Mingau da Vovó”, baseada na relação de Lairson com a avó, Maria das Dores.
“‘Sabores que Inspiram Histórias de Afetividade’ foi originado a partir da história intitulada ‘Lembranças do Mingau da Vovó’. Minha avó, Maria das Dores, foi uma presença muito marcante na minha formação e está sempre nas minhas lembranças.”
A partir dessa memória pessoal, o escritor reúne outras crônicas que relacionam pratos, momentos familiares e experiências que permanecem na lembrança.
Culinária Também É Identidade
Para Lairson, a comida paraense não pode ser vista apenas como alimentação. Pratos tradicionais carregam conhecimentos, histórias e modos de vida que atravessam gerações.
“Quando pensamos em pratos como tacacá, maniçoba, pato no tucupi ou açaí, estamos diante de muito mais do que alimentos.”
O autor destaca ainda a maniçoba como exemplo dessa relação entre gastronomia e cultura. O preparo envolve conhecimentos transmitidos entre gerações, desde o tratamento da maniva até o momento em que a comida é compartilhada.
“É um prato que carrega ancestralidade, território e identidade paraense.”
A proposta do livro é justamente mostrar que, por trás de cada receita, também existem pessoas, territórios, tradições e histórias de afetividade.
Evento Em Mosqueiro Antecedeu O Lançamento
Antes da programação em Belém, Lairson participou do II Saberes e Sabores, realizado no sábado (29), na Ilha de Mosqueiro, distrito da capital paraense.
O encontro aconteceu no Solar Ariramba e reuniu gastronomia, música e informações culturais sobre pratos da região. A programação também contou com apresentações musicais e karaokê.
O evento foi coordenado por Lairson Costa e pela gastróloga Cida Coimbra e serviu como uma preparação para a V Festa Literária de Mosqueiro (V FLIM), prevista para novembro.
Literatura, Gastronomia E Memória
A proposta de Sabores que Inspiram Histórias de Afetividade amplia a ideia tradicional de um livro de culinária. Em vez de apresentar apenas receitas, a obra usa os sabores como ponto de partida para contar histórias e recuperar lembranças.
A experiência criada durante o lançamento seguiu a mesma lógica: ler, ouvir, provar e lembrar.
Com isso, a gastronomia paraense aparece não apenas como elemento da mesa, mas como parte da memória individual e da identidade cultural de uma região.
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Entenda O Contexto
A relação entre gastronomia e cultura é especialmente forte no Pará. Ingredientes, técnicas de preparo e pratos tradicionais são associados a diferentes momentos da vida cotidiana e também a celebrações importantes.
No livro de Lairson Costa, essa dimensão cultural se mistura às memórias familiares. A lembrança da avó e do mingau da infância dá origem a uma coletânea que busca mostrar como um sabor pode funcionar como gatilho para uma história.
O lançamento na Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes levou essa proposta para além das páginas, permitindo que o público tivesse contato com alguns dos sabores presentes na obra.
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