Caiado, Zema e Renan Santos ganham palco nas sabatinas, mas não decolam nas pesquisas

Avanço de Augusto Cury mostra que a disputa pelo espaço fora da polarização entre lulismo e bolsonarismo segue em aberto
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A terceira via ganhou palco, mas ainda procura eleitor. Caiado e Zema tiveram espaço para se apresentar ao país, mas Renan Santos mostrou que ainda existe um eleitorado disposto a ouvir algo diferente da disputa entre lulismo e bolsonarismo.

A terceira via brasileira ganhou aquilo que costuma faltar a quem tenta romper uma eleição polarizada: palco nacional. Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Renan Santos tiveram acesso a uma audiência que dificilmente seria alcançada apenas com estruturas regionais ou redes sociais.

 Entenda O Que Aconteceu

O problema é que aparecer não significa, necessariamente, crescer. E esse talvez seja o principal ponto deixado pelas últimas sabatinas e debates. A disputa presidencial continua organizada em torno de dois grandes polos, Lula e o campo bolsonarista, mas existe um espaço eleitoral entre eles. O que ainda não está definido é quem consegue ocupá-lo.

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Caiado E Zema Têm Currículo, Mas Falta Narrativa Nacional

Caiado e Zema chegaram a essa corrida com uma vantagem importante. Os dois já governaram estados, têm experiência administrativa e possuem uma trajetória política conhecida. Mesmo assim, quando colocados diante de uma audiência nacional, não conseguiram transformar essa experiência em uma narrativa eleitoral suficientemente forte para furar a polarização.

Não significa que tenham feito campanhas ruins ou que estejam fora do jogo. Significa que existe uma diferença entre ter currículo político e conseguir construir uma identidade nacional.

Caiado e Zema reforçam a terceira via e buscam espaço na corrida presidencial de 2026.

Renan Santos Aposta Na Ruptura De Linguagem

Renan Santos entrou nessa equação por outro caminho. Sua candidatura pelo Missão nasce de uma trajetória diferente da de Caiado e Zema. Vindo do MBL, Renan construiu sua imagem muito mais no debate político e nas redes sociais do que na administração pública. O partido, criado a partir desse campo, se apresenta como uma legenda de direita, com defesa do liberalismo econômico e de uma agenda de redução do Estado.

Na sabatina, Renan mostrou uma característica que pode ser eleitoralmente relevante: sabe ocupar o espaço de quem não quer repetir exatamente o discurso dos dois polos dominantes.

Posições Controversas E Capacidade De Comunicação

Algumas de suas posições são controversas e outras exigem maior elaboração para chegar ao eleitor comum. O problema da desobediência a determinadas decisões judiciais, por exemplo, não é uma questão simples de comunicação. Envolve limites institucionais, separação de Poderes e o próprio funcionamento do Estado de Direito. O mesmo vale para suas propostas na área de segurança e armamento.

Mas existe uma diferença entre concordar com uma proposta e reconhecer sua capacidade de comunicação. Renan parece ter entendido que existe uma parcela do eleitorado que não está necessariamente procurando um candidato moderado no sentido tradicional. Pode estar procurando alguém que formule uma crítica diferente à polarização.

Essa é uma distinção importante. A chamada terceira via não precisa, necessariamente, ser o centro político. Pode ser uma alternativa de linguagem, de comportamento e de agenda. É aí que Renan tenta construir seu espaço.

 Paralelo Com Ciro Gomes Em 2018 Precisa De Cuidado

O paralelo com Ciro Gomes em 2018 precisa ser feito com cuidado. Ciro conseguiu, naquele momento, transformar sua experiência política em uma candidatura nacional competitiva, mas não rompeu a estrutura de polarização que acabou levando Jair Bolsonaro e Fernando Haddad ao segundo turno. Renan ainda está muito distante daquele patamar de competitividade.

Pesquisas Mostram Avanço De Augusto Cury

A pesquisa mais recente mostra justamente o tamanho do desafio. Caiado aparece à frente de Renan e Zema, mas nenhum dos três ocupa uma posição confortável. Ao mesmo tempo, Augusto Cury avançou e passou a disputar esse mesmo espaço com muito mais força.

Isso mostra que o eleitorado que rejeita a polarização não está necessariamente esperando um candidato específico. Ele pode migrar rapidamente para quem conseguir apresentar uma combinação de credibilidade, novidade e capacidade de comunicação.

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O Desafio De Caiado E Zema: Deixar De Ser Só Ex-Governadores

É nesse ponto que a estratégia de Caiado e Zema merece atenção. Os dois têm uma questão semelhante para resolver: como deixar de ser conhecidos apenas como ex-governadores e passar a ser percebidos como alternativas presidenciais? No plano estadual, experiência administrativa é um ativo. Na eleição nacional, ela precisa ser traduzida em uma história política que faça sentido para quem não acompanha Goiás ou Minas Gerais.

Renan, por sua vez, tem o problema inverso. Consegue chamar atenção, mas ainda precisa provar que sua candidatura pode ultrapassar o ambiente digital e alcançar um eleitorado mais amplo.

TSE Suspende Propaganda Digital De Renan Santos

Há um obstáculo adicional. A decisão do TSE que suspendeu sua propaganda digital e sua participação em debates cria uma dificuldade justamente no terreno em que sua candidatura vinha tentando ganhar espaço. Renan contesta a decisão, mas, politicamente, o episódio reduz uma das principais ferramentas de exposição de uma candidatura que ainda precisa se tornar conhecida nacionalmente.

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Atenção Se Transforma Em Voto?

No fim, a fotografia desta eleição mostra uma situação curiosa. Lula e Flávio Bolsonaro concentram grande parte da disputa porque representam campos políticos já consolidados. Ao redor deles, existe um grupo de candidatos tentando provar que há vida eleitoral fora dessa divisão.

Caiado aposta na experiência e na direita tradicional. Zema tenta transformar sua gestão em credencial nacional. Renan aposta na ruptura de linguagem e na mobilização de um eleitor mais conectado ao debate político das redes. Augusto Cury começa a ocupar um espaço próprio, apoiado em uma comunicação diferente dos políticos tradicionais.

O ponto decisivo será saber quem consegue transformar atenção em intenção de voto. Porque a terceira via já encontrou o palco. O que ela ainda não encontrou é um candidato capaz de transformar esse palco em maioria eleitoral

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