Ribeirinhos temem explosões em hidrovia no Pará; cientistas alertam para danos ao rio Tocantins

Moradores de comunidades às margens do rio Tocantins afirmam que a obra pode afetar a pesca, a biodiversidade e o modo de vida local. Pesquisadores apontam possíveis impactos sobre espécies ameaçadas e áreas consideradas essenciais para a reprodução de peixes
Redação NC News
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Comunidades ribeirinhas do sudeste do Pará vivem sob a expectativa das obras previstas para viabilizar a Hidrovia Araguaia-Tocantins, projeto que inclui a remoção de formações rochosas conhecidas como Pedral do Lourenção, no rio Tocantins. Moradores temem que as explosões necessárias para abrir o canal de navegação provoquem impactos irreversíveis na pesca, principal fonte de sustento de muitas famílias da região.

Além das preocupações das comunidades, pesquisadores e especialistas ambientais alertam para possíveis danos à biodiversidade local. O trecho do rio abriga espécies endêmicas e ameaçadas de extinção, além de ser considerado uma área estratégica para reprodução e abrigo de peixes.

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Entenda o que aconteceu

O projeto da hidrovia prevê intervenções para permitir a navegação de grandes embarcações durante todo o ano. Entre as obras está o derrocamento do Pedral do Lourenção, uma extensa formação rochosa localizada entre os municípios de Itupiranga e Nova Ipixuna.

Para que a navegabilidade seja viável em todo o curso da hidrovia, um trecho de 43 km conhecido como Pedral do Lourenço precisa ser desobstruído

Segundo estudos e pesquisadores que acompanham a região, a área funciona como um importante habitat para diversas espécies aquáticas. O receio é que as explosões alterem o ecossistema do rio e provoquem consequências permanentes para a fauna local.

Cientistas apontam ameaças à biodiversidade

Pesquisadores classificam o Pedral do Lourenção como uma das áreas mais importantes do rio Tocantins para a reprodução de peixes. Estudos realizados por mergulhadores identificaram espécies raras e até animais encontrados apenas naquele trecho do rio.

Especialistas afirmam que o local funciona como um verdadeiro refúgio ecológico, abrigando peixes ameaçados de extinção, além de espécies como o boto-do-Araguaia, a tartaruga-da-Amazônia e o tracajá.

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Moradores temem impacto na pesca e na subsistência

Para os ribeirinhos, a principal preocupação é a redução da oferta de pescado e a mudança no comportamento do rio após as intervenções.

Lideranças comunitárias afirmam que a população ainda convive com consequências de grandes empreendimentos instalados na região nas últimas décadas, como a Usina Hidrelétrica de Tucuruí. O temor é que a hidrovia represente uma nova transformação capaz de comprometer atividades tradicionais de pesca e agricultura familiar.

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Projeto divide opiniões

Defensores da hidrovia argumentam que a obra poderá ampliar a capacidade logística da região Norte e facilitar o escoamento da produção agrícola e mineral pelo chamado Corredor Arco Norte.

Já organizações ambientais, pesquisadores e representantes de comunidades tradicionais afirmam que os estudos de impacto ainda são alvo de questionamentos e defendem análises mais aprofundadas sobre os efeitos da intervenção.

A Hidrovia Araguaia-Tocantins pode conectar o Centro-Oeste aos portos do Norte, ampliando a logística e o escoamento da produção brasileira.

 Entenda o contexto

A Hidrovia Araguaia-Tocantins é considerada um dos principais projetos logísticos voltados à integração do Centro-Oeste com os portos do Norte do país. A proposta prevê melhorias na navegação dos rios Tocantins e Araguaia para ampliar o transporte de cargas.

O Pedral do Lourenção se tornou um dos pontos centrais do debate porque concentra grande diversidade biológica e está localizado em uma região utilizada por comunidades ribeirinhas, pescadores, indígenas e quilombolas. Ao longo dos últimos anos, o empreendimento passou por licenciamento ambiental, audiências públicas e questionamentos de pesquisadores, movimentos sociais e órgãos de controle.

Para os moradores da região, a discussão vai além da infraestrutura. O que está em jogo, segundo eles, é a preservação de um modo de vida que depende diretamente do rio Tocantins e de seus recursos naturais.

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