A Polícia Federal (PF) apreendeu sete armas de fogo registradas em nome do deputado federal Mário Frias (PL-SP) durante a operação “Make Up”, deflagrada nesta quinta-feira (10). A ação investiga suspeitas de desvio de recursos públicos relacionados ao financiamento do filme Dark Horse, produção sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo informações da investigação, as armas foram localizadas em endereços que não foram informados oficialmente. A suspeita envolvendo o armamento está relacionada à possível posse irregular, já que os registros estavam em nome do parlamentar, mas as armas teriam sido encontradas em locais diferentes daqueles declarados.
Além das armas, agentes apreenderam computadores e celulares durante o cumprimento dos mandados.
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A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e conta com a participação da Controladoria-Geral da União (CGU).
Ao todo, foram expedidos 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal. Mário Frias e a empresária Karina Gama, ligada à produtora do filme, estão entre os principais alvos.
A investigação apura a possibilidade de que recursos públicos enviados por meio de emendas parlamentares tenham sido direcionados de maneira irregular para organizações e empresas relacionadas à produção de Dark Horse.
Mário Frias é produtor do filme
Além de deputado federal, Mário Frias atuou como produtor executivo e roteirista de Dark Horse. O parlamentar destinou cerca de R$ 2 milhões em emendas parlamentares, em 2024, para uma organização ligada à produtora Karina Gama.
Uma das suspeitas investigadas é que parte dos recursos tenha sido destinada a um programa de empreendedorismo que, segundo as apurações, não teria sido efetivamente executado.
A defesa de Frias já negou irregularidades e afirmou anteriormente que não houve triangulação das emendas para financiar o filme.

Sete armas foram apreendidas durante a operação
Durante as buscas realizadas nesta quinta-feira (10), a Polícia Federal apreendeu sete armas de fogo registradas em nome de Mário Frias. Segundo as informações da investigação, os armamentos foram encontrados em um endereço diferente daquele que havia sido declarado pelo deputado.
A situação levantou uma nova frente de apuração envolvendo o parlamentar. A PF investiga se houve posse irregular das armas, já que elas não estariam armazenadas no local informado no registro.
Além do armamento, os agentes apreenderam celulares, computadores e outros materiais que deverão passar por análise dos investigadores. O objetivo é reunir elementos que possam ajudar a esclarecer as suspeitas investigadas na operação.
A apreensão das armas, porém, é uma frente distinta da investigação sobre os possíveis desvios de recursos públicos relacionados ao filme Dark Horse. A operação principal apura suspeitas envolvendo emendas parlamentares e movimentações financeiras entre empresas e entidades ligadas ao projeto.

PF investiga possível organização criminosa
De acordo com a Polícia Federal, os investigadores identificaram movimentações financeiras de centenas de milhões de reais entre empresas que fazem parte do grupo investigado.
A suspeita é de que agentes públicos e privados tenham utilizado empresas subcontratadas para direcionar recursos sem comprovação da efetiva prestação dos serviços contratados.
Entre os crimes investigados estão peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes relacionados a licitações. As suspeitas ainda são objeto de investigação e não representam condenação dos envolvidos.
Investigação também envolve produtora
Karina Gama, responsável pela produtora ligada a Dark Horse, também é alvo da operação. Ela preside o Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização que recebeu recursos de emendas parlamentares.
A investigação federal sobre as emendas é diferente de outra apuração conduzida pela Polícia Civil de São Paulo envolvendo contratos do ICB com a Prefeitura da capital para fornecimento de pontos de wi-fi.
Dados apreendidos nessa investigação estadual foram posteriormente compartilhados com a Polícia Federal por determinação de Flávio Dino.
Caso Dark Horse tem outras frentes de investigação
O filme também aparece em uma investigação separada que envolve o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Nesse outro inquérito, relatado pelo ministro André Mendonça, a Polícia Federal apura repasses relacionados à produção do filme. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho de Jair Bolsonaro e candidato à Presidência, aparece nessa investigação, mas não é alvo da operação Make Up realizada nesta quinta-feira.
As duas apurações possuem objetos distintos e não devem ser tratadas como uma única investigação.
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Entenda O Contexto
A operação “Make Up” faz parte de uma investigação sobre a possível utilização irregular de recursos públicos destinados a organizações ligadas à produção de Dark Horse, filme que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A Polícia Federal apura se emendas parlamentares foram direcionadas para entidades que, posteriormente, teriam contratado empresas sem comprovação adequada dos serviços.
Entre os alvos estão Mário Frias, que participou da produção do filme e destinou emendas a uma das organizações investigadas, e Karina Gama, ligada à produtora da obra. A operação foi autorizada por Flávio Dino e contou com a participação da CGU.
A apreensão das sete armas registradas em nome de Frias ocorreu durante as buscas e também será analisada no contexto da investigação. Até o momento, as suspeitas estão em fase de apuração e não significam que os investigados tenham sido condenados ou que as irregularidades tenham sido definitivamente comprovadas.
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