O desfile de 7 de Setembro em Brasília acontece nesta segunda-feira (7) em meio a uma das maiores crises internas já enfrentadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nos últimos anos. O ambiente de tensão deve ter reflexos diretos na cerimônia: Alexandre de Moraes e outros ministros que tradicionalmente acompanham o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) devem ficar fora do palanque de autoridades.
Além de Moraes, também tendem a não comparecer Gilmar Mendes e Cristiano Zanin, segundo informações divulgadas sobre a composição prevista para a cerimônia. A ausência ocorre justamente quando o Supremo enfrenta um confronto aberto entre Moraes e o ministro André Mendonça, envolvendo os desdobramentos das investigações sobre o Banco Master.
A situação ganha peso político porque a cerimônia ocorre menos de um mês antes do primeiro turno das eleições presidenciais. Lula estará no centro do evento oficial, enquanto seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL), participa de uma mobilização na Avenida Paulista marcada por críticas ao governo e ao próprio STF.
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Moraes se afasta do desfile em meio à crise
Moraes havia sido convidado para participar da cerimônia e ocupar a tribuna de honra ao lado das principais autoridades da República. A tendência, porém, é que o ministro não compareça.
A ausência ocorre em um momento particularmente delicado para o magistrado.
A crise começou a ganhar nova dimensão depois que André Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal que apresentava mensagens trocadas entre Moraes e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
O conteúdo provocou forte repercussão política e abriu uma nova frente de pressão sobre o ministro. Moraes, por sua vez, pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, que fossem tomadas providências contra Mendonça, levantando questionamentos sobre a atuação do colega.
Fachin abriu um procedimento para reunir informações antes de decidir os próximos passos. Moraes, Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, foram chamados a prestar esclarecimentos.
O episódio transformou uma disputa que inicialmente estava concentrada nos bastidores em uma crise institucional que passou a envolver diferentes setores do Supremo.
Lula tenta se afastar do desgaste
A ausência de Moraes também tem um significado político para Lula.
O presidente manteve uma relação próxima com o ministro ao longo dos últimos anos. Moraes chegou a participar de encontros políticos importantes envolvendo Lula e outras autoridades, o que aproximou a imagem dos dois em determinados momentos.
Agora, diante da repercussão do caso Banco Master, o Palácio do Planalto procura evitar que a crise contamine a campanha de reeleição.
Lula conversou com Edson Fachin sobre a situação e passou a adotar uma postura de maior distanciamento em relação a Moraes. A estratégia política definida pelo grupo do presidente é enfatizar a ideia de que “ninguém está acima da lei”, evitando assumir uma defesa pessoal do ministro.
O movimento ocorre justamente no momento em que Lula tenta utilizar o 7 de Setembro para reforçar uma mensagem de soberania nacional e união, em vez de transformar o desfile oficial em uma resposta direta à crise do Supremo.
O lema escolhido para a cerimônia é “Soberania: A Força que Une o Brasil”.
O presidente também falou em rede nacional na noite de domingo (6), destacando a soberania brasileira e defendendo que o país tenha autonomia para explorar recursos estratégicos, como petróleo e terras raras.
Um palanque sem alguns dos principais aliados institucionais
A ausência dos ministros não significa apenas uma mudança na composição física da tribuna.
O STF tradicionalmente ocupa espaço de destaque nas cerimônias oficiais do 7 de Setembro. A presença de ministros ao lado do presidente ajuda a transmitir uma imagem de integração entre os Poderes.
Neste ano, porém, o cenário é diferente.
A crise envolvendo Moraes e Mendonça colocou os próprios ministros em lados distintos de uma disputa que pode chegar ao plenário do Supremo. Pessoas próximas aos dois magistrados já trabalham com diferentes possibilidades de votação e formação de maioria dentro da Corte.
A tendência de ausência de Moraes, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin, portanto, ocorre em um momento em que o STF tenta preservar sua imagem institucional enquanto enfrenta uma disputa pública entre integrantes do próprio tribunal.
Caso Banco Master aumenta pressão sobre o Supremo
O pano de fundo da crise é a investigação envolvendo o Banco Master e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A divulgação de mensagens entre Vorcaro e Moraes colocou o ministro no centro do debate político. O caso também passou a envolver questionamentos sobre a atuação de outros integrantes das instituições responsáveis pela investigação.
O presidente do STF, Edson Fachin, decidiu concentrar as informações sobre o episódio e ouvir os envolvidos antes de determinar eventuais providências. A abertura do procedimento, porém, não significa que exista uma investigação formal contra Moraes ou Mendonça: o objetivo inicial é reunir informações e avaliar os próximos passos.
A crise ganhou ainda mais dimensão porque acontece em plena campanha eleitoral.
O tema passou a ser explorado por Flávio Bolsonaro, que transformou a saída de Moraes do STF em uma das principais bandeiras de sua mobilização no 7 de Setembro.
Flávio usa crise para pressionar Moraes
Enquanto Lula participa do desfile oficial em Brasília, Flávio Bolsonaro estará na Avenida Paulista, em São Paulo, em um ato que tem entre seus principais alvos o governo petista e Alexandre de Moraes.
O candidato do PL tenta transformar a crise interna do Supremo em uma pauta eleitoral.
Nos últimos dias, Flávio chegou a pressionar publicamente a ministra Cármen Lúcia para que ela apoiasse a abertura de uma investigação contra Moraes. O candidato afirmou que uma posição contrária poderia prejudicar a imagem da ministra.
O discurso mostra uma mudança importante na estratégia bolsonarista. O alvo não é apenas o governo Lula, mas também a própria composição e atuação do STF.
A crise, portanto, passou a ocupar um espaço central na disputa presidencial.
O que está em jogo no 7 de Setembro
O feriado chega com dois eventos políticos completamente diferentes.
Em Brasília, Lula tenta transformar a cerimônia oficial em uma demonstração de soberania, estabilidade e união nacional, evitando que o desgaste do Supremo domine sua agenda.
Em São Paulo, Flávio aposta na mobilização popular para pressionar o STF e fortalecer sua candidatura como principal representante da oposição ao governo.
No meio dessa disputa está Alexandre de Moraes, cuja possível ausência do palanque presidencial se tornou um dos símbolos mais visíveis da crise que atingiu a Corte.
O episódio também expõe um problema eleitoral para Lula: quanto mais o caso Master permanece no centro do debate, maior é a dificuldade do presidente de evitar que sua proximidade histórica com integrantes do Supremo seja usada por adversários durante a campanha.
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A crise atual do STF se tornou um dos principais temas políticos da eleição de 2026 porque envolve diretamente a imagem da Corte, o governo Lula e a oposição liderada por Flávio Bolsonaro.
O confronto entre Alexandre de Moraes e André Mendonça ganhou força após a divulgação de informações relacionadas às investigações do Banco Master e passou a provocar reações dentro e fora do Supremo. Edson Fachin tenta reunir informações e avaliar os próximos passos antes de qualquer decisão.
Paralelamente, Lula procura preservar a imagem institucional do governo e evitar que o desgaste do STF seja associado à sua campanha, enquanto Flávio utiliza o episódio para pressionar Moraes e mobilizar seus apoiadores.
A possível ausência de ministros no desfile de 7 de Setembro ocorre, portanto, em um momento em que a crise judicial já ultrapassou os limites do tribunal e entrou definitivamente no centro da disputa presidencial.
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