Pesquisa nacional do instituto Real Time Big Data mantém o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança da corrida ao Planalto e o senador Flávio Bolsonaro (PL) em segundo lugar, mas acende um alerta nas duas campanhas: o escritor Augusto Cury (Avante) salta para dois dígitos e começa a ocupar o espaço de terceira via.
O levantamento, realizado por telefone com 2 mil eleitores em todo o país, registra Cury na faixa entre 10% e 11% das intenções de voto no primeiro turno, dependendo do cenário testado. Na pesquisa anterior do mesmo instituto, em julho, ele tinha apenas 1%.
Cenários testam impacto de Pablo Marçal e candidatos menores
A pesquisa, registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o código BR-03490/2026, mede as intenções de voto entre os dias 27 e 31 de agosto e trabalha com margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Dois cenários são analisados: um com e outro sem o nome de Pablo Marçal (PRTB), declarado inelegível, mas ainda presente em parte do debate eleitoral.
Nos dois desenhos, Lula lidera a disputa, seguido por Flávio Bolsonaro, enquanto Cury aparece consolidado como terceiro nome competitivo. O próprio instituto resume o quadro: “O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera as intenções de voto para o primeiro turno das eleições presidenciais”. Flávio mantém a segunda posição, sem conseguir, por ora, conter a aproximação do candidato do Avante no pelotão intermediário.
O estudo mostra ainda que os demais candidatos seguem com baixa expressão individual. Clariana Barão (DC), Rui Costa Pimenta (PCO), Samara (UP), Edmilson Costa (PCB), Hertz Dias (PSTU) e Wilson Grassi (Democrata) somam, juntos, 2% das intenções, sem que nenhum deles ultrapasse 1%. A multiplicidade de nomes reforça o cenário de fragmentação, mas, na prática, o espaço real de disputa se concentra hoje em torno de Lula, Flávio e Cury.
Salto de Cury rompe inércia da polarização
O avanço repentino de Augusto Cury altera a dinâmica da campanha e ameaça a narrativa de uma eleição travada apenas entre PT e PL. O escritor deixa a condição de coadjuvante para ocupar o terceiro lugar com folga, em um movimento visto como o primeiro teste concreto à polarização que marca a política nacional nos últimos anos.
Um dirigente aliado de Flávio Bolsonaro admite, em reservado, que o desempenho do candidato do Avante aciona o modo de alerta nas campanhas dos dois principais nomes. “O desempenho do candidato do Avante à Presidência da República, Augusto Cury, em pesquisas recentes acendeu o sinal amarelo nas campanhas dos principais candidatos”, afirma.
O mesmo dirigente conta que levantamentos internos já indicavam espaço para um nome alternativo. “Pesquisa qualitativa encomendada pelo partido de Flávio Bolsonaro demonstrou que existe espaço para a terceira via, mas desde que cumpra um requisito: que seja capaz de furar a polarização”, diz. Na avaliação desse grupo, Cury começa a preencher justamente essa brecha, captando eleitores cansados do embate direto entre lulismo e bolsonarismo.
O salto de 1% para até 11% em pouco mais de um mês coincide com a maior exposição do escritor, impulsionada por debates e presença intensa nas redes sociais. O crescimento alimenta a percepção de que parte do eleitorado procura um discurso menos identificado com partidos tradicionais e mais associado a ideias de autoajuda, estabilidade emocional e alternativa ao confronto permanente.
Campanhas recalculam rota em ambiente volátil
Nas cúpulas de PT e PL, a leitura é que o avanço de Cury exige ajustes imediatos. Para Lula, a prioridade é preservar a liderança e conter a dispersão de votos em segmentos urbanos e de classe média, mais permeáveis ao discurso do escritor. A ordem entre aliados é reforçar a mobilização da base social e sindical e afinar a comunicação com eleitores que demonstram fadiga com a polarização, mas ainda se preocupam com segurança social e programas de transferência de renda.
No entorno de Flávio Bolsonaro, a reação mistura preocupação e cautela. Integrantes da coordenação veem risco de perda de eleitores antipetistas que não se identificam com o estilo do senador e podem migrar para o Avante. Ao mesmo tempo, há quem relativize o movimento, lembrando que o calendário ainda é longo e que parte do crescimento de Cury poderia refletir um voto de protesto, sujeito a recuos diante da proximidade da votação.
Entre os partidos menores, o novo quadro é lido como um abalo na tese de que não haveria espaço para uma terceira via. O desempenho do Avante mostra que, em um ambiente de instabilidade política interna e tensões internacionais, o eleitor aceita testar alternativas que prometem menos conflito e mais previsibilidade. A dispersão de votos, porém, aumenta a incerteza sobre quem chega mais forte a um eventual segundo turno.
O que muda na prática para a disputa de 2026
A pesquisa de agora não define o resultado da eleição, mas redesenha o tabuleiro de negociações e alianças. Se Cury mantiver ou ampliar o patamar de 10% a 11%, passa a ter peso real nas conversas de bastidor para o segundo turno e pode atrair apoios regionais, tempo de televisão e estruturas partidárias atualmente órfãs de protagonismo nacional.
Setores próximos ao PT calculam que um terceiro nome forte pode, em tese, diluir o voto de oposição e facilitar a vida de Lula na primeira etapa da disputa. O risco, porém, é ver o presidente chegar ao segundo turno com vantagem menor, diante de um adversário mais competitivo, sustentado por um eleitorado anti-PT menos identificado com o bolsonarismo raiz.
No campo de Flávio Bolsonaro, o temor é duplo: perder fôlego na largada e enfrentar dificuldade para recuperar apoiadores caso Cury se fixe como alternativa moderada à rejeição acumulada pelo senador. Em um ambiente de Congresso dominado por forças conservadoras e sob pressão de crises globais, a fragmentação do voto adiciona volatilidade à montagem de futuras coalizões de governo.
A Real Time Big Data volta a campo nas próximas semanas, e os QGs de campanha monitoram cada ponto percentual. A trajetória de Augusto Cury, em especial, passa a ser vista como termômetro da fadiga com a polarização e da disposição do eleitor para experimentar uma rota intermediária. Se o movimento continuar, a disputa presidencial de 2026 tende a ser menos previsível, mais fragmentada e ainda mais dependente de acordos costurados após o primeiro turno.
O que mostra a pesquisa Real Time Big Data para presidente?
A pesquisa Real Time Big Data para presidente de 2026, feita com 2 mil entrevistas telefônicas entre 27 e 31 de agosto e margem de erro de dois pontos, mantém Lula à frente, Flávio Bolsonaro em segundo e registra o salto de Augusto Cury para 10% a 11%, com candidatos menores somando apenas 2%.
Por que o crescimento de Augusto Cury preocupa Lula e Flávio Bolsonaro?
O crescimento de Augusto Cury preocupa Lula e Flávio Bolsonaro porque o candidato do Avante sobe de 1% em julho para até 11% agora, ocupa sozinho o espaço de terceira via, atrai eleitores cansados da polarização e força as duas campanhas principais a reverem estratégias de comunicação, alianças e disputa pelos indecisos.